<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390</id><updated>2011-12-13T14:13:51.917-03:00</updated><title type='text'>Contos e Crônicas de uma Cabeça de Vento</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>63</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-7633059156852859188</id><published>2010-10-21T14:06:00.002-03:00</published><updated>2010-10-21T14:10:13.207-03:00</updated><title type='text'>Votando no Pirambu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.45pt; "&gt;O que mais gosto de estar inserida na realidade do Pirambu é que posso realizar observações antropológicas terrivelmente empíricas, mas que satisfazem com presteza meu acanalhado eu interior. No caso, um dos dias em que melhor realizo essas observações é, definitivamente, os dias de eleição.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.45pt; "&gt;No Pirambu, dia de eleição é melhor do que dia de feira. É melhor que a missa de domingo ou o circo de leões famintos que aparece de vez em quando por lá. Dia de eleição, no Pirambu, é comparado com o Natal. É uma festa. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.45pt; "&gt;Todos ficam nas calçadas, observando o movimento de pessoas. A grande maioria se veste com a roupa de shopping e caminha orgulhosa para a famigerada fila dos cidadãos que escolherão seus governantes (escolha baseada em análises e bom senso, claro, nada a ver com a cesta básica da semana passada). Barraquinhas de milho verde, churrasquinho de felinos e sanduíches gordurosos de R$2,00 enchem as calçadas, como se em dia de comício. Em uma ou outra esquina, uma displicente boca de urna.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.45pt; "&gt;Na fila, as senhoras conversam sobre quais candidatos seriam melhor para o povo, cheias da mais profunda consciência política.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.45pt; "&gt;- Mulher, eu vou é votar na Dilma. O Lula mandou, né, mas nem sei de onde ela foi prefeita, pra dizer a verdade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.45pt; "&gt;- ‘Xa de ser burra, bicha, ela foi ministra da casa civil! É muita coisa!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.45pt; "&gt;- E o que tem demais nessa casa civil que nem sei?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.45pt; "&gt;- Sei não, mas meu marido que entende das política disse que tem alguma coisa a ver com o Minha Casa Minha Vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.45pt; "&gt;- Aaah...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.45pt; "&gt;Durante minha espera na fila da seção, eu tentava me entreter com esse tipo de conversa, mas era muito difícil achar graça quando estamos há vários minutos em pé. O que era para ser uma votação rápida tornou-se um tormento, pois existem criaturas de todos os tipos votando lá no Pirambu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.45pt; "&gt;Dentre elas, a mulher que não sabia que para confirmar o voto tinha que apertar o botão verde e, não, o laranja. Também tinha senhora que teimava em não querer votar para senador por não ter candidato ou que desistiu de votar na metade do processo, indignando-se porque o mesário não a deixou ir em paz. Houve o rapaz que esqueceu o número de seu presidente e, quando tentou tirar dúvida com o mesário, vários na fila começaram a gritar o número do concorrente. Dois bêbados que não tinham a menor ideia de como foram parar lá. Teve também o homem que insistia que sua seção era ali e que seu nome não constava na lista porque alguém tinha apagado de propósito. Crianças aos montes, com cheiro de xilito e urina, sempre, mas sempre gritando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;text-indent: 35.45pt; "&gt;E eu, enlouquecendo em meio a esse pandemônio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt"&gt;Entretanto, devo dizer, tudo valeu a pena depois que votei. Inacreditável a sensação de ter todo mundo te olhando com intensa admiração, achando incrível sua inteligência por levar menos de 30 segundos para votar. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:35.45pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-7633059156852859188?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/7633059156852859188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=7633059156852859188&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/7633059156852859188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/7633059156852859188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2010/10/votando-no-pirambu.html' title='Votando no Pirambu'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-2559221808333075089</id><published>2009-10-22T20:08:00.004-03:00</published><updated>2009-10-23T12:41:40.750-03:00</updated><title type='text'>Lugares Oníricos: A Praia em Forma de Lua</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:sans-serif;font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:sans-serif;font-size:85%;"&gt;Desde sempre, existem três lugares com os quais eu sempre sonho. Nunca os visitei acordada, portanto, não sei se existem mesmo ou só na minha cabeça. Mas o fato é que consigo descrevê-los com uma riqueza de detalhes absurda e, sempre que sonho novamente com qualquer um deles, o local continua o mesmo. Inalterado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:sans-serif;font-size:85%;"&gt;Eis o primeiro deles:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:sans-serif;font-size:85%;"&gt;A&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Praia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;em forma de Lua.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:sans-serif;font-size:85%;"&gt;Nos meus sonhos é uma praia em forma de lua, cercada por rochas. É quase como Canoa Quebrada, só que de encostas mais altas e pedregosas, impossíveis de escalar. A faixa de areia é estreita, mas se prolonga por toda parte interna da "lua". Lá sempre está entardecendo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:sans-serif;font-size:85%;"&gt;Em uma das pontas, existe uma casa branca, de dois andares, que possui um deque na sua frente com algumas cadeiras e mesas de pedra. Por vezes, o deque está lotado de pessoas barulhentas, que não são donas da casa e as quais não conheço. Por vezes, está totalmente vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca consegui entrar na casa e, nas poucas vezes que tentei, ela sempre está trancada. Pelas vidraças das portas, consigo ver uma bela sala com sofás marfim, um tapete felpudo e quadros que já vi em algum lugar. Está sempre à meia-luz de dois abajours. Possui uma lareira - que vi acesa somente uma vez - e um corredor no seu lado esquedo que não sei para onde vai. Nunca vi ninguém lá dentro, mas sei que tem uma pessoa morando lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado dessa casa, um píer de madeira, que adentra solitário no mar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:sans-serif;font-size:85%;"&gt;Na outra ponta da praia, existe uma caverna. Entrei lá apenas duas vezes... Não foram sonhos muito bons. Dá para chegar nela apenas com a maré baixa. Quando ela enche, o único lugar seguro é a casa. Se a maré encher enquanto se está na caverna, não tem jeito, tem que passar a noite inteira dentro da lá dentro. Aconteceu uma vez. Para que as ondas não me pegassem, tive de ficar em cima de uma enorme pedra circular, que fica metade dentro da caverna, metade fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passar a noite lá nunca é bom... O interior dela é de uma escuridão arrepiante, de onde se pode ouvir apenas os sons das ondas quebrando e - de vez em quando - vozes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:sans-serif;font-size:85%;"&gt;Tomei banho algumas vezes no mar, mas nunca na companhia de alguém. A água é gelada e aflita. Como se o mar quisesse - precisasse - desabafar. Aliás, sonhar nessa praia sempre é um solitário e pensativo. Por vezes agradável, por vezes inquietante. Já cheguei lá de barco. Já tive oportunidade de entrar mais para o interior da caverna, mas tive medo... Não sei se quero entrar lá. Na casa, porém, adoraria entrar. Tenho certeza de que é aconchegante, que tem alguém dormindo no andar de cima e que essa pessoa anseia que eu a acorde. Mas a casa sempre está trancada. Não sei onde está a chave, pois ela desapareceu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:sans-serif;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;"Está dentro da caverna!" &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- falou uma voz atrás de mim, na última vez que tentei abrir aquela porta. Olhei para trás. Somente o mar. Eu sabia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-2559221808333075089?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/2559221808333075089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=2559221808333075089&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2559221808333075089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2559221808333075089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2009/10/lugares-oniricos-praia-em-forma-de-lua.html' title='Lugares Oníricos: A Praia em Forma de Lua'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-5546488609428292434</id><published>2009-09-16T13:37:00.003-03:00</published><updated>2009-09-16T13:42:38.356-03:00</updated><title type='text'>Doutor Mengeli</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A sala era branca e limpa, como todo consultório odontológico deve ser. Na minha odisséia de 15 anos de aparelhos dentários, aprendi a ser destemida com dentistas. Estava tranqüila. Nas paredes, quadros de singelas paisagens ajudavam a ambientar o lugar. O odontologista sorria para nós duas, explicando como ele iria extrair os meus sisos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deitada na cadeira e com a boca escancarada, esperei ele avaliar a situação, enquanto pensava em terminar de ler o "O Dia do Coringa", que estava na minha mochila. Minha mãe estava sentada em um sofá ao lado, lendo uma Caras do ano anterior.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pronto, minha querida! - disse o homem - Vamos começar, né?&lt;br /&gt;- Vamos.&lt;br /&gt;- Olhe, eu vou aplicar uma anestesia para você ficar relaxada, tá bom?&lt;br /&gt;- Tudo bem, não tenho medo não, seu doutor. - respondi, confiante.&lt;br /&gt;- Tem medo não, é? É que já vi tanta gente chorando nessa cadeira que a gente se acostuma.&lt;br /&gt;- ...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mamãe levanta os olhos da revista.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- E ela pode sentir dor assim, doutor?&lt;br /&gt;- Sabe como é, D. Fátima, as pessoas se acham fortes, mas sempre tem uma criança chorona escondida lá no fundinho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olhei para minha mãe, com olhar de "mas, hein?" e ela devolveu com um de "não faço idéia". Com a seringa em punho, o homem falou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Minha filha, abra a boca e respire beeeem fundo... Imagine-se em um campo florido, bem aconchegante, cheio de paz e tranqüilidade... Você está descansada e feliz... Pense em algo que lhe deixe mais feliz ainda.... Tipo, brincar de boneca!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu tinha 18 anos e nessa hora comecei a me assustar. Por quê raios ele estava falando daquele jeito? Ia doer tanto assim que era necessária aquela sessão de hipnose barata? Com isso, minha mãe fechou a revista e ficou observando, temerosa. Repentinamente, ele espetou a minha boca, encostando a ponta da agulha no osso da mandíbula.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- AahhhunnnnHnn... - reclamei, enchendo os olhos de lágrimas.&lt;br /&gt;- Calma, tá acabando!&lt;br /&gt;- Doutor, ela tá gemendo de dor!!!&lt;br /&gt;- Eou rôhim!!! - exclamei.&lt;br /&gt;- Já estou terminando, espera só  mais uuuuuuuuum seeeeguuuuundiiiiinhoooooooooooo...........................................&lt;br /&gt;- AAAHHUNNNN!!!!!!!!&lt;br /&gt;- Pronto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era uma dor angustiante, fininha e profunda. Mas passou. "Bem, pelo menos agora estou anestesiada", pensei. Então ele pegou o bisturi e disse:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não se mexa um milímetro! Congele! - consenti, claro, com os olhos arregalados em cima do bisturi.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No primeiro corte, senti uma dor horrível. Gritei de boca aberta e ele parou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ué. Doeu? - estranhou o homem, olhando para a paciente com olhos vidrados - Então deixa eu aplicar outra dose aqui...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele aplicou mais uma injeção. Mexeu no meu dente para testar se funcionara, mas eu ainda sentia dor. Aplicou mais outra. Dor menor, mas doeu. Aporrinhado, o homem aplicou uma dose cavalar em mim, anestesiando praticamente meu rosto inteiro. Chamou a enfermeira, que posicionou-se atrás de mim. Nesse momento começou o show de horror.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A mulher agarrou firmemente minha cabeça, uma mão em cada orelha, enquanto o suposto dentista tentava arrancar os dentes com o alicate. Ele puxava e, como o dente não saía, ele TORCEU o alicate, tentando desparafusar o dente, enquanto empurrava minha língua para baixo com uma espátula de ferro na outra mão. O sugador não comportava a quantidade de sangue e baba que saía, e começou a escorrer em cima de minha blusa azul claro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu, apavorada, chorando de boca escancarada, gemia porque AINDA ESTAVA SENTINDO DOR. Minha mãe, de pé, exigia:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pára com isso, ela não quer mais, solta ela!!!&lt;br /&gt;- Nããão, calma aí, agora é questão de honra!!! - respondia o doido.&lt;br /&gt;- Mas ela está sentindo dor! - retrucou a mulher, com medo de empurrá-lo e machucar-me.&lt;br /&gt;- Tá nada, isso é manha!&lt;br /&gt;- AAAAAAAHhhhhhhhnuUUUnnNnnnnnnnnAiiiiii - gritava eu, tentando xingá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois três horas disfarçadas de dez minutos, dois dos dentes saíram. Eu estava totalmente dolorida. Quando me olhei no espelho, eu babava em vermelho com os olhos inchados, desgrenhada, com metade da boca caída pro lado, um olho semi-cerrado devido às anestesias e o outro terrivelmente arregalado. "Nunca mais vou voltar ao normal..." - cheguei a pensar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pronto, tome esses remédios da receita, lave bem a boca, tome uma sopa de feijão com três pregos dentro e descanse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chegando em casa, o efeito das anestesias passaram. A dor era excruciante - não conseguia, sequer, beber água. Minha boca não abria mais do que dois centímetros. Minha língua estava roxa e inchada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pior é que, uma semana depois, tive de voltar lá para tirar os outros dois porque não tinha outro médico segurado na época. Chorei, esperneei, mas não teve jeito, fui. Tomei três Dramins antes a fim de apagar, mas foi o mesmo suplício. Ao final de tudo, saímos correndo do consultório logo depois de passar o cheque, sem olhar para trás e para longe daquele monstro que se auto-proclamava odontologista. Mas, do outro lado do corredor, ainda conseguimos ouvir:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Volte sempre!&lt;br /&gt;- VAI TE LASCAR, MENGELI DESGRAÇADO! - encerrou minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*Nota: Quem foi Josef Mengeli? &gt;&gt;&gt; http://pt.wikipedia.org/wiki/Josef_Mengele &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-5546488609428292434?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/5546488609428292434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=5546488609428292434&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/5546488609428292434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/5546488609428292434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2009/09/doutor-mengeli.html' title='Doutor Mengeli'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-1707546026835527748</id><published>2009-09-10T11:44:00.002-03:00</published><updated>2009-09-10T11:47:33.700-03:00</updated><title type='text'>Homem em corpo de Mulher</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aos 5 anos de idade, formulei uma hipótese baseada em uma terrível desconfiança que brotava em minha cabeça. Desde então, minha vida transformou-se em uma assustadora seqüência de absurdos que comprovavam que a tal hipótese era um fato sólido. Sim, sou um homem em um corpo de mulher.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A hipótese formou-se enquanto estava de castigo, furiosa, após dar uma surra em um colega do jardim de infância que não me deixou brincar de carrinho com ele. Dei um soco de mão fechada, assim como vi em um filme de luta da Sessão da Tarde. A professora ficou horrorizada, ainda que minha mãe morresse de orgulho. E as meninas de verdade a brincarem de bonecas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antigamente, a única coisa que me diferenciava dos outros meninos eram minhas roupas de menininha - minha mãe que comprava - e no momento em que todos escreviam o próprio nome com urina no muro, enquanto eu tinha de me rebaixar e usar o banheiro. Confesso que, particularmente, sempre morri de inveja desse negócio de mijar em pé.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfim, desde sempre, adoro filmes de pancada e sei proferir xingamentos sórdidos com naturalidade. Brinquei mais de pipa, peão e bila do que de Barbie. A maioria dos meus amigos são homens. Adoro uma cerveja gelada, uma conversa de bar, assistir o futebol y otras cositas más. Coisas tipicamente masculinas. Não sei como não gosto de mulher!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez por ser a única mulher em 17 anos de crescimento demográfico na minha família, sempre identifiquei-me mais com os homens e tive mais facilidade de fazer amizade com eles. Tudo com eles é tão simples! Tudo muito honesto. Não há intrigas, disse-me-disse, competições vis, nem nada do gênero. Cumplicidade masculina, sabem? É difícil de mulher entender. De todo modo, sempre fui parte deles e tratada como igual. Até na hora de bater ou apanhar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar disso tudo - e talvez por isso tudo - sou irremediavelmente apaixonada por eles. Não no sentido maldoso da coisa e, sim, de uma maneira colega. Empírica, até. Por favor, que fique entendido que não acredito que os homens sejam mais inteligentes e mais capazes do que as mulheres. Até porque sou fisiologicamente feminina, ué! Adoro cada conquista que as mulheres têm, tiveram e ainda terão! Mas, sério... é tão mais divertido ser homem!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Felizmente para mim e alívio dos meus pais, já tenho o meu próprio homem. Por esse sim, sou maldosamente apaixonada. O problema é que ele está me transformando em uma dondoquinha fresca a cada dia que passa... Acho que ele não gosta mesmo de namorar uma mulher com a cabeça de um homem. Bem heterossexualmente falando, claro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-1707546026835527748?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/1707546026835527748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=1707546026835527748&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/1707546026835527748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/1707546026835527748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2009/09/homem-em-corpo-de-mulher.html' title='Homem em corpo de Mulher'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-7380428489455672568</id><published>2009-09-04T15:38:00.005-03:00</published><updated>2009-09-06T20:52:11.614-03:00</updated><title type='text'>Eu não sei voar!!!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei lidar com frustração. É uma das coisas contra que ainda tenho de lutar muito para evoluir como pessoa, isso é fato. Entretanto, até hoje, irrito-me demasiadamente quando algo me frustra. Mesmo. Claro, diversas coisas já me frustraram ao longo de minha vida. A variedade é grande, passando por comidas, atitudes, amigos, professores, trabalhos etc, embora deva reconhecer que em muitas delas eu tive - ainda tenho - a oportunidade de buscar algum tipo de compensação ou conserto. Todas, menos em uma:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei voar nos meus sonhos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há uns 10 anos já me conformei que não posso voar como o Superman no mundo em que vivemos. Mas não conseguir voar nos sonhos irá me incomodar terrivelmente enquanto não conseguir. Sempre que tento, tenho obrigatoriamente que dar uma carreirinha - tipo a do Mário Bros, lembram? - para encher-me de energia e saltar para o vôo. Consigo voar uns duzentos a trezentos metros, mas sempre eu começo a perder força e vou perdendo altitude, como se meu life ou mana estivessem acabando.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não riam, porque isso me incomoda profundamente!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aqui e acolá, nesses alguns anos de vida onírica, consigo perceber que estava sonhando  ainda enquanto dormia. Aí, dentro do sonho, penso feliz: "Ré! Agora eu vou conseguir voar decentemente! O sonho é MEU, esse mundo tá na MINHA cabeça, então controlo o que EU quiser! Hauahuahauhauhau!!!" [risada histérica].&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pfe! Porra nenhuma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já tive que fugir de ninjas, magos que lutavam dô, ladrões, macacos selvagens, agentes da matrix, mar revolto, meteoros, extra-terrestres, uma revoada de tucanos enlouquecidos, dentre outras bizarrices que só aparecem nos meus sonhos. Resultado: Tenho que correr feito uma desesperada, pular feito o Donkey-Kong (isso eu consigo fazer bem por lá), atirar bolas de energias. Voar que é bom, simples? Nada. O pior, não importa o quanto eu quebre a cara, sempre continuo tentando voar igual ao Superman porque, simplesmente, não lembro que já tentei outras 247 vezes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ontem tentei novamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por favor, quem voar direitinho, fala pra mim, que a gente marca um ponto de encontro e se comunica lá dentro do sonho, que tal? Ou então monta um bizu e coloca aí no &lt;em&gt;comment&lt;/em&gt;. Se não quiser se identificar, manda e-mail, sms, sinal de fumaça! Não quero ir para o túmulo com essa frustração!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por favor, tenham pena de mim!&lt;br /&gt;Não quero ter que correr de uma revoada de tucanos enlouquecidos novamente... É o pior dos pesadelos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-7380428489455672568?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/7380428489455672568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=7380428489455672568&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/7380428489455672568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/7380428489455672568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2009/09/eu-nao-sei-voar.html' title='Eu não sei voar!!!'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-7909370859548402412</id><published>2009-08-26T10:30:00.004-03:00</published><updated>2009-08-26T22:12:43.793-03:00</updated><title type='text'>Aprendizados de uma Lobinha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entre 1991 e 1994, eu e um dos meus irmãos fizemos parte de um grupo de escoteiros-mirins, que se chamavam de lobinhos. Todos os pais que lá inscreviam seus rebentos acreditavam que suas crianças iriam desenvolver senso de dever e cidadania, respeito ao meio-ambiente, liderança, pró-atividade, companheirismo, capacidade de socialização, boa forma física e, acima de tudo, disciplina. Obedecíamos a uma rígida hierarquia, onde até mesmo as atividades de recreação tinham regras e controle. Sairíamos de lá mais educados, inteligentes e ágeis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei se saí de lá essas cocadas todas, mas posso citar algumas lições que aprendi.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;1. O poder das mulheres.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em um grupo de 30 crianças, haviam apenas duas meninas: eu e a Marina, uma menina que estudava no mesmo colégio que eu. No começo, até tentávamos fazer alguma coisa útil, como montar a barraca, fazer fogueira e outras atividades de índio que sempre nos passavam. Acontece que todos os meninos, cheios de más intenções - homem é homem desde a infância -, sempre eram extremamente solícitos e faziam tudo pela gente. Em suma, não fazíamos absolutamente nada. Nada mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;2. Furtividade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma vez por bimestre, havia viagens e acampamentos para interiores próximos, simulando uma selva. Na maioria das vezes era divertido, mas tínhamos a terrível obrigação de comer folha e fazer nossa própria comida. Como eu e meu irmão não comíamos nada que fosse obviamente de origem vegetal e não sabíamos sequer fritar um ovo, meus pais resolveram entrar na administração do grupo de escoteiros para poderem nos acompanhar nas viagens.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse período, no meio da noite, ouvia-se um silvo saindo do meio do mato. Ninguém desconfiava de nada - "deve ser um animal selvagem", especulavam as crianças - mas eu e meu irmão, treinados, saíamos às escondidas das barracas à procura da origem do som. Em vez do animal, encontrávamos mamãe, agachada no meio do mato escuro, com uma garrafa de refrigerante cheia de leite com nescau e um pacote de biscoitos de chocolate. Engolíamos todo o contrabando rapidamente, para, então, voltarmos para as barracas, silenciosamente empanturrados. Nossos líderes simplesmente não entendiam como nós continuávamos em pé sem ter comido absolutamente nada durante o dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;3. Técnicas de teatro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em um desses famigerados acampamentos, tivemos que subir uma serra. Meus pais não quiseram ir - há limites! - e ficaram na fazenda no pé da serra com meu irmão mais novo. Eu e meu outro irmão não tivemos opção. Nossos líderes organizaram as alcatéias e fomos subindo o diabo da serra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nessa época, eu era muito mais franzina e fraca, portanto, a subida era penosa e difícil. Quando já estávamos no quinto final da subida, eu já estava alucinada de cansaço. Queria parar, descansar, deitar, mas não podia. Eu era a Beta da minha alcatéia! Tinha de dar o exemplo! Somente uma desgraça me salvaria daquela subida maldita com a devida honra. Foi quando eu, ativando meus talentos artísticos, "desmaiei".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os adultos ficaram completamente desesperados. Fizeram respiração boca-a-boca pelo meu nariz - graças, pois não queria que meu primeiro beijo fosse com um velho de 25 anos -, água na cara e, finalmente, o que me obrigou a "acordar": álcool no nariz. Meio zonza de verdade, "acordei", fazendo cara de desalento e um tanto mais fraca que o normal. Todo mundo acreditou e fiquei o resto da atividade placidamente deitada em uma sombra, tomando água de coco, enquanto a pivetada se matava nas atividades que eram obrigadas a fazer no topo da serra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para minha satisfação, desci a serra carregada. Meus líderes estavam apavorados com o momento em que teriam que dizer o ocorrido para minha mãe, pois todo mundo já sabia que a mulher era mais valente que um cão sem dono. Mas, sem nenhuma reação violenta, mas com a firmeza de um jacarandá, ela que resolveu tirar os filhos daquela loucura.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Devo ressaltar que ninguém jamais desconfiou da minha encenação. Muitos anos depois, meus pais ficaram um tanto chocados quando dissemos que não aprendemos porra nenhuma nos lobinhos (quase perderam os olhos, arregalados com a história da serra). Mas, depois de muita discussão sobre as lições que teríamos tirado daquela situação toda, minha mãe encerrou a questão com uma frase:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Pelo menos vocês aprenderam a amarrar o cadarço do próprio sapato".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De fato, foi a única coisa útil que aprendi.&lt;br /&gt;Sem mentira nenhuma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-7909370859548402412?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/7909370859548402412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=7909370859548402412&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/7909370859548402412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/7909370859548402412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2009/08/entre-1991-e-1994-eu-e-um-dos-meus.html' title='Aprendizados de uma Lobinha'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-1141134093972079914</id><published>2009-08-18T15:04:00.000-03:00</published><updated>2009-08-18T15:07:07.146-03:00</updated><title type='text'>Uma boa Gororoba!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu adoro uma boa gororoba. Para quem não sabe, trata-se de uma refeição feita de um conjunto de vários alimentos, que podem combinar ou não, ser do mesmo dia ou não, geralmente úmida, feia e com farofa. Adoro!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquele prato com uma massa disforme - você consegue até fazer uma bola! - que se pode separar em pedacinhos para comê-los um a um, sem a menor possibilidade de identificar o que é a sardinha enlatada ou o que é a almôndega ao molho de ontem. Tá, eu sei que, teoricamente, o certo é sentirmos o gosto de todos os alimentos, saboreá-los um a um, blá, blá, blá... Besteira! Ora mais! Se o bom da gororoba é que cada prato tem um gosto diferente, dependendo das proporções das iguarias que se coloca na mistura! Puro improviso gastronômico! Quase arte!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Confesso que quando me encontro em um lugar mais refinado, acompanhada de gente que sabe usar todos os garfos, procuro comer como se deve. Afinal, viver em sociedade é isso: abdicar de seus prazeres incautos em prol da boa educação. Porém, nossa mãe, é tão difícil resistir a fazer a gororoba que acabo ficando meio sem jeito de comer. Fico me martirizando: "Pego o feijão primeiro e o arroz depois? Cortar só um naco da carne e comer com a batata? Oh, meu Deus, qual o gosto eu quero sentir primeiro???"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;TODOS!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Receitinha para quem quiser tentar: arroz com alho, feijão carioca bem cozido e com caldo, ovo frito, farofa de cuzcuz e carne moída. De preferência, que tenha sobrado do almoço de ontem. Jogue tudo em um prato, junte uma colher de chá de margarina e deixe aquecer 50 segundos no microondas. Retire, misture tudo com um garfo, amassando até adquirir uma única coloração amarronzada. Retorne ao microondas e deixe mais 30 segundos. Voilà! Uma perfeita e deliciosa gororoba! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por falar nisso, fiquei com água na boca agora... Vou lá na cozinha ver o que tem para misturar! Renda-se você também!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nossa, como eu adoro uma gororoba! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-1141134093972079914?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/1141134093972079914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=1141134093972079914&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/1141134093972079914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/1141134093972079914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2009/08/uma-boa-gororoba.html' title='Uma boa Gororoba!'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-7347187560336276007</id><published>2009-06-17T13:34:00.000-03:00</published><updated>2009-06-17T13:35:31.704-03:00</updated><title type='text'>Uma Vida de Parábolas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pergunto-me se os grandes sábios aprenderam mais com essa cruel professora que é a vida ou simplesmente eram exímios autodidatas. Particularmente, gosto de acreditar que todo ser deveras sapiente tiveram algumas boas parábolas nas esquinas de sua vida, mais um conto aqui e uma crônica acolá. A diferença deles para nós, meros mortais, é que eles absorveram a moral da história.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fico pensando por quantas parábolas já passei e nem percebi. A moral de cada uma delas soprada no ouvido de minha consciência, pronta para ser aprendida. Acontece que minha mente estava ocupada demais remoendo as próprias penas, para variar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa semana uma pessoa que eu gostava muito faleceu. Ela era uma mulher muito alegre, feliz e de bem com a vida, realmente um exemplo de ser humano. Uma pessoa que viveu intensamente, dedicou-se de corpo e alma a quem ela amava, desenvolveu uma carreira profissional que adorava, era gentil e prestativa. Costumava falar que não lembrava de arrependimentos na vida, pois aquilo tudo que ela passou dela fazia parte. Um dia, quando soube que eu escrevia, comentou que a vida dela daria algumas dezenas de bons contos. Nunca duvidei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu quero isso para mim. Uma vida que possa ser escrita, uma repleta de moral de histórias. Quero viver sem arrependimento e ter certeza de cada passo que eu dou, até mesmo os mais impensados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quero ser uma criação de mim mesma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quero, sim, uma vida de parábolas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-7347187560336276007?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/7347187560336276007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=7347187560336276007&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/7347187560336276007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/7347187560336276007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2009/06/uma-vida-de-parabolas.html' title='Uma Vida de Parábolas'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-6084271080253994571</id><published>2009-04-29T14:03:00.002-03:00</published><updated>2009-04-29T19:12:51.159-03:00</updated><title type='text'>Maldito Telefone Sem Fio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É incrível o quanto uma informação pode ser deturpada. Minha família, várias vezes, passou por situações desagradáveis devido a histórias que receberam uma boa dose de exagero.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fato Real #1: Quando eu ainda nem sonhava em nascer, minha mãe sofreu um acidente nas Lojas Americanas. Enquanto ela trabalhava na &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;seção&lt;/span&gt; de perfumes, uma cliente escorregou no piso molhado e sustentou-se nela, que desequilibrou-se sobre as prateleiras. Um dos vidros de perfume quebrou e perfurou a batata de sua perna, abrindo um enorme buraco na mesma e sangrando bastante. Obviamente, mamãe foi levada para o hospital, onde fora submetida a uma operação de enxerto, pois o ferimento havia sido bastante profundo, muito embora não houvesse risco de vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como a notícia foi dada pela minha tia ao namorado de minha mãe, vulgo meu pai:&lt;br /&gt;"&lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Álvaro&lt;/span&gt; de Deus, corre, que é sério!!! A &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Fatinha&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;tava&lt;/span&gt; andando lá na Senador Pompeu quando um caminhão CHEIO de vidro VIROU em cima dela!!! Ela tá no hospital agora em estado grave, fazendo um transplante de coração! Ela perdeu muito sangue, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;tô&lt;/span&gt; indo lá pra doar, mas o sangue dela é A negativo e o meu é B, será que serve???"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fato Real #2:&lt;br /&gt;Meu irmão mais novo, aos 10 anos, pisou em cima do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;cadarço&lt;/span&gt; do próprio &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;tênis&lt;/span&gt; enquanto estava saindo de um brinquedo em um parque de diversões, caindo na escada e ferindo a boca. Sangrou consideravelmente, já que a boca é bastante &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;vascularizada&lt;/span&gt;, mas, no final das contas, foi um corte pequeno. O serviço médico do próprio parque tratou do ferimento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como a notícia foi dada a minha mãe:&lt;br /&gt;"Alô, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Fatinha&lt;/span&gt;? Mulher, a menina que trabalha aqui disse que ligaram do parque onde os meninos estavam... Fica calma, tá? Ligaram pra dizer que o Vicente ficou PENDURADO pelo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;cadarço&lt;/span&gt; do sapato em um daqueles brinquedos... não lembro o nome... acho que era aquele Ranger, que fica de cabeça pra baixo e ele CAIU!!! Ai, meu Deus, mulher, vamos correr lá, diz que foi tanto sangue, minha nossa senhora, crê em Deus Pai! Será que levaram ele pro &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;IJF&lt;/span&gt;???"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fato Real #3&lt;br /&gt;Meu irmão do meio, aos 16 anos, teve uma úlcera hemorrágica e vomitou sangue em casa. Ele estava desfalecendo e foi bastante grave, desesperando todos da casa, mobilizados em carregá-lo para o carro e levá-lo ao hospital. Como ele estava muito mal, todo mundo, inclusive eu, estava chorando, tamanha a gravidade da situação. A correria chamou atenção das pessoas na rua, que nos viram carregando meu irmão para o carro. Após meus pais saírem apressados com ele para o hospital, fechei o portão de casa e fiquei esperando ligação de notícia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dia seguinte, uma prima liga para mim:&lt;br /&gt;"&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Michelle&lt;/span&gt;, o Neto tá bem? Fiquei sabendo que ele foi pro hospital... Criatura, e você, como tá? Fiquei &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;mooorta&lt;/span&gt; de preocupada contigo também! Me disseram que tu ficou tão desesperada com o ocorrido que saiu correndo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;desembestada&lt;/span&gt; rua abaixo, gritando e puxando os cabelos, só de camisola, suja com o sangue dele... foi verdade??? Mulher, isso parece coisa de espírito ruim, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;né&lt;/span&gt;, eu conheço uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;benzadeira&lt;/span&gt; ex-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;ce&lt;/span&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;len&lt;/span&gt;-te, deixa te dar o número."&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Hoje em dia, posso dizer: &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Ceticismo&lt;/span&gt;, teu nome é família Sobreira.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-6084271080253994571?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/6084271080253994571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=6084271080253994571&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/6084271080253994571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/6084271080253994571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2009/04/maldito-telefone-sem-fio.html' title='Maldito Telefone Sem Fio'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-2373762955009406091</id><published>2009-04-28T13:41:00.004-03:00</published><updated>2009-04-28T23:27:14.011-03:00</updated><title type='text'>O Ônibus Mágico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fazia tempo em que nada de bizarro acontecia comigo. As viagens de ônibus estavam calmas e comuns, as pessoas com quem eu cruzava eram mundanas e fadigadas, sem esquecer de mencionar as ruas cinzas e absurdamente previsíveis. Um completo tédio. Para mim, toda essa falta de estranheza era estranha demais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já estava eu começando a sentir-me esquecida pelo Universo, como se não tivesse mais o direito de ver o invisível, como se eu agora fosse uma pessoa comum. Tá, soou meio - ou muito! - prepotente, mas é a verdade. Mas será que o problema era mesmo comigo? Fui tomada pela banalidade do mundo e meus olhos tornaram-se incapazes de enxergar o onírico? Estarei eu cega, meu deus? Por que raios...?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha situação piorou quando percebi que não só passei a achar todo o mundo desinteressante como também as memórias em minha mente não eram mais tão engraçadas como eu sempre achei que eram. Tudo muito normal, irritantemente normal! Que droga!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu precisava de ajuda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi quando eu peguei o ônibus Av. Santos Dumont.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O ponto estava lotado. Passavam vários ônibus e nenhum deles era um que servia ao meu destino. Depois de mais de meia hora de espera e resignada impaciência - se é que tal coisa existe -, eis que vislumbro o ônibus vindo ao longe. Logo após o alívio, tratei de preparar-me psicologicamente, pois ele certamente viria lotado e metade daquelas pessoas que esperavam comigo também deviam estar esperando por ele. O ônibus pára.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Surpresa, o ônibus estava vazio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Espanto, apenas eu entro no ônibus.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com a sobrancelha esquerda erguida, subo os degraus que estavam limpos demais para uma condução. Ônibus novo? Imediatamente percebo que, sentados dentro do ônibus, haviam apenas quatro pessoas além de mim. Passo a catraca e sento-me, pondo-me a observar com curiosidade meus colegas de condução.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O motorista era homem de seus trinta e poucos anos, com um bigodinho fininho e seboso rente ao lábio superior, magro de pele parda, óculos escuros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O trocador era rapaz de seus vinte e poucos anos, possuía uma das pernas atrofiadas e o rosto marcado por espinhas. Olhar perdido e sonolento. Acredito deu meu troco dormindo, embora seus olhos estivessem abertos e o dinheiro contado certo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Havia também uma adolescente dessas metidas a moderninha, com vestimentas axadrezadas, montando um look gótico com sua maquiagem roxa e lábios vermelhos. Tinha fones de um ipod vermelho socados nos ouvidos e balançava as pernas com o que julguei ser o ritmo da música.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mais normal de todos era um homem, pra lá dos quarenta, olhos fechados. Julgaria que estivesse dormindo, não fosse pelas mãos que se mexiam de vez em quando, conferindo o bolso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando voltei minha atenção para o trajeto do ônibus, reparei que todos os sinais pelos quais passávamos estavam verdes. Ou abriam quando o ônibus se aproximava. Para aumentar meu nível de excitamento, ninguém dava sinal para descer ou alguém do lado de fora pedia para o ônibus parar. O ônibus seguia incólume, veloz, pelas ruas com trânsito fraco demais para aquele horário. Será possível que seria tudo uma grande coincidência?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha cabeça já estava a mil, pensando absurdos tamanhos que somente meu cérebro infame poderia conjecturar, quando, finalmente, o ônibus freia. Uma senhora fez sinal para o ônibus, o que me fez murchar totalmente com minha própria insanidade, como se levasse um tapa do mundo real.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Frustrada, observei a velha entrar pela porta de descida, como todos os idosos faziam. Foi quando minha mente quase espocou e segurei um grito de satisfação quando a mulher olhou para mim. Pessoas, eu juro. Ela era horripilantemente caolha. Não era apenas cega de um olho... Ela NÃO TINHA um olho. Ao lado do buraco enorme na face esquerda, o outro olho perscrutava, muito arregalado, todo o interior do ônibus, deixando óbvio o azul claríssimo e perturbador de sua íris. Os outros passageiros sequer pareceram perceber que havia mais alguém no ônibus.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O motorista continuou seu caminho, só parando novamente quando eu mesma - muito a contragosto - apertei a campainha para descer. Eufórica, e um tanto lisonjeada por ter sido escolhida para andar naquele ônibus, levantei-me e dirigi-me à porta. Nesta hora, senti uma mão gelada no meu pulso e fui surpreendida pelo olhar penetrante da velha caolha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tenha um bom dia, minha filha.&lt;br /&gt;- Para a senhora também.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sorrimos uma para outra e desci do ônibus, esperando, um dia, pegar essa condução mais uma vez na minha vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-2373762955009406091?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/2373762955009406091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=2373762955009406091&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2373762955009406091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2373762955009406091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2009/04/abrindo-os-olhos-novamente.html' title='O Ônibus Mágico'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-8056742139807936483</id><published>2009-02-16T13:24:00.000-03:00</published><updated>2009-02-16T13:26:00.219-03:00</updated><title type='text'>As Donas de Casa do Pirambu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Elas não são ricas. Não tem acesso à tratamentos cosméticos de primeira linha, cabelereiros de estrelas, jóias verdadeiras, roupas de grife ou &lt;em&gt;personal stylist&lt;/em&gt;. Não se enquadram nos padrões de beleza que a televisão propaga diariamente, muito pelo contrário. Apesar de tudo isso, de todas essas cruéis desvantagens, elas têm algo que a maioria das mulheres não conseguem manter: uma auto-estima inabalável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conheçam, pois, as donas de casa do Pirambu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Elas andam pelas ruas sem o menor pudor de exibirem uma barriga mais que saliente em roupas justíssimas, mesmo que apareça a cicatriz de uma cesariana mal feita. Desfilam com firmeza, deixando um rastro de água de colônia e Neutrox, sorrindo faceiras para os homens que as olham com curiosidade. Compram shorts mínimos, para ressaltar seus melhores - e maiores - contornos, assim como as mulheres-fruta, suas inspirações. E isso tudo sem perder de vista os sete filhos remelentos que jogam futebol no asfalto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acham-se lindas, maravilhosas, poderosas - e por quê não?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todas as mulheres deveriam ser assim. Eu deveria ser assim. Impressiono-me sempre em como nós mulheres conseguimos acumular tanta insatisfação consigo mesmas - e refiro-me não apenas ao físico - a ponto de esquecer nossos pontos fortes. Será que sempre precisaremos de que um homem nos lembre que somos belas, que podemos ser belas? Até eles cansarão um dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, como viver é sempre aprender, vamos nos esforçar para cultivarmos pelo menos um pouquinho a auto-estima das donas de casa do Pirambu, mulherada!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro, sem a parte dos micro-shorts, das banhas expostas, do cheiro de Neutrox e de outras cositas pra lá de bregas, né?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-8056742139807936483?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/8056742139807936483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=8056742139807936483&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/8056742139807936483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/8056742139807936483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2009/02/as-donas-de-casa-do-pirambu.html' title='As Donas de Casa do Pirambu'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-3679293528144014246</id><published>2008-11-19T14:53:00.001-03:00</published><updated>2008-11-19T14:56:17.520-03:00</updated><title type='text'>O Homicídio do Periquito e do Peba</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Amanhecia na casa de Cícero do Carmo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como fazia desde pequeno, Cícero acordou muito cedo - cerca de quatro e meia da manhã - para começar seu ritual matinal: puxar água da velha bomba, pegar ovos no galinheiro, dar alpiste ao periquito, jogar a lavagem de ontem para os porcos e alimentar o seu querido peba. Esperaria até as cinco horas, como sempre, para acordar a esposa e os quatorze filhos que dormiam placidamente, naquela manhã igual a todas as outras. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pegou o balde e dirigiu-se ao quintal, acompanhado por Pirata, sua velha cadela, buchuda talvez pela décida quinta vez. Mas uma coisa Cícero do Carmo não esperava. Aquela manhã não seria igual a todas as outras para ele. Um duplo homicídio ocorrera no calar da noite. Dois corpos jaziam inertes no chão do quintal. De um lado, mutilado debaixo de sua gaiola, estava o periquito que pertencia à uma de suas filhas. De outro lado, o primo nordestino do tatu, de cabeça para baixo como uma barata morta, com seu casco rachado e destruído. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um alvoroço fez Cícero do Carmo. Agoniado e enraivecido, acordou à casa inteira aos gritos, exigindo saber quem foi o autor daquela barbárie. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma investigação foi instaurada. A cena do crime começou a ser analisada com afinco, principalmente por um dos filhos de Cícero, que tinha especial apego aos animais. Foi ele quem chamou a atenção do pai para uma mancha de sangue em uma das paredes do quintal, diametralmente oposta ao corpo do peba assassinado. Havia rachaduras no centro da mancha, indicando impacto. Primeira evidência: o ferimento no casco do defundo combinava exatamente com o sangue na parede, revelando que o animal fora atirado brutalmente contra a mesma. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;D. Delmira, esposa de Cícero do Carmo, quis sair do quintal alegando que aquela movimentação a perturbava, mas foi impedida com veemência por seu filho CSI - todos eram ali eram suspeitos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segunda evidência: a boca do tatu nordestino estava repleta de penas, da mesma cor do periquito destroçado, indicando que a última ação do peba foi devorar o periquito. Com mais esta informação, uma das filhas de Cícero do Carmo se empertigou, o que não passou desapercebido pelo jovem CSI. Quando questionada sobre sua reação suspeita, a menina pôs-se a chorar descontroladamente, confessando que esquecera de trancar a gaiola do periquito depois de trocar sua água, noite passada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um sorriso surgiu nos lábios do aprendiz de investigador. Sim! Descobrira o culpado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entretanto, todo seu momento de glória fora apagado, pois o assassino revelou-se subitamente, voando com rapidez na garganta da garota que deixara a gaiola aberta. A pequena Fatinha, dona do periquito - e cruel assassina do peba - agrediu a irmã à socos e mordidas, demonstrando toda a fúria da qual o pobre peba fora vítima.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A garota homicida foi imobilizada por seu pai, que, devastado, perguntava o porquê de tão abominável ato contra uma criatura irracional, que seguira apenas seus instintos. Sem ter uma resposta, Cícero do Carmo continuou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Minha filha... Praticar esse tipo de ato traz consequências. Você não pode descontar sua raiva com esse nível de violência, pois você acaba recebendo um castigo que pode ser tão ruim quanto o mal que você praticou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de um minuto de silêncio, a garota olha friamente nos olhos de seu pai e, abrindo um belo sorriso, diz:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- E por acaso estou no inferno agora?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E Cícero do Carmo não dormiu por três dias.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-3679293528144014246?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/3679293528144014246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=3679293528144014246&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/3679293528144014246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/3679293528144014246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/11/o-homicdio-do-periquito-e-do-peba.html' title='O Homicídio do Periquito e do Peba'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-475022512081734794</id><published>2008-09-12T09:14:00.000-03:00</published><updated>2008-09-12T09:16:07.362-03:00</updated><title type='text'>Aprendi na Porrada: Ursinho Pimpão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando tinha apenas 2 anos de idade e meu irmão do meio apenas 1 ano, minha mãe era escrava das Lojas Americanas e meu pai professor de escola Pública em Paracuru. Precisavam muito do dinheiro para sustentar os dois filhos (nem imaginavam que ainda vinha um terceiro), sendo somente isso que justificava o fato de praticamente não nos verem. Eu e meu irmão ficávamos aos cuidados de algumas tias nossas e uma babá, que tratavam-nos como bibelôs de gesso. Resultado: extremamente mimados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meus pais chegavam em casa à noite e faziam questão de nos alimentar e cantar para que dormíssemos, pois eram os únicos momentos em que interagíamos. Meu pai sempre cantava a música Ursinho Pimpão da Simoni nesses momentos, de modo que fiquei muito acostumada com a canção. Já meu irmão estava nem aí pra ursinho nenhum, era só uma máquina viva de comer e dormir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois que minha mãe abandonou as Americanas porque viu a babá estrangulando meu irmão (ela deu uma surra na mulher, outro dia eu conto), viu o quanto os filhos - eu, principalmente - estávamos terrivelmente mimados. Meu pai chegava cansado, mas eu só comia se ele tocasse Ursinho Pimpão. Só tomava banho se ele tocasse Ursinho Pimpão. Só dormia se ele tocasse Ursinho Pimpão. E tinha que ser no violão. Caso o pobre homem recusasse, tome duas horas de choro para aprender a não me contrariar! Começou porque quis, ora bolas!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mamãe, já de saco cheio da história, uma noite disse ao meu pai:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Tu não vai tocar Ursinho Pimpão hoje.&lt;br /&gt;- Porquê? - indagou o marido, com o violão na mão.&lt;br /&gt;- Essa menina tem que parar com isso.&lt;br /&gt;- Eu sei, mas ela vai começar a chorar e tô cansadão... Bóra fazer o que ela quer.&lt;br /&gt;- Me dá esse violão! - disse a mulher, tomando o instrumento - Essa menina não vai ouvir porcaria de urso nenhum hoje! Ela tem que aprender!!!&lt;br /&gt;- (suspiro)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como de praxe, ao ver que não rolava a canção, abri o berreiro. Mami só pegou minha mão de palma pra cima e meteu a lenhada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vai comer sem música!!!!&lt;br /&gt;- BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!!!&lt;br /&gt;- CALA A BOCA!!!&lt;br /&gt;- ...snif...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois que eu comi tudo bonitinho, sem fazer barulho, minha mãe - meio arrependida de ter me dado uma mãozada - me abraçou e disse:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Viu, Chellinha? Você não precisa ouvir Ursinho Pimpão pra comer.&lt;br /&gt;Pequena Chell assente com a cabeça.&lt;br /&gt;- Ô menina linda!!! Dá um abraço na mãezinha!&lt;br /&gt;Pequena Chell abraça.&lt;br /&gt;- Vem dormir que amanhã a gente vai pra praia! Êêêêê!!!!&lt;br /&gt;Pequena Chell bate palmas.&lt;br /&gt;Então, depois de fazer as pazes com minha mãe, deitei para dormir, não sem antes dizer:&lt;br /&gt;- Mãezinha...?&lt;br /&gt;- Oi, filha?&lt;br /&gt;- Num peciso do urshinho Pimpão pá cumê, mas pá durmir eu peciso, viu?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não preciso dizer o que aconteceu depois.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-475022512081734794?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/475022512081734794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=475022512081734794&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/475022512081734794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/475022512081734794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/09/aprendi-na-porrada-ursinho-pimpo.html' title='Aprendi na Porrada: Ursinho Pimpão'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-656599795752365485</id><published>2008-08-22T16:37:00.001-03:00</published><updated>2008-08-22T16:39:10.582-03:00</updated><title type='text'>Frango Lee</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na casa de meu avô materno, foi criada toda sorte de animais. Cada um dos nove filhos de Expedito criou algum tipo de bicho, seja ele comum ou não. Cachorros, periquitos, patos, lagartos, cabritos, calangos, porcos e até mesmo um peba (primo nordestino do tatu) estão incluídos nos bichinhos de estimação que a família Do Carmo possuiu em vários anos.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Um dos bichos que mais marcou a infância dos irmãos do Carmo foi um galo de briga que pertenceu a um dos irmãos mais novos de mamãe. O animal foi um presente de meu avô para acalmar o filho, que andava muito afoito para se parecer cada vez mais com o grande astro da época: Bruce Lee. O garoto estava totalmente alucinado por artes marciais, ensaindo golpes, chutes e gritos horrendos. Então um galo de briga foi o presente perfeito. E que outro nome teria o galo, se não Frango Lee?&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Frango Lee era a sensação da rua. Todos os moleques iam na casa de meu avô para contemplar o bonito e valente galo dar uma lição nos gatos que a meninada jogava em cima dele. Meu tio promovia apostas de quem conseguia segurar Frango Lee (que era orgulhoso e só deixava o dono encostar nele) ou se existia algum animal que seria páreo para o fabuloso galo. Pouco importavam as reclamações de minha avó sobre a gritaria sem fim no jardim, pois meu tio era só orgulho.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Frango Lee era o melhor.&lt;br /&gt;Frango Lee arrebentava.&lt;br /&gt;Todas as galinhas só queriam o Frango Lee.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Um belo dia, meu tio chegou do colégio e, como de praxe, foi logo ver seu amado galináceo. Procurou e procurou no quintal, sem encontrá-lo em lugar nenhum. Perguntou para os vizinhos, mas ninguém sabia o paradeiro do bicho. Já preocupado, entrou no quarto de minha mãe, perguntando "onde está o Frango Lee?". Como resposta, obteve um olhar de indagação. Desesperou-se.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;- Cadê o Frango Lee? Cadê o meu galo? Pai, cadê ele? Porque ninguém me diz??? FRANGO LEE!!!&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Minha avó, impassível, disse:&lt;br /&gt;- Francisco, vem almoçar. Depois você procura o diabo desse galo.&lt;br /&gt;- Mas... - o olhar do garoto era só confusão.&lt;br /&gt;- Come. Hoje é galinha.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Seu sangue congelou. Ao olhar para o prato, viu seu pior pesadelo: um ensopado de frango. Ainda estático, viu debaixo da mesa da cozinha duas penas azuis. Penas do Frango Lee.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;- A SENHORA MATOU O FRANGO LEEEE!!!!!!!&lt;br /&gt;- Tá doido, menino! Com tanta galinha aí, porque eu ia matar teu galo??&lt;br /&gt;- F-Frango Lee...&lt;br /&gt;- COME LOGO!!!&lt;br /&gt;Sendo obrigado pela própria mãe, ele comeu, aos prantos.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Meu avô gritou e gritou com a esposa, que jurou de pé junto que não tinha matado o galo. Depois de um tempo, o homem chegou à conclusão de que não havia mais nada que pudesse fazer, até porque ele queria acreditar que não era casado com um monstro. Titio ainda procurou pelo frango por vários dias, mas, sem sucesso, desistiu. Continuou sua vida e tentou esquecer Frango Lee.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Até hoje, ele não gosta de falar do assunto, pois as lembranças sempre vêm com uma terrível sensação: a de ter comido um ensopado do seu amado Frango Lee.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-656599795752365485?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/656599795752365485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=656599795752365485&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/656599795752365485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/656599795752365485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/08/frango-lee.html' title='Frango Lee'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-7878299924295015658</id><published>2008-08-20T14:40:00.002-03:00</published><updated>2008-08-20T16:19:39.210-03:00</updated><title type='text'>Apreço pela Antipatia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Grossa, antipática e anti-social. Incontáveis foram as vezes em que fui classificada desta forma por meus próprios amigos. No entanto, aceito todos esses insultos com calculada fineza e resignação, pois todos são - infelizmente ou não - a mais pura verdade.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Acredito que três fatores foram determinantes para a formação de minha antipatia: a carinhosa brutalidade de meus pais, minha infância entre meninos de rua no Pirambu e talento nato. O mais engraçado é que me orgulho bastante dos três fatores, que, teoricamente, deveria odiar.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Por favor, não me entendam mal, mas simplesmente não suporto forçar sorrisos. Para que raios eu vou me esforçar para ser simpática com pessoas que não conheço e que não irão acrescentar em nada à minha vida? Não sou uma pessoa do povo, posso dizer com certeza. Nunca seria eleita se resolvesse me candidatar à vereadora, ao contrário de vários amigos meus. Nunca seria uma professora, pois o apagador voaria direto na testa do primeiro aluno que desafiasse minha ira.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Na verdade, sempre tive uma queda para a esquisitice, que deve andar lado a lado com minha relutância à socialização. Minha alma é terrivelmente insólita. Sempre gostei de coisas exóticas. Tenho vergonha de coisas nada a ver, mas não vejo problema em gritar tosqueiras na rua. Falo coisas diferentes, penso como uma louca e acho fofo ganhar uma lata de leite Ninho 6+ no dia dos namorados. É justo afirmar que não consegui sair incólume à todas minhas manifestações gratuitas de cruel indiferença, no entanto, quem disse que me importo? Há quem julgue que isso não é normal, mas definitivamente não vou adentrar nesse âmbito.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Adoro ser bruta, principalmente porque me dá a liberdade de ser carrancuda quando quero ou preciso ser. Já tentaram me justificar como sendo uma pessoa mais observadora que o normal, mas não... Não é o caso. Talvez tente amenizar um pouco a feição natural de nojo que carrego por aí, pois ela, de vez em quando, assusta até a mim.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Reli o texto agora e vi que ficou com cara de desabafo, o que não era minha intenção. Publicarei mesmo assim.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Afinal, no mínimo, servirá de aviso.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Cuidado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-7878299924295015658?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/7878299924295015658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=7878299924295015658&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/7878299924295015658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/7878299924295015658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/08/apreo-pela-antipatia.html' title='Apreço pela Antipatia'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-4902729736172381068</id><published>2008-08-05T17:47:00.002-03:00</published><updated>2008-08-05T22:03:03.045-03:00</updated><title type='text'>Amor entre Joana e João.</title><content type='html'>.&lt;br /&gt;Joana amava João.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amava tanto, mas tanto,&lt;br /&gt;que não podia vê-lo com outra mulher.&lt;br /&gt;Joana adorava tanto João, mas tanto,&lt;br /&gt;que não podia vê-lo sorrir.&lt;br /&gt;Se não fosse para ela.&lt;br /&gt;Joana gostava tanto de João,&lt;br /&gt;que chorava rios se ele deixasse de encontrá-la.&lt;br /&gt;Até para visitar a própria mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joana era tão apaixonada por João,&lt;br /&gt;que queria que ele ficasse sempre ao lado dela,&lt;br /&gt;respirasse o mesmo ar que ela,&lt;br /&gt;andasse no mesmo ritmo que ela,&lt;br /&gt;fizesse todas as coisas para ela,&lt;br /&gt;morresse de amores por ela.&lt;br /&gt;A amor de Joana era tal,&lt;br /&gt;que sua razão era sombra.&lt;br /&gt;A paixão de Joana era tal,&lt;br /&gt;que sua razão era fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tem gente que sabe:&lt;br /&gt;João amava tanto Joana, mas tanto,&lt;br /&gt;que deu a maior prova de seu amor.&lt;br /&gt;Joana não entendeu;&lt;br /&gt;ele a trocou por Ana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-4902729736172381068?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/4902729736172381068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=4902729736172381068&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4902729736172381068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4902729736172381068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/08/amor-entre-joana-e-joo.html' title='Amor entre Joana e João.'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-2233049856327571577</id><published>2008-08-04T12:20:00.002-03:00</published><updated>2008-08-04T12:24:32.396-03:00</updated><title type='text'>Porta-malas e meu Pai: Uma parceria de risco</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Toda minha família já sofreu algum tipo de acidente envolvendo o maleiro do carro. Cada um de nós já saiu machucado de alguma forma, por vezes sangrando, da traseira do carro, independente do modelo. Essa regra só não se aplica a meu pai, simplesmente porque foi ele o causador de todos os males.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Eu, por exemplo. Aos 3 anos de idade, tive a cabeça acertada pela porta do bagageiro do ônibus no qual viajaríamos - não tínhamos carro na época - indo ao chão desfalecida. Todos ao redor olharam estarrecidos para meu pai, que só entendeu que tinha me acertado quando ia pisando em cima de mim, no chão da rodoviária.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Alguns anos depois, meu irmão do meio, sempre curioso, observava o pai colocar as malas dentro do primeiro carro da família, um Passat cinza, ano 85. Tome portada na testa também. O garoto não desmaiou, mas abriu um berreiro tão grande que minha mãe achou que o marido estava espancando a criança. O pobre homem, sentindo-se mal, levou a filharada para tomar sorvete, sendo um especial duplo para o filho atingido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ano de 1990. Meus pais foram às compras no falido Romcy, enquanto os filhos aguardavam em casa as guloseimas que eles sempre traziam quando saíam. Quando chegaram foi aquela festa para descarregar o carro, com as crianças olhando ávidas para as sacolas de plástico. Mamãe, encostada no carro, achava graça na bagunça toda e nem percebeu que seu marido ia bater a porta do carro. O grito da mulher ecoou terrivelmente por todo Pirambu quando seus dedos ficaram presos no porta-malas. Acho que meu pai dormiu na rede nesse dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu irmão mais novo tinha 10 anos de idade quando teve de ir ao hospital levar oito pontos na testa. Não preciso explicar o porquê.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Devido todos nós termos especial cuidado quando o chefe de nossa família vai fechar qualquer porta-malas, há muitos anos não há acidentes do gênero. Para variar, uma vez ele ia esmagando meu irmão com o carro, pois esqueceu da existência do retrovisor e deu ré achando que o filho já tinha aberto o portão de casa. Lembro também de uma história que ele atropelou a própria mãe no primeiro dia de carteira. Também houve a vez em que ele acertou o retrovisor no cotovelo de uma mulher na rua...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não, espere. Esse do retrovisor fui eu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-2233049856327571577?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/2233049856327571577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=2233049856327571577&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2233049856327571577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2233049856327571577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/08/porta-malas-e-meu-pai-uma-parceria-de.html' title='Porta-malas e meu Pai: Uma parceria de risco'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-4775351940200913826</id><published>2008-07-29T11:35:00.005-03:00</published><updated>2008-07-29T18:59:07.531-03:00</updated><title type='text'>Superação em Duas Patas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há alguns anos, um dos principais passatempos enquanto andava de ônibus era contar quantos cachorros eu via na rua. Na época, haviam muitos deles, que estavam se reproduzindo como coelhos. Eram tantos, que chegava ao cúmulo de, em uma viagem Pirambu-Centro, contar mais de quarenta deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um desses dias, vi algo, no mínimo, peculiar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma cadela no cio corria feito louca, fugindo de uma matilha de cães sequiosos e cheios de amor para dar. Obviamente, o primeiro que chegasse à fêmea teria vantagens sobre ela em detrimento aos outros, fazendo com que a correria fosse verdadeiramente desvairada. Foi quando, surgindo da orda de animais afoitos, emergiu um certo cachorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era menor que a maioria, mas corria mais depressa que qualquer um. Seu pêlo era de um amarelo desbotado, tinha a língua pendurada para o lado, olhos esbugalhados e felizes, de quem sabe que vai conseguir o que quer. Mas o que me chamou a atenção não foi somente a determinação e velocidade do cachorro. O que me fez colocar a cabeça para fora da janela para observar melhor era o fato desse bicho andar de cadeira de rodas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cão tinha as patas traseiras amputadas, mas alguém havia feito uma cadeirinha de madeira para ele, com rodas de algum skate velho. Fiquei absolutamente fascinada com o fato do bicho superar suas limitações com uma simplicidade desconcertante. Ele adaptou-se à cadeirinha de uma forma que não havia concorrente no mundo que conseguisse ultrapassá-lo. Ele era realmente um cão feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando durante muito tempo o quanto deixamos que nossas limitações nos afetem. Depois fiquei pensando no porque de nunca ter conjecturado sobre isso quando vi uma pessoa de cadeira de rodas. Cheguei à conclusão que a racionalidade nos faz pensar demais no que não conseguiremos fazer em vez de no que deveríamos fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei sobre isso muitos dias depois daquele. Torci muito para que o cãozinho tenha conseguido seu objetivo. Mas como minha mente sempre tem que viajar em coisas sem sentido, comecei a me questionar em como diabos ele conseguiria cruzar com a cadela fujona. Sério, como? O_o&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não tenho jeito mesmo. -_-&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-4775351940200913826?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/4775351940200913826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=4775351940200913826&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4775351940200913826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4775351940200913826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/07/superao-em-duas-patas.html' title='Superação em Duas Patas'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-3988247473075430104</id><published>2008-07-10T11:54:00.001-03:00</published><updated>2008-07-10T11:58:32.671-03:00</updated><title type='text'>Pobre Diana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Dentro de Diana havia uma outra pessoa morando e ela não sabia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;De vez em quando sentia algo diferente, que não era seu, mas jamais iria desconfiar que havia alguém vivendo nela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Quando achava que estava tudo bem, de repente, após tomar uma xícara de leite ou colocar de volta um livro na estante, a visão turvava e Diana era tomada por pensamentos que não sabia de onde vinham. Novas percepções surgiam - e emoções também - a fazendo ponderar sobre tudo que existia em sua vida. Era isso mesmo que queria?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Pobre Diana, julgou que era uma epifania, mas era apenas alguém vivendo dentro dela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Várias mudanças na vida Diana fez: vendeu a casa, pagou as dívidas, largou o namorado e deixou-se ser levada pelo vento. Mas ela ainda não estava satisfeita. Havia uma outra pessoa dentro dela, de vontades contrárias, de vontades mais fortes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Amigos foram magoados, o grande amor esquecido, sua vida de cabeça para baixo e porquê? Tudo porque havia alguém dentro dela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Quando finalmente Diana começou a perceber, era quase tarde demais. Ela já havia se tornado essa outra pessoa, e a própria Diana passou a viver dentro dela. De arrependimento, a moça chorou, chorou e chorou, pois não conseguia voltar a sair da outra pessoa, maldita que tomara seu corpo. Deixou-se enganar por si mesma, deixou-se levar por impulsos, deixou-se afundar em pensamentos sórdidos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Pobre Diana, quando terminou de perceber, era já tarde demais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Tudo porque não viu, não sentiu, não ouviu, que a outra pessoa era a mesma e pobre Diana.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-3988247473075430104?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/3988247473075430104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=3988247473075430104&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/3988247473075430104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/3988247473075430104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/07/pobre-diana.html' title='Pobre Diana'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-5403984840848309069</id><published>2008-06-09T22:18:00.002-03:00</published><updated>2008-06-09T22:25:09.038-03:00</updated><title type='text'>Enceradeirofobia</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Morro de medo de enceradeiras ligadas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Sério. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Sabe aquelas máquinas barulhentas, que são usadas para deixar o piso brilhando? Pois é... Elas são absolutamente assustadoras para mim. Mas não me entendam mal, não é qualquer enceradeira... tenho medo só das ligadas. E a culpa é exclusivamente da minha mãe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;É impressionante como as mães têm a fabulosa capacidade de fazerem os filhos desenvolverem os mais patéticos traumas. Porque diabos elas insistem em ameaçar suas crias com bichos-papões, cucas, bois-da-cara-preta, bruxas e toda sorte de seres malignos? De onde elas tiraram que é mais fácil dormir pensando que, a qualquer momento, pode vir uma criatura das trevas que puxará seu pé eternamente por todos os círculos do inferno?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Vai saber!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;O pior é que nunca tive medo desses bichos. Ela ameaçava e ameaçava, mas nunca acreditei que tais seres existissem, nem quando era bem pequenininha. Ela nunca conseguiu me enganar. A não ser com as enceradeiras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Quando ela pegava o aparelho, logo nos chamava:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;- Crianças, venham aqui! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Quando aparecíamos, ela dizia, assumindo uma voz tenebrosa:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;- Escutem. Se quando ela estiver ligada vocês estiverem pisando no chão, ela dá um choque MORTAL em vocês!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Ficávamos parados, assentindo com a cabeça, mas ela continuava:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;-  E se vocês levarem esse choque, é capaz da cabeça de vocês EX-PLO-DI-REM!!! BUUUM!!! Vocês não querem isso, né?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Devidamente apavorados, ficávamos em cima do sofá ou em cadeiras quando a máquina era ligada, esperando pacientemente ela terminar o trabalho. Satisfeita, mamãe continuava  o serviço sem três pestes perturbando o juízo dela. E quando um de nós, sem querer, pisávamos no chão, ela gritava quase histérica:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;- OLHA O CHOQUE!!!!!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Assustados, pulávamos de volta extremamente aliviados por não termos nossas cabeças explodidas pela famigerada enceradeira ligada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Todo mundo tem um trauma despertado pela mãe. Se você tem medo de escuro, de criaturas debaixo da cama, de fantasmas... não se deprima, isso é bobagem.  Pense em mim, que tem medo de um aparelho doméstico!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;O pior é que o medo de ter a cabeça espocada começou a dar margem para outro grande receio com relação à essas máquinas. Com o tempo, desenvolvi um medo irracional de ter o pé devorado pelas cerdas giratórias mortais das enceradeiras... Não sei porque sempre imaginei que dentro das cerdas, aparentemente macias, tinham dentes de metal afiadíssimos, capaz de triturarem meus pés em questão de segundos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;Ou será que foi mamãe que me disse isso? O_o&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-5403984840848309069?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/5403984840848309069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=5403984840848309069&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/5403984840848309069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/5403984840848309069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/06/enceradeirofobia.html' title='Enceradeirofobia'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-3580464656578257707</id><published>2008-05-21T12:14:00.011-03:00</published><updated>2008-05-21T14:34:39.892-03:00</updated><title type='text'>Anônimos Bêbados vs. Fotógrafos Sóbrios</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Áureos tempos aqueles em que podíamos nos embriagar com todo o álcool do mundo sem temer a possibilidade de estarmos na Internet no dia seguinte. Tempos esses onde a liberdade do ébrio reinava, onde só tínhamos a noite e os amigos - mais bêbados ainda - como testemunhas de nossas atitudes desvairadas. No dia seguinte, apenas flashes de memória nos restavam, sem falar na tradição de ligar para os amigos, também semi-desmemoriados, a fim de juntar as peças desse quebra-cabeça alcóolico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para acabar de vez com nossa integridade - antes protegida apenas pelo anonimato - hoje, sempre tem um infeliz com uma máquina fotográfica. Sempre tem aquele que faz questão de registrar nossos rostos distorcidos, olhos trocados, atitudes impensadas (ou não) e, por vezes, filmar conversas que nunca deveriam sair da intimidade da mesa de bar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não me entendam mal, adoro máquinas fotográficas digitais. Elas são incríveis, mas também podem ser ardilosamente traiçoeiras, principalmente se o dono for um herege que mantém-se sóbrio à despeito daqueles que honram a cerveja que lhes é posta na mesa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Honrados no bar, ultrajados no Orkut. Essa é a realidade do bêbado moderno.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o que podemos fazer para evitar essa infâmia? Não há como lutar contra as máquinas digitais, até porque chega a ser divertido tirar fotos enquanto curtimos a alegria boêmia. Elas já dominaram o mundo e nossos grupos de amigos. Sempre estão lá, nos surpreendendo com aquele visor maldito e seus flashes imorais, nos lembrando constantemente que existe ainda um resto de reputação a preservar. Muito pior, lembrando que o chefe tem nosso Orkut e que amanhã é segunda-feira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só nos resta fazer um apelo para os fotógrafos de plantão que, por todo amor que vos declaramos quando estamos totalmente chapados, preservem pelo menos um tantinho do anonimato das conversas de bar. Se algum de nós der em cima do namorado de alguém, não filme. Se algum de nós estiver em um cantinho escuro, não vá clarear tudo com sua luz depravada. Se subirmos na mesa despidos para dançar o créu, finja que nem percebeu!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se todo esse apelo não o abalou, caro fotógrafo, não me resta avisar: Vingança de bêbado é pior do que praga de mãe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-3580464656578257707?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/3580464656578257707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=3580464656578257707&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/3580464656578257707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/3580464656578257707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/05/bbados-annimos-coisa-do-passado.html' title='Anônimos Bêbados vs. Fotógrafos Sóbrios'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-6295828910681641593</id><published>2008-04-10T17:19:00.003-03:00</published><updated>2008-04-10T17:33:31.144-03:00</updated><title type='text'>Crueldade Infantil: Como prevenir</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ouvi falar em algum lugar que a inocência é um eufemismo para a crueldade. Ainda não divaguei o suficiente sobre o assunto para chegar a uma conclusão definitiva, porém devo concordar que esta afirmação aplica-se, pelo menos de fato, à crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia citar aqui dezenas de casos de extrema provação que crianças passaram nas garras de coleguinhas honestos demais. Vão desde o menino gordo, que recebe o majestoso cetro de “rolha-de-poço” logo no começo do ano, à tímida menina que, devido um momento de insanidade dos pais, atende pelo nome de Bromargina. Mas, claro, esses são os clássicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até mesmo os adultos não sabem lidar com essa sinceridade desconcertante dos pequenos. Como já sofri bastante na mão desses cãez... anjinhos, bem como já fui um deles, vou dar-lhes algumas dicas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Jamais, jamais mesmo, pergunte para uma criança se ela o acha bonito. Se você não for muito bem resolvido, você pode escutar um “não” que te traumatize mais do que um pé na bunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Se sua sobrinha de 6 anos atende o telefone, cuidado! Caso seja aquele safado que te traiu com três mulheres e um traveco manco, corre o risco da pimpolha responder: “Minha tia mandou dizer que não tá!”. O safanão que recebi de titia por causa disso dói até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Nunca pergunte se ela gosta mais de você do que de outra pessoa. Na maioria dos casos ela vai responder “não”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Não pergunte se ela gostou das meias que você deu de aniversário. Claro que ela não gostou!!! Só evite a vergonha de ouvi-la declarar sua pobreza em público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Não minta na frente de uma criança se, antes, você tiver dito a verdade. Ex.: “Ah, meu amor, nem saí de casa ontem, só pensando em você...”. Pivete metido: “Mas, tio, o senhor não disse que ontem foi pro melhor forró da sua vida?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Cuidado quando elas estão em bando. Ande direito, verifique se suas roupas não estão rasgadas, preste atenção na trajetória da bola – sempre tem uma bola. Finja ser um adulto respeitável e temível. Se descobrirem que você não passa de um panaca, irão te dominar por inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Nunca pergunte o que eles acham de uma pessoa na presença da mesma. Há o risco de eles responderem, displicentemente, na frente da dita cuja coisas como: “Ela fede” ou “O nariz dela é igual o de uma bruxa” ou “Mãe, ela é gorda que nem o Bifão, nosso sapo!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sério. Quem foi o infame que disse que crianças são puras e boas? Queria que ele tivesse conhecido meu grupinho de rua no Pirambu, aí sim, ele veria o que é “bondade infantil”. Mas não adianta nos enganarmos. Como podemos confiar em seres humanos tomam a vida das pessoas desde que estão na barriga da mãe, por mais minúsculos que sejam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não passam de soldados de um exército cruel, vil e traiçoeiro, do qual todos nós, um dia, tomamos parte. Como vítima ou algoz, tanto faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temo bastante pela vida de meu futuro filho dentre seus coleguinhas. Não posso deixá-lo sofrer. Por isso, farei minha parte: serei a própria Sarah Connor, treinando meu filho para que ele, desse exército, seja o absoluto General. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-6295828910681641593?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/6295828910681641593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=6295828910681641593&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/6295828910681641593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/6295828910681641593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/04/crueldade-infantil-como-prevenir.html' title='Crueldade Infantil: Como prevenir'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-4260758660777289821</id><published>2008-03-17T12:21:00.002-03:00</published><updated>2008-03-17T12:27:38.100-03:00</updated><title type='text'>Romantismo?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há décadas, centenas de pessoas alegam, sofregamente ou não, que são “o último dos românticos”. Outras tantas, menos pretensiosas, disseram apenas que o romantismo está morrendo, ainda que de maneira lenta e agonizante. Finalmente, as mais céticas – ou amargas mesmo - chegaram à conclusão de que o romantismo já bateu as botas há muito tempo. Afinal, qual seria a explicação para que elas nunca conseguissem um namorado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que é ser romântico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a gente parar para pensar, ser romântico não é nada mais do que demonstrar atenção para com quem se ama ou corteja, fazendo-o sentir-se especial, geralmente utilizando-se de grandes clichês como ferramentas. Os mais céticos – ou desiludidos mesmo – acham estas “gestualidades” supérfluas e desnecessárias, afinal, não existe a mínima necessidade de frisar o óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a gente parar para sentir, ser romântico não é nada mais do que entregar-se sem reservas, deixar tudo o que se sente ser convergido em palavras ou atitudes, por vezes desvairadas e destemidas, pois, se a pessoa amada entender, está tudo bem. Os mais entregues – ou sonhadores mesmo – julgam que só há vida após o amor, cantando isso desavergonhadamente aos quatro ventos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu acho? Bem, juntem os dois parágrafos anteriores, misturem bem e dividam por dois. Uma porção dessas é o ideal para mim. Mas, o grande quê, na realidade, é que quem importa mesmo nestas questões de sentimentalidades é a outra pessoa. A gente bem que se esforça para ser egoísta, mas, quando o tal do cupido faz seu serviço bem feito (não tem quem me convença que esse bicho sádico é um anjinho de bundas gordas), pronto, já era, lascou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, na verdade, tudo não passa de uma questão de sinceridade e coragem. Sinceridade para ser honesto consigo mesmo e coragem para se entregar. Sim, dá um medo danado de fazer isso, mas pular desse precipício é libertador. Falo por experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, para não fugir à regra, revelarei quando tudo isso me veio à mente. Há alguns dias, estava eu andando de carro com meu namorado. Ele, não tão inesperadamente, observando um rapaz que vendia rosas, perguntou-me demonstrando toda a sua sensibilidade: “Ei... acho que vou comprar uma flor dessas aí pra ti. Tá afim?”. Pois é... Podem rir, eu também ri na hora. Mas, para mim, isso não deixa de ser romantismo. Quem raios vai me convencer do contrário? Já pulei do precipício mesmo!...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-4260758660777289821?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/4260758660777289821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=4260758660777289821&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4260758660777289821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4260758660777289821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/03/romantismo.html' title='Romantismo?'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-2658034641811625366</id><published>2008-03-06T13:13:00.004-03:00</published><updated>2008-03-06T13:29:44.297-03:00</updated><title type='text'>Orgulho do Errado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Vamos, confesse. Já houve um dia em que você morreu de orgulho por ter feito algo errado. Algo que a sociedade condenaria; algo que, definitivamente, não está incluso na ética aprendida na escola. Todo mundo já passou por isso. Depois de tentarmos levar uma vida dentro dos padrões que pensamos ser certos, todo mundo já se flagrou infringindo as regras e ficando extremamente feliz por isso. O quê? Nunca? Vai ser mentiroso assim na casa do c... chico!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas porque diabos isso acontece? Como é possível termos orgulho do errado?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Divaguei muito sobre isso depois de ter enrolado 0,10 centavos na passagem do ônibus só para testar o trocador. Bem, ele não percebeu e fiquei genuinamente contente por isso. Mas por quê? A troco de quê eu quis testar o homem? Que curiosidade mórbida foi essa de querer saber se o trocador de ônibus era mesmo esperto nas passagens que recebia? Eu poderia dar a resposta plausível - ainda que não politicamente correta - de que queria analisar a probabilidade da empresa de transporte ter prejuízos por incompetência dos empregados responsáveis por angariar seu lucro. Mas, hein?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Não, sou honesta comigo mesma. Eu queria mesmo era ver o mal. Ver se eu conseguia ser mais malaca que o trocador. Nossa, como eu era esperta! A sensação era de que eu conseguiria enrolar até um agente da CIA! Sim, era só um trocador de ônibus, mas consegui ser melhor (!) que ele e adorei a sensação de fazer algo errado e não receber nenhuma punição. Ainda que tenham sido por apenas 0,10 centavos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Esta constatação faz-me pensar o quanto nós, seres humanos que vivem em sociedade, somos podados do que realmente gostaríamos de fazer. Vivemos em um mundo tão cheio de regras, fazendo tudo o que supostamente é o melhor para nós, que, inconscientemente, acabamos por nos tornar barquinhos de papel em uma grande correnteza, que é a sociedade. Por isso, às vezes, nos orgulhamos de sairmos pela tangente, indo contra a corrente - as regras - e atropelando alguns dos outros barquinhos que navegam ao lado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bem, essa foi a hipótese política.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outra possibilidade é a que o ser humano é essencialmente vil, mau e traiçoeiro, que só aceita obedecer as regras por pura e mesquinha conveniência. Adoramos ver o mal; temos prazer em testar as pessoas (verem-nas falhar é melhor ainda!); nos esforçamos para cair em todos os sete pecados capitais, das piores maneiras possíveis. Se duvidar, criamos mais outros sete, só para provar que o infinito é o limite! HUahauhuHAuHAUAHUahuA!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bom, essa foi a hipótese de quem provavelmente vai pro Inferno.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Mas, falando sério, não acho condenável sentir orgulho do errado, desde que esse errado não implique gravemente outras pessoas. Não me entendam mal, não estou dizendo para que vocês levantem-se dessa cadeira, vão bater na sua mãe e roubar um banco depois. Não. Digo, pois, que é natural darmos um pouco de vazão à rebeldia que é inerente a um ser pensante como o homem. O fato é que nunca sabemos onde a correnteza está nos levando, então, qual o problema de sentir que fazemos nosso próprio caminho?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Sei que uma pessoa que já roubou calotas de carro para revender é suspeita para falar desse assunto (antes que perguntem, foi em 94, tinha 11 anos, minha melhor amiga era a maior marginal do colégio e eu era influenciável), mas e daí? Sei que o fato de eu ter surrupiado pneus de uma consecionária com um grupo de amigos vândalos não ajuda, mas e daí se fiz isso? Se não nos sentíssemos tão sacaneados pela sociedade, talvez nem criássemos esse orgulho do errado. Parem para pensar e digam se não tenho razão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Não quero ser polêmica. Só estou pensando.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas que eu ADOREI ter ganhado os 0,10 centavos... ah, como adorei.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-2658034641811625366?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/2658034641811625366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=2658034641811625366&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2658034641811625366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2658034641811625366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/03/blog-post.html' title='Orgulho do Errado'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-3263470453912502718</id><published>2008-02-28T13:22:00.003-03:00</published><updated>2008-03-06T13:31:04.400-03:00</updated><title type='text'>Mamãe x Psicóloga do Colégio - Round 1</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quem conhece minha mãe, sabe que ela é um amor de pessoa. Trata bem todos os meus amigos, sem distinção de raça, credo ou cheiro. Sempre esforçou-se para que todos crescêssemos felizes, bem nutridos e educadíssimos, sem excluir nem mesmo a criança grande que é meu pai. Sua dedicação à família foi tal, que, em um dos poucos dias em que seu mérito foi posto à prova, a mulher saiu totalmente do sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria um dia comum para mamãe, começo do ano de 1994. Administrava a casa como um quartel, cuidava do sogro doente, seu marido trabalhava como um louco e seus três filhos estavam em colégio novo e sofisticado, na Aldeota. Acreditava que aquela escola seria o melhor para suas crianças, já que tinha uma excelente estrutura, coisa que a antiga escolinha de bairro, onde eles estudavam antes, não possuía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando teve tempo para sentar-se e assistir televisão, o telefone toca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?&lt;br /&gt;- Alô, D. Fátima?&lt;br /&gt;- É ela.&lt;br /&gt;- Aqui é a coordenadora do colégio de seus filhos, a senhora poderia vir aqui?&lt;br /&gt;- Hein? O que houve? Aconteceu alguma coisa com eles?&lt;br /&gt;- Não, não, digo, não fisicamente... O Álvaro Neto e o Vicente foram levados para a coordenação por indisciplina e a psicóloga gostaria de conversar com a senhora... Pode ser?&lt;br /&gt;- Psicóloga?&lt;br /&gt;- É...&lt;br /&gt;- Tá, em meia hora chego aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrumando-se depressa, a mulher pegou um táxi, imaginando o que poderia ter sido. Chegando lá, dirigiu-se imediatamente para a coordenação, onde foi encaminhada para a sala da psicóloga do colégio. Ao abrir a porta, viu seus filhos sentados cabisbaixos e a psicóloga escrevendo em um papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá, D. Fátima, estava a aguardando!&lt;br /&gt;- O que eles fizeram?&lt;br /&gt;- Sente-se, por favor. Sou a Dr. Fernanda.&lt;br /&gt;- O que houve?&lt;br /&gt;- Bem, seus filhos foram encaminhados para a coordenação porque o mais novo, o Vicentinho, xingou uma coleguinha a mando do irmão.&lt;br /&gt;- O que tu disse, menino? – peguntou mamãe para o caçula.&lt;br /&gt;- Chamei ela de filha de prostituta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio. A psicóloga dirige-se, então, para a criança de 8 anos de idade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vicentinho, porque você chamou a sua coleguinha de filha de prostituta?&lt;br /&gt;- Porque o Neto mandou.&lt;br /&gt;- Se o Neto te mandar comer cocô, você vai comer?&lt;br /&gt;- Ele não vai mandar...&lt;br /&gt;Álvaro Neto, de 10 anos, balança a cabeça negativamente, enquanto a mãe controla-se para não rir. A psicóloga, tentando ignorar a reação de minha mãe, continua:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Neto, porque você mandou seu irmão xingar a menina de filha de prostituta? – a mulher continuava repetindo o xingamento, talvez para enfatizar a gravidade da situação para a responsável pelas crianças.&lt;br /&gt;- Mandei porque a mãe dela é uma prostituta, ué.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa hora, minha mãe não se agüentou e começou a rir. A funcionária do colégio, mordida, perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- D. Fátima, a senhora acha que dá a educação apropriada para seus filhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi como jogar um cigarro em um barril de pólvora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- COMO É QUE É?????? Você ta querendo dizer que educo mal meus filhos??? Eles NUNCA tinham xingado ninguém assim até entrar nesse colégio!!! Eu que pergunto que tipo de educação vocês dão!!!!!&lt;br /&gt;- Mas a senhora riu da história toda, nem parece que se import...&lt;br /&gt;- É CLARO QUE EU ME IMPORTO!!!! Agora você, sua imitação de médica, podia só ter me ligado e me dito! Me fez me tacar lá de onde o Judas perdeu as botas pra ficar me dando lição de moral??? E ainda vem dizer que educo mal meus filhos??? TÁ FICANDO DOIDA??????&lt;br /&gt;- Claro que não quis dizer isso, eu só...&lt;br /&gt;- VOLTEM PRA SALA DE VOCÊS!!! – ordenou a enfurecida mulher para as crianças, que saíram correndo. – E você, DOUTORA, só me chame aqui de novo quando eles, NO MÍNIMO, quebrarem o braço de alguém!!!&lt;br /&gt;- Sim... senhora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mamãe saiu furiosa do colégio, indo para uma lanchonete esperar as aulas dos filhos terminarem. Uma hora e meia depois, saímos os três e demos de cara com ela, esperando no portão. Eu não sabia de nada e meus irmãos, tampouco, comentaram. Fomos em silêncio no ônibus, sem nada para dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando em casa, mami me mandou para o quarto e chamou os dois meninos para conversarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Venham cá, crianças...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois, ingênuos, aproximaram-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- SEUS ÍNDIOS!!!!! SELVAGENS!!!!! FICAM ME FAZENDO PASSAR VERGONHA!!! ONDE FOI QUE APRENDERAM ESSAS COISAS, SEUS BICHOS??? QUEM ENSINOU???? SE FIZEREM ISSO DE NOVO EU PENDURO VOCÊS NO ARMADOR DE REDE PELAS CUECAS!!!! OUVIRAM???? OUVIRAM BEM??????? BANDO DE ANIMAIS, NÃO FOI ASSIM QUE CRIEI VOCÊS!!!!!! FOI??? FOOOOI????&lt;br /&gt;- Não, mãezinha, não foi!!! – respondeu Álvaro Neto, assustado.&lt;br /&gt;- Não, não!!! – disse Vicente.&lt;br /&gt;- VÃO FAZER ISSO DE NOVO????????&lt;br /&gt;- Não!!!&lt;br /&gt;- Não vamos!!!&lt;br /&gt;- Ótimo, então dêem um abraço na mãezinha! Coisas lindas! Mãezinha ama vocês, viu?&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Agora, meus filhos, se a menina é filha de prostituta, vocês não devem ficar gritando pelos cantos... Entenderam?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas ela é, mãezinha...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sim, mas é feio xingar, mesmo que a pessoa mereça...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E era assim que aprendíamos nossas lições. A psicóloga ligou para minha mãe outras vezes nesse ano, mas aí são outras histórias.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-3263470453912502718?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/3263470453912502718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=3263470453912502718&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/3263470453912502718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/3263470453912502718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/02/quem-conhece-minha-me-sabe-que-ela-um.html' title='Mamãe x Psicóloga do Colégio - Round 1'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-8837760400275225402</id><published>2008-02-07T22:26:00.000-03:00</published><updated>2008-02-07T22:28:11.565-03:00</updated><title type='text'>Meu mais Terrível Vício</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Toda criança já comeu coisas bizarras. É bastante comum encontrar pessoas confessando que, no passado, adorava o gosto de objetos que não constituíam, necessariamente, um alimento. Obviamente, a curiosidade peculiar da idade, aliada à falta de conhecimento do que pode fazer mal ao corpo, fazem as crianças possuírem tamanha amplitude em seu cardápio diário.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Tenho um irmão, por exemplo, que adorava comer cabeças de palito de fósforo queimadas. Tinham de ser queimadas, pois elas cruas – palavras dele – eram crocantes demais. Ele também era um devorador de borrachas, em especial aquelas com cheiro, ou seja: nenhuma borracha minha da Moranguinho durou mais de uma semana.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Mas não critico meu irmão, pois, em minha casa, a criança que tinha o hábito mais peculiar em comer algo estranho era eu. Hoje não tenho problemas de confessar, mas, antigamente, isso constituía um vício terrível. Tomava minha vida, eu simplesmente não conseguia passar um dia inteiro sem comer nenhuma vez.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Barro de parede.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Sim, amigos. Eu pegava o martelo de meu pai e quebrava uma quina de parede na altura de minha boca, grudando-a lá, raspando a areia processada e mastigando com prazer, apreciando o gosto e o “crac-croc” dos grãos sendo triturados pelos meus dentes. Devo dizer, o gosto era incrível. Eu era tão viciada que, quando chovia e ficava aquele cheiro de barro no ar, eu tinha de comer a parede logo ou ficava extremamente nervosa.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Mas não era qualquer barro. Aqueles mais escuros, que esfarelam fácil, tinham o gosto muito mais concentrado e não tinha muita graça de mastigar. Portanto, o barro que eu comia tinha de ter uma combinação balanceada entre a areia e o cimento, de modo que não interferisse negativamente no sabor.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Meus pais não se conformavam. Brigavam comigo, me davam uma mãozada toda vez que me pegavam em flagrante, mas não adiantava. A vontade era grande demais! Levaram-me, então, ao médico, que lhes disse que eu sofria de uma acentuada carência de sais minerais, por isso o barro era tão irresistível. Desta forma, compraram suplemento alimentar para mim, o que melhorou minha taxa de sais minerais no organismo, mas não aplacava a forte dependência psicológica que eu possuía pelas paredes de minha casa.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Eu já tinha 12 anos de idade e era dependente do barro há cinco. Muitas coisas eram terríveis e degradantes naquele hábito insólito, mas aquilo que me fazia ficar mais deprimida, era quando ia dormir na casa de alguma amiguinha do colégio. Nesses momentos, eu sofria em agonia, desejando saber qual era o gosto da parede daquela casa. Já aconteceu de eu levantar-me a noite e esgueirar-me para algum cantinho onde a parede estava descascada e dar uma lambida faminta no mesmo lugar. Eu nunca resistia à esses cantinhos.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Desesperados, meus pais tomaram uma decisão: cobriram TODOS os lugares onde as paredes eram quebradas com concreto e as quinas da casa com cantoneiras de metal, acabando com minha alegria de grudar a boca nos cantinhos de parede. Apesar do sofrimento inicial, tal medida começou a funcionar. Aos poucos, a vontade foi passando, passando, até que cruzei com um canto de parede descascada e não tive o ímpeto de lambê-lo. Tudo é questão de força de vontade e ajuda do próximo, amigos.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Bem, meu nome é Michelle e estou limpa há 12 anos. Pretendo nunca mais comer barro novamente, pois sei que meu vício pode retornar. Para falar a verdade, só de escrever aqui meu depoimento, deu-me uma vontade enorme de comer de novo. Estou com água na boca, mas minha força é maior.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Mas, por via das dúvidas, ficarei afastada de paredes descascadas pelo menos até essa vontade passar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-8837760400275225402?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/8837760400275225402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=8837760400275225402&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/8837760400275225402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/8837760400275225402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/02/meu-mais-terrvel-vcio.html' title='Meu mais Terrível Vício'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-7062639190743325117</id><published>2008-01-30T16:46:00.000-03:00</published><updated>2008-01-30T16:48:26.430-03:00</updated><title type='text'>Ambidestria Aplicada ao Dia-a-dia, já!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Descobri, ao quebrar minha mão direita esta semana, que sou uma total incompetente. Faço parte da maioria populacional destra e, ao ter meu braço direito e dois dedos engessado, estou completamente revoltada ao constatar minha inabilidade com a mão esquerda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Com apenas 3 dias de gesso, já quebrei três unhas, machuquei o dedão e tive câimbras no braço e no músculo da omoplata esquerda. Tudo porque minha mão canhota passou todos seus 25 anos de vida escorando-se na ágil e inteligente irmã, a direita, virando um conjunto de ossos e carne que só serve pra me coçar e dar um suporte – medíocre, por sinal – à brilhante gêmea.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Invejo de todo coração os ambidestros, pois eles não hão de sofrer a mesma angústia que eu: E se ocorrer um acidente e eu perder para sempre minha mão direita? O que será de mim? Não venham me dizer, seus conformistas miseráveis, que a esquerda se adaptará! Essa porcaria aqui não consegue, sequer, lavar meus cabelos de modo decente! Imagine tomar o lugar de minha amada mão direita, atualmente amarrada e imobilizada, sofrendo as conseqüências de sempre me servir lealmente e tentar proteger-me antes mesmo que eu percebesse que precisava de proteção?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Deveria existir algum curso para melhorar as habilidades do nosso lado canhoto. Se, quando no colégio, tivéssemos uma matéria chamada “Ambidestria Aplicada ao Dia-a-dia”, seríamos muito mais felizes. Poderíamos fazer de tudo mais rapidamente. Ganharíamos tempo e dinheiro, além de exercitar o lado direito do cérebro, tornando-nos mais inteligentes e eficientes. Vou mandar um e-mail para o MEC.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Vou parar esse texto por aqui, pois, não sei se por reação à minha revolta, a diaba da mão canhota está doendo pra caramba e Não agüenta mais digitar. Levei 30 minutos para escrever esse texto... e ainda tenho de descobrir uma maneira de assinar uns documentos do trabalho.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oh, vida injusta!&lt;br /&gt;Quero minha mão de volta!!!&lt;br /&gt;Ambidestria Aplicada ao Dia-a-dia já!!!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-7062639190743325117?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/7062639190743325117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=7062639190743325117&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/7062639190743325117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/7062639190743325117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/01/ambidestria-aplicada-ao-dia-dia-j.html' title='Ambidestria Aplicada ao Dia-a-dia, já!'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-1248586551075495436</id><published>2008-01-21T13:15:00.000-03:00</published><updated>2008-01-23T12:14:45.247-03:00</updated><title type='text'>A Moeda Assassina de Dez Cruzados</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vocês lembram de uma moeda gigante que tinha antigamente? Uma de dez cruzados? Era uma monstra enorme, redonda e prateada, que no fim na vida, auge da mega-inflação, não valia um décimo do que o Banco Central gastava para fabricá-la. Lembro muito bem dela, mas, principalmente, porque foi responsável por um dos mais marcantes momentos onde eu encarei a morte, escapando com bravura e sorte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Para começo de história, simplesmente odeio engasgar. O problema é que vivo engasgando. No afobamento que é peculiar à minha família, a quase-morte por objetos estranhos adentrando em nossos pulmões é bastante comum. As famigeradas balas-soft já tentaram me levar dessa vida, mas não chegaram nem perto da temível moeda de dez cruzados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Estava eu deitada na rede, pensando na vida, quando vi uma moeda solta no chão. Apanhei os cruzados mortais e, como era uma total porca imunda, taquei a moeda na boca e fiquei chupando-a. Aham, até parece que vocês nunca colocaram algo nojento na boca! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Pensamento vai, pensamento vem, o objeto cheio de micróbios escorregou ardilosamente para minha garganta, entalando no esôfago na horizontal, onde nenhuma fresta de ar conseguia passar. Tomada pelo desespero, levantei-me da rede em um pulo, correndo para a cozinha, onde estava a única pessoa que poderia me salvar: minha mãe. Não pensem que cheguei a essa conclusão utilizando-me de meu raciocínio, pois não conseguiria somar 1+1 naquele momento. Acho que meu instinto disse-me que eu precisaria de alguém bruto o suficiente para salvar minha vida. Que outra pessoa seria, se não minha mãe?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Cheguei na cozinha já roxa, lacrimejando e quase desfalecendo com a mão na garganta. Mamãe, entendendo na mesma hora o que estava acontecendo, correu até mim. Total entendedora das técnicas de primeiros socorros, com a adrenalina à mil, a mulher chegou por trás de sua filha agonizante e fez o que pensou ser mais lógico: desferiu a porrada mais certeira que levei nas costas em toda a minha vida. Com os punhos fechados, deu um murrão tão potente em meus pulmões que a moeda voou longe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Mal pude aproveitar o alívio de sentir o oxigênio novamente no meu corpo, pois fui ao chão mediante o golpe truculento de minha progenitora. Ela, ajoelhando-se, segurou em meus ombros e, com o olhar assustado, perguntou com toda delicadeza:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;- TU É DOIDA??? TU BEBE GÁS PRA FICAR COM MOEDA NA BOCA, BICHA NOJENTA???&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;E, em seguida, me abraçou. Sei que, apesar do grito, ela ficou extremamente nervosa, então não fiquei nem um pouco chateada. De qualquer forma, mamãe fez-me prometer que jamais poria uma moeda novamente na boca, deu um tremendo sermão sobre germes e bactérias, não esquecendo, claro, de me ameaçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai, sem perder nada, guardou o objeto do engasgo junto à sua coleção de moedas brasileiras, colocando-a bem próxima de uma da época de D. Pedro II. Não me pergunte porque raios ele guardou a moeda, mas, se um dia você for lá em casa, eu mostro toda a coleção e a moeda assassina de dez cruzados, que ainda está lá para contar a história. É só pedir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-1248586551075495436?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/1248586551075495436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=1248586551075495436&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/1248586551075495436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/1248586551075495436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/01/blog-post.html' title='A Moeda Assassina de Dez Cruzados'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-502145876195785288</id><published>2008-01-18T11:06:00.000-03:00</published><updated>2008-01-18T11:24:39.808-03:00</updated><title type='text'>Minha Imaginação ou Não - Coisas que pensei ter visto: Saci</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava eu na cidade de Pentecoste, interior do Ceará, meados de 1990.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Brincava sozinha no quintal de um sítio de amigos dos meus pais. Era fim de tarde. Tudo que eu ouvia era o volume baixo da televisão dentro da casa e o som dos pássaros indo para seus ninhos. Meus irmãos dormiam. Com minha Barbie, criava a mais diversas aventuras para ela na selva, divertindo-me como só uma criança é capaz de fazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De repente, ouvi um barulho distante, como se algo estivesse se movimentando na relva. Olhei para o matagal ao longe e tudo que vi foram somente as sombras que o pôr-do-sol produzia, em um belo espetáculo de cores. Sem dar muita importância, voltei a brincar. Um minuto depois, ouvi uma risada longínqua, arrepiando-me totalmente. Levantei-me assustada, olhando ao redor, sem ter certeza do que estava procurando. Na verdade, tinha a sensação de que algo estava me observando.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olhei para o oeste e foquei em algo insólito, creio que há uma distância de duzentos metros: um menino negro, em cima de uma árvore, com um chapéu vermelho. Ele olhava para mim. Senti tanto medo, mas tanto medo, que não consegui me mexer. Eu tinha apenas 8 anos de idade, claro que estava aterrorizada. O garoto pulou da árvore para o chão, começando a correr em minha direção. Disparei para dentro de casa, gritando por minha mãe, largando a boneca na areia. Contei o que vi para meus pais, que saíram rapidamente da casa, procurando aquele que havia me assustado tanto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada encontraram.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha Barbie desapareceu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez tenha sido o medo ou a imaginação de uma criança, mas eu juro, eu juro de todo coração, que quando o garoto negro pulou da árvore, havia apenas uma perna despontando em seu calção.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-502145876195785288?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/502145876195785288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=502145876195785288&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/502145876195785288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/502145876195785288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/01/minha-imaginao-ou-no-coisas-que-pensei.html' title='Minha Imaginação ou Não - Coisas que pensei ter visto: Saci'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-2001467887274879723</id><published>2008-01-14T16:41:00.000-03:00</published><updated>2008-01-14T16:45:39.041-03:00</updated><title type='text'>Lamúrias de uma Hipocondríaca Sem Estômago</title><content type='html'>.  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Infelizmente, chegou o dia. Aquele que achei que nunca ia chegar. O fato considerado impossível, ou, no máximo, de probabilidade tendendo à zero. Como fui chegar à esse ponto? Como? O que foi que eu fiz?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Bem, amigos, confesso. Hoje, depois de anos e anos de dedicação, recusei alguma medicação. Recusei não uma pílula, mas várias. Sim. Depois da destruição suprema proporcionada pela formatura de um amigo meu anteontem, meu corpo está desistindo. A Besta-Fera que vive em meu estômago adoeceu e não consegue aceitar um comprimidinho que seja, imagine um xarope.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Mas eu estou doente! O que eu faço? Devo tomar um chá? Mas chá nem bula tem! Como vou ficar boa sem conseguir tomar remédios? O que será de mim? Por favor, Bestinha-Fera, esforce-se! Lembre-se do monstro que você sempre se orgulhou de ser! Meu querido estômago, que nunca havia me desapontado, agüentando bravamente os miojos das 3h da manhã e as feijoadas das 22h, porque me abandonastes? Relembre seus momentos de glória! Ressurja das cinzas!&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;O abatimento toma conta de meu ser. Sou uma pária na classe dos hipocondríacos. Não adianta me enganar... eu sabia que esse dia ia chegar. Os bravos sempre caem, uma hora ou outra. Mas os bravos tornam-se ainda mais bravos quando conseguem se reerguer. E é isso que farei, vocês verão. A Besta-Fera irá retornar, mais valente que nunca, como um guerreiro lendário que olha para as pedras do passado, gargalhando delas em desprezo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Até lá... Estarei entregue ao sofrimento claustrofóbico de meu próprio corpo, incapaz de se curar e que não permite ser curado. Enquanto isso, o jeito é tomar uma canja leve e gay, mas só até quando poderei ingerir meu amado Omeprazol novamente.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Mas, não se preocupem comigo. Eu voltarei.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-2001467887274879723?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/2001467887274879723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=2001467887274879723&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2001467887274879723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2001467887274879723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/01/lamrias-de-uma-hipocondraca-sem-estmago.html' title='Lamúrias de uma Hipocondríaca Sem Estômago'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-2674899342868260043</id><published>2008-01-10T13:46:00.000-03:00</published><updated>2008-01-11T13:19:52.173-03:00</updated><title type='text'>O Dia do meu Exorcismo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todo mundo, em algum momento da vida, teve um Carnaval inesquecível. Bem, até agora, o meu foi o de 2006, onde passei com vários amigos na praia de Porto Canoa. Dois requisitos eram básicos a todos que queriam ter uma diversão verdadeira na casa onde estávamos: uma alta capacidade de trucular brutalmente e a total falta de vergonha na cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levando-se em consideração de que toda a bebida que compramos - aquela para passar o Carnaval inteiro - acabou no primeiro dia, tais requisitos eram atendidos por quase todos. Logo na primeira noite, houveram pessoas caindo da escada, gente inepta dançando forró enquanto ouvia heavy metal, copos quebrados, vômito na piscina, vítimas de urina de bêbado (eu, diga-se de passagem), gritos, pancadaria, declarações de amor e desaparecimentos. Todos os dias, tínhamos de fazer uma cota para comprar mais do líquido libertador e, a cada dia, a cota crescia cada vez mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá para o terceiro dia de farra, quando muita coisa já havia acontecido, foram compradas duas garrafas de Red Label. Começaram a beber a primeira, mas, antes de que esvaziassem um terço da garrafa, eu a adotei como minha, não deixando mais ninguém chegar perto dela. Como as pessoas não estavam com disposição de disputar a garrafa comigo e a pressa em continuar o Carnaval era grande, deixaram-me em paz com meu belo Red Label.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo meu - que vingou-se daquele que tinha urinado no meu pé urinando na CARA do indivíduo sem noção -, veio vigiar-me a fim de que eu não exagerasse na dose. Quando ele viu que eu estava sentada em uma cadeira de praia, literalmente, MAMANDO no whiski e cambaleando displicentemente, tentou me impedir:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Michelle, larga essa garrafa de whisky!&lt;br /&gt;- DAUM! – respondi ferozmente, abraçando a amada garrafa de Red Label.&lt;br /&gt;- Tá bom, já que tu não quer largar, pelo menos promete pra mim que vai tomar só até essa marca aqui no final do rótulo do meio.&lt;br /&gt;- Prometo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um tempo, meu amigo volta para conferir a garrafa, constatando que bebi dois dedos a mais do que o combinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu não cumpriu a promessa que me fez!&lt;br /&gt;- É que... eu achava que a gente tinha combinado dois dedos abaixo nesse tiozinho que anda aqui... – desconversei, apontando o rótulo.&lt;br /&gt;- Hum, sei. Então tu vai parar agora, né?&lt;br /&gt;- Deixa só eu tomar até esse rodapé aqui na garrafa! Ôôôô...&lt;br /&gt;- Tá, sua enrolona...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem. Para quem não sabe, tenho a teoria de que, quando bebo, viro artista. Meus amigos, principalmente o vigia, envolvidos pelo calor da arruaça que estava acontecendo na casa, mal perceberam que eu tinha desaparecido. Com muita cautela e toda a minha incrível furtividade, esgueirei-me para fora da casa, achando um cantinho que pensei ser seguro para mim. Mesmo com meu enorme esforço para utilizar o máximo de minhas capacidades surdinas, não percebi que uma amiga minha estava há poucos metros de mim, observando-me. A distância entre nós era... deixe-me ver... cerca de UM metro, para ser mais exata. Pois é... Um metro. Mas eu juro, juro mesmo, ela estava invisível!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerca de cinco minutos depois, o vigia lembrou de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cadê a Chell? – perguntou ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para meu total espanto, revelando sua fantástica localização secreta para mim, a amiga invisível gritou:&lt;br /&gt;- Ela tá aqui, do lado de fora!!!&lt;br /&gt;- Mas... Como...? – gaguejei, assustada.&lt;br /&gt;- Não acredito nisso!... – disse o vigia, balançando a cabeça.&lt;br /&gt;- Como vocês me descobriram???&lt;br /&gt;- Chell... Eu tava aqui o tempo todo – disse a garota.&lt;br /&gt;- Que merda, Chell, me dá a droga dessa garrafa! – impacientou-se o vigia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tentava ganhar tempo:&lt;br /&gt;- Mas, sabe, a verdade é assim, porque eles controlam tudo pelo Viski, Whishi, WHISKI!&lt;br /&gt;- Tudo o quê?&lt;br /&gt;- A VIDA! – gritei eu, olhando assustada.&lt;br /&gt;- Galeraaaa, vêm me ajudar a levar essa beba-bosta lá pro quarto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, eu enlouqueci. Não virei uma artista qualquer. Virei, nada mais, nada menos, a menina do filme O Exorcista, revelando uma força sobre-humana e incrível habilidade de desvencilhar-me de quem tentava me segurar. Comecei a debater-me, disposta a não deixar ninguém me levar para o quarto. Cinco homens e duas mulheres foram necessários para imobilizar-me, pois a força estava comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ME SOOOOOOOOLLLLTEEEEEEEMMMMMMM!!!!!!!!!!&lt;br /&gt;- Caraca, ela é muito forte!&lt;br /&gt;- Segura aí!!!&lt;br /&gt;- Vocês três, segurem as pernas!!!&lt;br /&gt;- Cuidado com a boca, ela tá mordendo!!&lt;br /&gt;- Ai!!! Ela me mordeu!!!&lt;br /&gt;- Vou sentar em cima dela!!!&lt;br /&gt;- Ela vai quebrar meu braçoooo!!!&lt;br /&gt;- Espera... Ouch!&lt;br /&gt;- Mulher, te controla!!!!&lt;br /&gt;- AAAAAAAAAHHHHH!!!!!!! ME SOLTEM, DESGRAÇADOS!!!! ME LARGUEM!!!! AAAAAAAAHHHHHHHH!!!!!!!! MALDITOS!!! VOU MATAR VOCÊS!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sete pessoas conseguiram me levar para o quarto, escadas acima. A força que eles fizeram foi tanta que ficaram automaticamente sóbrios. Finalmente, jogaram-me na cama. Mas quem disse que eu queria ficar lá? Tentei uma manobra evasiva, mas eu estava com o ônus do álcool no sangue e eles o bônus da adrenalina e raiva suprema. Resultado, capturaram-me novamente em cinco segundos. Alguém gritou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Peguem os lençóis! Amarrem essa doida!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amarraram-me na cama exatamente do mesmo jeito que a menina do filme: os braços abertos, atados à cabeceira e os pés unidos, atados à outra borda da cama. Apertaram tanto as amarras que, mesmo eu estando transtornada, meus pulsos e calcanhares doíam. O ódio crescia, assim como o desejo de puni-los. Eu queria sangue. Queria que eles sofressem. Debatia-me freneticamente, tentando livrar-me das amarras, mas não adiantava. Eles apenas riam de mim e isso só aumentava minha fúria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- EU VOU DESTRUIR VOCÊS!&lt;br /&gt;- Chell... Tu não pode fazer nada, então é melhor se acalmar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como xingá-los não surtia mais efeito – nunca surtiu, aliás -, tentei mudar de tática: fazer-me de coitadinha.&lt;br /&gt;- Mas é que tá doendo...&lt;br /&gt;- Olha aí... Se tu ficasse sempre quietinha assim a gente te soltava.&lt;br /&gt;- Sério mesmo?&lt;br /&gt;- Aham.&lt;br /&gt;- Me soltavam mesmo?&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;- Assim?&lt;br /&gt;- Isso aí.&lt;br /&gt;- AAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH!!!!!!!!!!! MOOOORRAAAM!!!! ME SOLTEM, MALDITOS, CRIAS DO INFEEEEERNO!!!!!!&lt;br /&gt;- Afe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda maquinando uma maneira de me livrar daquilo, elaborei outro plano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aaaahn... Meu nariz tá coçando! Amarrada assim não consigo coçar meu nariz! Me soltem pra eu coçar meu nariz! MEU NARIZ!&lt;br /&gt;- Chell, não vamos te soltar, me diz onde é que eu coço pra ti.&lt;br /&gt;- Lora, tu não vai saber...&lt;br /&gt;- Diz, criatura!&lt;br /&gt;- Aqui!&lt;br /&gt;- Aqui, assim?&lt;br /&gt;- Mais pra direita...&lt;br /&gt;- Aqui?&lt;br /&gt;- É, aí mês... NHAC!!&lt;br /&gt;- SUA LOUCA! Ela tentou me morder!!!&lt;br /&gt;- NHAC, NHAC, NHAC!!! GRRRAAAUUURRR!!!! NHAC!!!&lt;br /&gt;- Saiam de perto da boca dela!!!&lt;br /&gt;- Ela tá possuída!!!&lt;br /&gt;- Peguem a câmera!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filmaram-se enquanto eu tentava morder as pessoas. Minha tática falhou, mas continuei tentando morde-los. Cobriram-me com um travesseiro, pois eu estava com um short muito curto, mas debatia-me tanto que parecia outra coisa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cheeeega!!! Ela tá pinando no travesseiro!&lt;br /&gt;- Huhauahauhauahuaha!!! Filma isso!!!&lt;br /&gt;- HAUAHUAHUAHUAHUAHUAHA!!!&lt;br /&gt;- GRAAAAAUUUURRRR!!!!! NHAC!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de quarenta minutos, minha pilha começou a acabar. A raiva foi transformando-se em mágoa e tristeza. Vulgo “cu doce”. Nessa hora, eu, completamente exorcizada, comecei a chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês não são meus amigos...&lt;br /&gt;- Chellzinha, somos sim.&lt;br /&gt;- Não são não... Amigos não fazem isso...&lt;br /&gt;- Chell...&lt;br /&gt;- Me deixem sozinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, para felicidade geral da casa, desfaleci. Todos respiraram aliviados, cansados. Estavam sóbrios e exaustos. Qual a saída mais lógica para aqueles que enfrentaram a terrível sessão de exorcismo da Chell?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormir? Tá maluco? Beber mais, claro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia, o assunto era o meu exorcismo. O vídeo na câmera foi executado dezenas e dezenas de vezes. Já disse-lhes uma vez que, quando bebo, viro artista. Mesmo que uma artista tão controversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que passo por uma situação dessas, tento tirar uma lição. Mas, nesse Carnaval, era totalmente impossível eu tirar uma boa lição de qualquer coisa. Bem, mas, pelo menos, aprendi a não confiar no Whiski, pois ele liberta o Mal que há em mim. Outra coisa que aprendi foi que, infelizmente, meus amigos sabem dar um bom nó de marinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, nesse Carnaval fiz tudo de errado e mais um pouco. Mas, ora, vamos! Se não fosse assim, como ele teria sido o melhor Carnaval da minha vida?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-2674899342868260043?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/2674899342868260043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=2674899342868260043&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2674899342868260043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2674899342868260043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/01/o-exorcismo.html' title='O Dia do meu Exorcismo'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-1898784696350938984</id><published>2008-01-07T20:23:00.000-03:00</published><updated>2008-01-07T20:32:56.352-03:00</updated><title type='text'>No Oceano do Esquecimento e da Insanidade</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;A loja estava uma loucura. Era 23 de Dezembro e centenas de clientes espremiam-se, buscando, de última hora, o presente natalino de seus entes queridos. Os funcionários estavam à mil por hora, correndo de um lado para o outro, realizando as mais diversas tarefas. Com o ar-condicionado funcionando com metade de sua capacidade, o calor estava infernal, colaborando para o mal humor de alguns, angústia de outros e desespero de quase todos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Em meio a essa balbúrdia, estava eu, trabalhando na Central de Atendimento ao Cliente. Se essa é uma área que já dá dor de cabeça por si só, visto que as pessoas vão até lá principalmente para resolver problemas e reclamar, imaginem em um dia como esse. Com toda a calma que meus estressados olhos ainda conseguiam manter, tentava solucionar os problemas daqueles clientes insatisfeitos e furiosos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Em um determinado momento, chegou uma cliente com um problema com seu cartão de crédito: uma compra descontada da conta, mas não fora realizada. Seria preciso fazer uma carta de cancelamento, pois o estorno só pode ser feito no mesmo dia em que a operação foi efetuada. Para resolver este problema, teria eu de sair do inferno do Atendimento ao Cliente e ir até a tesouraria. Mas quem me substituiria naquele pandemônio? Se eu ousasse sair dali poderia ser assassinada pelas gralhas impacientes que gritavam na fila de atendimento. Para meu alívio, meu chefe surgiu e mandou-me ir resolver logo esse problema, o mais rápido que eu conseguisse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Saí correndo, atravessando a loja e vencendo um mar de gente, totalmente estressada, com dor de cabeça e com vontade de gritar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Então aconteceu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Quando eu estava na metade do caminho, eu simplesmente esqueci. Entenda, esqueci não somente o que eu estava fazendo, mas esqueci também para onde eu ia, de onde eu vinha e, o mais assustador... Esqueci quem eu era. Foi como se eu mergulhasse em um oceano branco, cheio de nada, onde todas as minhas lembranças foram tragadas para a profundidade de minha subconsciência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Parei, totalmente estarrecida. Meu Deus, meu Deus, pra onde eu vou? De onde eu vim? Quem sou eu? Qual o meu nome??? SERÁ QUE EU TÔ FICANDO DOIDA?!?! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Respirando fundo, peguei meu crachá e li: Michelle. Certo, lembrei, sou a Michelle. Mas, e agora? O que eu estava fazendo? Não conseguia lembrar. Oh, Deus, eu realmente estava perdendo o juízo... Desolada, caminhei de volta para a Central de Atendimento ao Cliente, sem sequer imaginar que era dali de onde eu tinha vindo. Quando ia chegando, meu chefe avistou-me e, com um olhar maníaco e voz esganiçada, perguntou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Cadê a carta, criatura???&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Em um momento quase epifânico, mergulhei no Mar Branco da minha subconsciência e resgatei as memórias perdidas. Saí correndo para a tesouraria, repetindo comigo mesma: “Michelle, vai pegar a carta de cancelamento! Michelle, vai pegar a carta de cancelamento! Michelle, vai pegar a carta de cancelamento!”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Nunca, leitor, nunca mesmo, queira mergulhar no oceano do esquecimento... Porque dali, basta apenas um mergulho a mais para você afogar-se na insanidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Digo isso porque eu sei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 45pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-1898784696350938984?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/1898784696350938984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=1898784696350938984&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/1898784696350938984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/1898784696350938984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/01/no-oceano-do-esquecimento-e-da.html' title='No Oceano do Esquecimento e da Insanidade'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-3713671457463349342</id><published>2008-01-03T13:30:00.000-03:00</published><updated>2008-01-03T16:08:14.605-03:00</updated><title type='text'>O Derradeiro Olhar do Coelho Caído</title><content type='html'>.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando eu era pequena, meus pais criavam um casal de coelhos. Esse casal, contradizendo a biologia, nunca tiveram filhotes. Como acredito que meus pais nunca mandaram a fêmea para castrar, tenho quase certeza de que eram dois machos vivendo em um caso gay. Mas sempre disseram para mim que eram um coelho e uma coelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um dia em que decidimos viajar para Paracuru e passar dez dias de férias. Minha mãe, no aperreio de arrumar as malas de três crianças pequenas e uma criança grande (meu pai), esqueceu de deixar comida para os coelhos, que eram de responsabilidade dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando voltamos, a tragédia: a fêmea jazia no chão do viveiro, enquanto seu marido agonizava perto de sua amada. Meu pai, que adorava os bichos, levou o macho com cuidado para a mesa da cozinha e me mandou correndo na farmácia para comprar ampolas de glicose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei, ele mesmo injetou uma pequenina quantidade de glicose no macho moribundo, com todo o cuidado que poderia ter. Logo, o coelho deu sinais de melhora, já sendo capaz de comer uma pastinha de capim que minha mãe, cheia de remorso, fez. No entanto, ele ainda estava fraco. Foi quando meu pai teve a brilhante idéia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, ele melhorou com a injeção, não foi? Acho que vou aplicar mais um pouco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele injetou mais glicose no coelho, esperando que ele já fosse dando saltinhos em uma recuperação milagrosa. O que aconteceu foi que o pobre animal, tomando uma mega-overdose, levantou-se com todo seu resto de dignidade e olhou para meu pai. Encarando seu assassino nos olhos, sentindo-se brutalmente traído, o coelho sofreu uma violenta convulsão e caiu morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pobre de meu pai ficou totalmente atônico, olhando o coelho que jazia na mesa da cozinha. Todos nós ficamos em silêncio, sem saber o que dizer. Minha mãe olhou para meu pai, que passara de salvador para executor, e colocou a mão sobre o ombro do marido arrasado, solidária. Meu irmão mais novo, sem entender a significância do acontecimento, perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele morreu, pai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem virou-se e foi ao banheiro, ficando lá por alguns minutos, amargando o fato de ter matado seu amado animal de estimação. Depois, enterramo-los com todo o respeito que eles mereciam, solenemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz meu pai que não conseguiu dormir por uma semana, pois, toda vez que fechava os olhos, tudo o que via era o derradeiro olhar do coelho caído, cheio do mais profundo desprezo e dolorosa decepção.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-3713671457463349342?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/3713671457463349342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=3713671457463349342&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/3713671457463349342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/3713671457463349342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/01/o-derradeiro-olhar-do-coelho-cado.html' title='O Derradeiro Olhar do Coelho Caído'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-4602622384180514688</id><published>2008-01-01T16:07:00.000-03:00</published><updated>2008-01-02T13:13:13.090-03:00</updated><title type='text'>A Nova Chance de Simone</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;.&lt;br /&gt;Simone abriu os olhos e encarou o céu do novo ano que chegara. Uma garrafa vazia de champanhe ainda estava na sua mão suja de comida, enquanto a outra mão moveu-se para afagar seu noivo, desmaiado. Eles e alguns amigos resolveram passar o ano em cima da caixa d'água do prédio mais alto da região, pois, desta forma, veriam melhor os fogos de artifício da praia ao longe e ainda poderiam fazer tudo o que, lá embaixo, era ilegal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se, pouco ligando para seu vestido amarrotado e a cabeça cheia de areia, pois tudo aquilo que queria ver era o primeiro nascer do sol. Largou a garrafa e o noivo, enlaçando os joelhos com os braços doloridos da festa de ontem. Mal conseguia lembrar dos fogos de artifícios da passagem de ano, pois, dentro da sua cabeça, os fogos eram bem mais brilhantes e ensurdecedores. A mente doía, mas era algo além do físico, pois as lágrimas que vieram aos seus olhos não eram de dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele sol era o mesmo sol desde que o mundo era mundo, mas, para Simone, era o primeiro sol de sua vida. Tivera um sonho perturbador e nostálgico, de quando a vida não era difícil e do tempo em que ela tinha controle sobre si mesma. E era tão jovem... Como podia ser isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se. Olhou para o noivo no chão, coberto da fuligem que ela não queria mais para si. Uma nova chance surgiu. Quando isso poderia acontecer de novo? No próximo ano? Não... Ela não poderia esperar mais tempo. Não de novo. Era agora, naquele momento, naquele segundo, em que ela voltaria a ser quem era antes. E, desta vez, não deixaria nada, nem os belíssimos fogos de artifício distraírem-na de seu caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela desceu pela escada de incêndio. Procurou algum dinheiro, mas não havia nada, fora-se tudo com aquela fuligem. Dirigiu-se a um telefone público e discou um número o qual teve de se esforçar para lembrar, de tanto tempo em que não o utilizava. Um homem atendera. Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Filha?&lt;br /&gt;- É... que eu...  Eu sei que eu...&lt;br /&gt;- Só me diga onde você está que eu pego você agora mesmo.&lt;br /&gt;- Certo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jovem de 16 anos sentou-se no meio-fio e esperou. Se existem tantas pessoas que conseguem mudar de vida, por que ela não conseguiria? Se tanta gente conseguia emagrecer, fazer o que promete, estudar mais... Por que ela não conseguiria ser a menina que era há dois anos, escrevendo um diário e sonhando, apenas sonhando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele chegara. Seu pai a olhou pela janela e foi como se nada tivesse acontecido. No banco de trás, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;beagle &lt;/span&gt;de pêlos castanhos possuía um leve traço de reconhecimento em seu olhar canino... Talvez lembrasse da garotinha que, um dia, implorou aos pais para levá-lo para casa. Nessa hora, quase conseguiu sentir o cheiro da comida de sua mãe, aquela que jamais comeria novamente. As lágrimas retornaram aos seus olhos, pois não entendia como pôde ter trocado aquilo tudo pela vida insípida que estava levando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou no carro. Olhou para o senhor, que apenas sorriu e deu a partida. Ela estendeu a mão para seu cachorro, que a cheirou, desconfiado. Ela sorriu. Nesse momento, o beagle pulou para o colo de Simone, a lambendo, a perdoando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, ela conquistou outra chance. No sorriso de seu pai, no abanar do rabo de seu querido cãozinho, ela conquistou outra chance. E não ia deixar essa chance escapar de jeito nenhum.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-4602622384180514688?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/4602622384180514688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=4602622384180514688&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4602622384180514688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4602622384180514688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2008/01/nova-chance-de-simone.html' title='A Nova Chance de Simone'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-5193368897303204923</id><published>2007-12-30T18:32:00.001-03:00</published><updated>2007-12-31T07:27:58.330-03:00</updated><title type='text'>Dignidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;.&lt;br /&gt;Para começar, o que caracteriza a dignidade de uma pessoa? Podemos dizer, talvez, que seja a capacidade do ser humano de seguir sua vida, sempre buscando o que deseja, sem ferir os conceitos da ética. Mas a ética é bastante relativa, concordam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia qualquer desses, eu estava dirigindo para algum lugar quando vi um gari, que devia ter cerca de 60 anos, limpando uma vala cheia de lama. Peguei-me conjecturando que se eu chegasse aos 60 anos e tudo que eu houvesse conquistado na vida fosse um emprego de gari, teria vontade de cometer suicídio. Seria bastante deprimente... foi o que pensei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que me fazia melhor do que aquele senhor que, em vez de estar mendigando na rua, estava em um trabalho honesto, procurando manter sua velhice de forma digna? Eu não sabia como havia sido a sua vida, não sabia se ele teve grandes oportunidades, nem nada. Mas, ainda que ele tenha cometido severos erros, o que me fazia ser melhor que ele a ponto de julgá-lo da forma como o julguei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti-me mal o suficiente a ponto de quase voltar lá e pedir desculpas ao velho. Mas acredito que ele me acharia uma louca ou nem me daria bola. Que importância teria meu remorso para ele? Esse remorso se faz importante para mim, isso sim. Por isso, essa tornou-se uma das minhas principais resoluções de ano novo: não duvidar da dignidade de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque isso faz parte de minha própria dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz 2008!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À propósito, qual sua resolução de ano novo?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-5193368897303204923?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/5193368897303204923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=5193368897303204923&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/5193368897303204923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/5193368897303204923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/12/dignidade.html' title='Dignidade'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-5359774470965663797</id><published>2007-12-28T15:29:00.001-03:00</published><updated>2008-01-02T00:08:50.050-03:00</updated><title type='text'>As Onze Doses</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antigamente, eu e três amigos meus formávamos o que ainda chamamos, saudosamente, de Quarteto. Quando todos os outros desistiam e iam dormir, sempre restavam nós quatro, bebendo e aprontando pelas ruas de Fortaleza. Infelizmente, hoje em dia o Quarteto já não se reúne como antes, pois tomamos outros rumos. Mas ainda temos história para contar por toda a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, fomos para o Dragão do Mar atrás de uma tequila cujo preço era o melhor que poderíamos encontrar na época. Quem vendia era uma tia truculenta e bigoduda, mas que nos conhecia e sempre fazia duas doses por R$5,00, quando o preço unitário era R$3,00.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meninos estavam inspirados e decidiram trucular. Eu, como queria pegar leve, tomei apenas cinco doses durante a noite toda. Já os três garotos tomaram onze cada um. Claro, no fim da noite, eles estavam extremamente embriagados, como poucas vezes os vi e não tinham condições sequer de pegar um táxi. Por sorte, encontramos outro amigo nosso por lá que, corajosamente, sem medo de dejetos orgânicos serem expelidos em seu carro, nos deu carona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos para o apartamento que eu divido com um deles e o dono do carro me ajudou a carregá-los escadas acima. Apenas um deles conseguia andar, embora ainda cambaleasse mais que um joão-bobo. Eu queria que todos os três ficassem confortáveis, ainda que nosso amigo motorista não estivesse muito afim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui deixar o primeiro, também dono do apartamento, em seu quarto. Com toda minha força de mulher fraca, o ergui para a cama. Quando estava ainda me esforçando para agüentar o peso dele, eis que vem meu primeiro teste de amizade: o diabo do cara começa a CUSPIR em meu braço. Mas eu estava quase lá, quase conseguindo colocá-lo em cima da cama, se o soltasse todo meu esforço seria em vão. Inspirei fundo, prendi a respiração - cuspe de bêbado fede mais que lixo de uma semana - e joguei o camarada cuspidor em cima do colchão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;First Mission: Accomplished.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro dormindo, braço lavado, vamos para o próximo. O seguinte era um membro do quarteto que mora perto da praça Portugal - lugar não muito longe do antigo apartamento - mas que eu não podia deixá-lo em casa, pois sua mãe iria ter um troço. Esse amigo meu, enquanto eu cuidava do cuspidor, conseguiu arrastar-se para um sofá-cama, mas não conseguiu controlar o Hugo. Quando cheguei até ele, a criatura estava toda vomitada. Mas não era um vômito comum, era um negócio liguento, meio marrom... com umas coisas em roxo... Não quero nem imaginar o que esse menino deve ter comido por lá. O que a Michelle fez? Vamos limpá-lo, ou então a catinga amanhã vai ser terrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Second Mission: Accomplished.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o terceiro estava acordado. Sentado no chão da cozinha, conversava com nosso camarada motorista. Ele dizia, em tom de sabedoria:&lt;br /&gt;- Vocês têm que ver, meus caros... Você são muito burros! Não conseguem fazer um esquadro com a própria mão!&lt;br /&gt;Então ele pegava a mão da gente e tentava dobrar em um ângulo esquisito, que fazia doer. Isso demorou cerca de meia hora. Com uns vinte minutos, eu já estava considerando sériamente dar uma pancada na nuca dele para forçá-lo a dormir, mas desisti quando percebi que, em minha fúria, poderia matá-lo. Ele gritou, chutou, jogou uma cadeira de plástico em mim, bateu no fogão novinho e soltou a pérola:&lt;br /&gt;- Vocês não entendem Beethoven!&lt;br /&gt;- O_o&lt;br /&gt;- Okay, cara... Hora de dormir.&lt;br /&gt;- NÃO! VOCÊS TÊM QUE ENTENDER BEETHOVEN!!!&lt;br /&gt;E tome mais dez minutos dele tentando explicar Beethoven. Finalmente, uma hora, ele deitou no chão e dormiu. Eu estava tão cansada que não queria carregá-lo. Então só peguei um travesseiro e coloquei sob sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Third Mission: Hardly, but Accomplished.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe o que é pior de tudo? Pior do que ouvir no outro dia "Porra, Chell, tu me deixou dormido no chão da cozinha???" é que eu não tenho direito de reclamar deles. Eu já dei trabalho para cada um dos três em minhas noites boêmias. O que posso fazer? Essa noite ficou conhecida como "As Onze Doses". Basta dizer que eles não repetiram - não tão cedo - essa proeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos aprendi algumas lições:&lt;br /&gt;1. Sempre ter uma proteção contra cuspe quando estiver lidando com meu amigo de apartamento.&lt;br /&gt;2. Monitorar o que o eles comem enquanto bebem.&lt;br /&gt;3. Aprender a dar golpes na nuca sem risco de matar.&lt;br /&gt;4. Entender o diabo do Beethoven.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-5359774470965663797?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/5359774470965663797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=5359774470965663797&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/5359774470965663797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/5359774470965663797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/12/as-onze-doses.html' title='As Onze Doses'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-5478828003604740999</id><published>2007-12-26T02:20:00.001-03:00</published><updated>2007-12-28T11:36:56.570-03:00</updated><title type='text'>Fugindo da Polícia em um Parangaba-Papicu</title><content type='html'>.&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Sério, por que esses acontecimentos bizarros em ônibus vivem acontecendo comigo? De duas, uma: ou eu atraio essas coisas estranhas ou está na hora de eu comprar um carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava eu, em uma manhã nublada, na minha faculdade afim de que o coordenador do curso assinasse meu contrato de estágio. De acordo com meus planos, de lá eu já iria para meu trabalho e teria um dia animado no meu mais novo e querido estágio na Coca-cola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrato assinado, fui para a parada do ônibus esperar o Parangaba-Papicu, que é o melhor ônibus para eu ir da faculdade para o trabalho. Todos os alunos da UFC já estavam de férias, a avenida da Universidade meio deserta, o que mais eu poderia esperar? Um ônibus vago, claro, onde eu poderia ir tranqüilamente sentada, divagando com minha cabeça de vento e chegando ao trabalho limpinha e arrumada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o ônibus demorou. E demorou, demorou e demorou. Estava há meia hora na parada, já ficando preocupada em chegar atrasada na minha primeira semana do trabalho novo. Ao mesmo tempo em que essa preocupação surgia, também vinha uma inquietante desconfiança de que meu sonho de um ônibus vago poderia estar equivocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando avistei o tal ônibus, logo após meu suspiro de alívio, a confirmação: a porcaria da condução estava entulhada de gente, espremidas como em uma lata de sardinhas. Não, pior, espremidas como os dedos dos pés de uma bailarina. Maaas, eu estava atrasada. Não havia escolha, eu tinha de encarar. O motorista abriu a porta e só havia um pequeno espaço, no último degrau da escada, onde eu poderia me encaixar. Respirei fundo e entrei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suando feito uma porca na Caatinga, comprimida entre um homem fedido e uma mulher gorda, e ainda me segurando com minha única mão livre, procurava pensar em alguma coisa que fizesse o tempo passar logo, mas não adiantava. Meu humor estava indo para o espaço. Foi quando, já na altura do centro da cidade, aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diabo do motorista, desatento e apressado, raspou a lateral do ônibus em um carro da polícia que estava estacionado no acostamento, arrancando praticamente fora a porta da viatura. Todos no ônibus olhamos, assustados, com uma cara de "puta-que-pariu-só-faltava-essa" e esperamos o motorista parar e prestar contas com o policial. Isso seria o normal, óbvio. Mas como a normalidade e Michelle não nasceram para viverem juntas, o que o motorista fez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, ele FUGIU.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso mesmo! Ele arrancou com o ônibus e acelerou, iniciando uma corajosa fuga pelo centro da cidade. Os passageiros-sardinhas começaram a gritar, pois o fugitivo da polícia estava dirigindo como um louco, jogando seus passageiros para um lado e para o outro. Curvas perigosas, pneus cantando, pedestres se desviando... Estava me sentindo no próprio filme Velocidade Máxima, só que sem o glamour e sem o Keanu Reeves. Muitas das pessoas espremidas - eu entre elas - xingavam e gritavam para o desvairado homem parar com aquela insanidade. Que merda, todo mundo sabia que os policiais atingidos não iriam deixar barato. No entanto, outros passageiros - acho que desiludidos com a nossa polícia - começaram a gritar palavras de apoio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai lá, Seu Motorista!!! Esses policiais não vão pegar a gente nem a pau!!! Ieeeeeeeeeiiiiiii!!!!!! RAAASGA!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros repondiam:&lt;br /&gt;- PUTA QUE PARIU, SEU DOIDO FILHO DA PUTA, PÁRA COM A PORRA DESSE ÔNIBUS, TU VAI NOS MATAAAAAR!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em menos de vinte segundos, houve uma briga ferrenha entre os passageiros, ainda quando o motorista dava um semi cavalo-de-pau perto da Igreja da Sé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os policiais atingidos, obviamente, perseguiram o ônibus e não demorou muito para interceptar o fugitivo. Autuado em flagrante, o motorista desceu acabrunhado, esquecendo de abrir a porta para que as sardinhas, digo, os passageiros saírem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversa vai, conversa vem, e nada de abrirem as portas. A nossa salvação, antes, havia sido o ventinho que entrava pela janela enquanto o carro estava em movimento. Mas, agora, com ele parado, todo mundo estava ficando desidratado e com muito ódio no coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como descrever a quantidade de xingamentos que foram proferidos contra o famigerado fora-da-lei. O cidadão já estava escutando o maior esculacho da polícia, mas isso não bastava para nós, prisioneiros da pobreza. Tínhamos de expressar nosso imenso desagrado com todo o vocabulário chulo que adquirimos com anos e anos de falta de dinheiro. Depois de quase dez minutos, o diabo do homem abriu as portas, nos libertando daquela viagem mortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico me perguntando o que levou esse homem a fugir. Qualquer mente pensante chegaria à conclusão que essa ação não adiantaria, muito pelo contrário. Talvez ele estivesse estressado ou, talvez, ele já fosse um fugitivo da polícia por outro motivo qualquer. Mas, sinceramente, o que eu acho é que ele era apenas um homem desiludido com o sistema e um tantinho sem-noção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão: O motorista sem juízo foi preso e pegamos outro ônibus. Houve um assalto de três passageiros no outro ônibus que peguei. Cheguei ao estágio  com quinze minutos de atraso, suada e de roupa amassada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu disse que eu atraio essas coisas. Já me conformei. Mas isso é uma outra história.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-5478828003604740999?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/5478828003604740999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=5478828003604740999&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/5478828003604740999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/5478828003604740999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/12/fugindo-da-polcia-em-um-parangaba_26.html' title='Fugindo da Polícia em um Parangaba-Papicu'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-6730725450293989491</id><published>2007-12-23T12:10:00.000-03:00</published><updated>2007-12-23T12:28:51.602-03:00</updated><title type='text'>O tal do Espírito Natalino</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;.&lt;br /&gt;Há um ano atrás, conversei com um amigo meu sobre esse tal Espírito Natalino. Bem, eu não sou uma pessoa que acredita no Natal em si, digo, no surgimento dele pela visão da Igreja Católica... Entretanto, devo admitir que é uma data especial, mas, principalmente por causa desse tal espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, não vou dizer que ganhar presentes e ir para a festança da família não é legal, porque é. Mas ano após ano, eu acho absolutamente incrível que eu seja invariavelmente envolvida por esse sentimento de fraternidade e otimismo por um mundo melhor. Todo Natal, eu sinto que amo mais meus amigos e minha família, sempre achando que, no próximo ano, teremos um mundo melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*pensa um pouco*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, eu tentei fazer um post sério. O que eu disse anteriormente é a mais absoluta verdade. Mas logo vem aqueles pensamentos que me fazem ser a cabeça de vento que acho que eu sou. Fico imaginando que, no dia 24 de Dezembro, aparece um espírito fantasmagórico e com cara de bonachão, que joga um pó brilhoso na gente quando estamos dormindo, deixando-nos mais suscetíveis à esses bons sentimentos. Claro, esse pó sai depois de 24 horas ou 3 lavagens... É só porque se muita gente no mundo deixar de acreditar nesse espírito, ele morre. Porque ele não é um espírito de alguém que já foi vivo, ele surgiu graças ao pensamentos em comum de todas as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como os espíritos devem morrer, eu digo, ainda não pensei sobre isso. Mas deve ser algo muito brabo, tipo um outro espírito com uma espada olímpica do Além como uma labareda e... ahn... er... bem, deixa pra lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inclusive, acho que foi esse fanfarrão que me fez escrever esse post. Tenho quase certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz Natal para todos nós!!! ^^&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-6730725450293989491?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/6730725450293989491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=6730725450293989491&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/6730725450293989491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/6730725450293989491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/12/o-tal-do-esprito-natalino.html' title='O tal do Espírito Natalino'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-7894059579792341740</id><published>2007-12-21T14:42:00.001-03:00</published><updated>2007-12-22T23:42:16.073-03:00</updated><title type='text'>Quando bebo, viro artista: Acrobata Karateca que Sabia Matemática.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;Não importa onde eu esteja, desde que envolva álcool, sempre arranjo um jeito de demonstrar minhas habilidades artísticas ocultas pela sobriedade e pelo senso do ridículo. Dependendo do momento, já que sou bastante versátil nesse sentido, apresento os mais variados tipos de arte. Transformo-me em uma cantora de sucesso, atriz emocionada, atleta olímpica, comediante pastelona, poetisa exacerbada, jogadora profissional de sinuca, mímica expressiva e até mesmo uma&lt;em&gt; free-runner&lt;/em&gt;, dentre outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande problema, para mim, é que quando essa veia artística vem à tona, eu já estou enterrada na profundidade do meu subconsciente e não lembro de absolutamente nada do que eu faço. Por isso, eu digo que existem vários seres artísticos dentro da minha mente, libertados aleatoriamente pelo álcool e pela falta de noção. Na verdade, não sou eu que pratico toda essa arte... São os seres da minha cabeça. Sim, são sim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando atinei, pela primeira vez, que isso ocorria foi em um certo Ceará Music. Digo, pois, o que ingeri: quatro chopps, três goladas em uma garrafa de Rum Montilla e um celular de Ypióca Menta, não necessariamente nesta mesma ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desci do ônibus de ida já em dúvida sobre quem eu era. Quando passei pelas catracas da entrada do festival, já não sabia em que planeta eu estava. Devo dizer que, a partir deste momento, minha narrativa é baseada em uma cuidadosa apuração de testemunhos daqueles que presenciaram o despertar da Acrobata Karateca que Sabia Matemática. Porque eu não lembro é de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corridas curtas e pequenos pulos. Foi assim que começou. Enlouquecidamente animada, eu estav... digo, a Acrobata Karateca que Sabia Matemática – que vou abreviar para AKSM - estava saltitante pelo Ceará Music, puxando conversa com desconhecidos e afins. Em um determinado momento, ela vira para meu melhor amigo e diz:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Maaaaacho, saca só o mortal PRA TRÁS que eu vou dar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bem, vocês devem saber que eu não consigo fazer isso nem sóbria, imagine totalmente embriagada. Mas, epa! Não era eu! Era a AKSM!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse meu amigo, já me conhecendo bem, em um ato heróico suicida, pulou para salvar minha pele da loucura do meu alter ego. Ele conseguiu me segurar, mas lascou as costas dele por uma semana. Depois dessa, ele e meu ex-namorado – que também estava lá só olhando a marmota – resolveram me levar para o ambulatório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando lá, a AKSM entrou em parafuso. Começou a gritar, espernear, ameaçar dar golpes de karatê em quem se aproximasse. O meu amigo de costas lascadas, foi ver outro amigo nosso que também estava se passando no ambulatório e me deixou aos cuidados do meu ex. Ele era hemofílico, em um nível bastante sério da doença, que qualquer pancada ele tinha de tomar uma injeção de fator coagulante. Então resolveu usar isso contra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me segurando, ele disse:&lt;br /&gt;- Oh, se eu te soltar, tu promete ficar quietinha?&lt;br /&gt;- Eu vou é te dar um murro!!!&lt;br /&gt;- Tu vai ME bater???&lt;br /&gt;*POW*&lt;br /&gt;- Filha da p...! Tu me bateu!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, voltou o meu amigo acompanhado de uma enfermeira, que iria me injetar glicose para que a AKSM fosse embora. Quando a mulher se aproximou, fiquei quieta. Os meninos se espantaram e aguardaram. Na hora em que ela ia injetar a glicose na minha veia, a arte do karatê surgiu de novo e lasquei o chute na barriga da coitada da mulher, gritando com toda a força dos meus pulmões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- EEEEU QUEEEERO AAA MIIINHA TA-BU-A-DA!!!&lt;br /&gt;- O_o? Ela tá doida...&lt;br /&gt;- O_o? Mas do que ela tá falando?&lt;br /&gt;- O_o? É melhor vocês segurarem sua amiga...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horrorizados, os meninos me seguraram com mais força para que a mulher me aplicasse a injeção. Ainda bem que não lembro da dor, mas acredito que a enfermeira espancada tenha se vingado muito bem de mim, fazendo com que doesse bastante. Eu, no lugar dela, faria isso com certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Glicose fazendo efeito, AKMS indo embora e consciência voltando. Me vi, não mais que de repente, no meio do show dos Titãs. O que tinha acontecido? O show do Biquíni Cavadão – que era o que eu mais queria ver – não ia ser antes? Ahn? O quê...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chell... Tu bebeu demais e se passou.&lt;br /&gt;- Ahn?&lt;br /&gt;- Foi, tu quis dar um mortal pra trás e a gente te levou pro ambulatório.&lt;br /&gt;- Isso é mentira.&lt;br /&gt;- É verdade.&lt;br /&gt;- Como assiiiiiim?&lt;br /&gt;- Pois é. Depois tu deu um murro no teu namorado HEMOFÍLICO e um chutão na enfermeira.&lt;br /&gt;- Vocês tão frescando comigo.&lt;br /&gt;- É verdade.&lt;br /&gt;- Então eu perdi o show...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento comecei a chorar. Confesso, foi totalmente patético. Mas eu queria ver muito aquele show e a maldita AKSM me impediu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para minha sorte, o Biquíni Cavadão fez show também no outro dia e ainda iam gravar o DVD deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para meu azar, ainda não parei de beber.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-7894059579792341740?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/7894059579792341740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=7894059579792341740&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/7894059579792341740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/7894059579792341740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/12/quando-bebo-viro-artista-acrobata.html' title='Quando bebo, viro artista: Acrobata Karateca que Sabia Matemática.'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-1016787334558124088</id><published>2007-11-13T13:06:00.000-03:00</published><updated>2007-11-13T13:09:19.770-03:00</updated><title type='text'>O Inesquecível Passeio de Índio no Sítio do Bebeto</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Era o ano de 1992. Eu, meus pais, meus dois irmãos estávamos passando um feriadão em Paracuru, que era ainda uma cidade turística na época. Tudo estava ótimo: eu e os meninos andávamos de bicicleta à vontade, nosso primo Beto também estava lá para brincarmos, tomávamos banho de mar todo dia, íamos correr na pracinha à noite... Até a Maligna estava menos maligna neste fim de semana. Então, no sábado, meu pai teve a brilhante idéia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, que tal irmos para o sítio do Bebeto, aquele meu amigo da faculdade? Ele foi pra lá esse fim de semana e nos convidou. Fica a uns 60km daqui...&lt;br /&gt;- E tem alguma coisa pra fazer lá? – perguntou minha mãe.&lt;br /&gt;- Bom, ele disse que tem um rio muito legal, onde a gente pode pescar peixe e camarão, tomar banho... Tem também muito espaço pros meninos correrem. É bom eles verem como é uma vida de interior.&lt;br /&gt;- Gostei da idéia! Você sabe como chegar lá?&lt;br /&gt;- Eu nunca fui, mas ele me explicou e é bem facinho.&lt;br /&gt;- Ok. Crianças! Nós vamos pra um sítio amanhã de manhã!&lt;br /&gt;- YAAAAAAAY!!!! Podemos levar o Beto?&lt;br /&gt;- Claro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, meu pai nos acordou 5:30 da manhã, para chegarmos lá cedo. Foi um suplício, desde sempre odeio acordar. Nem minha mãe queria levantar naquela hora infame. Mas ele insistiu e todos nós estávamos prontos para sair às 6h, tomando apenas um copo de leite no desjejum. Eu, meus irmãos e nosso primo fomos apertados atrás, quase dormindo um por cima dos outros. Quando o carro alcançou a estrada, resvalei para o sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei novamente com minha mãe falando com meu pai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu não tinha dito que eram só 60km???&lt;br /&gt;- Foi o que ele me disse!&lt;br /&gt;- Mas a gente já andou bem uns 90km!!!&lt;br /&gt;- Eu sei, eu sei! Mas a entrada que ele falou não apareceu!&lt;br /&gt;- Vamos perguntar pra alguém...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carro foi guiado para o acostamento, perto de um senhor que andava de bicicleta. Minha mãe perguntou para o homem onde ficava a entrada para o Sítio Luzia, recebendo a seguinte notícia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mah é muito mais pracolá! Essa entrada aí fica mais de 50km pra lá.&lt;br /&gt;- O quê????&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher olhou para o marido, que, sem falar nada, acelerou com o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse cara nem deve saber o que é um quilômetro!&lt;br /&gt;- Tu tem certeza que o Bebeto falou 60km? Não foi 160km, não?&lt;br /&gt;- Claro que não! Ele disse 60km!&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Tá, tudo bem, eu posso ter escutado errado! Mas a gente já andou mais da metade do caminho, então vamos continuar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, crianças, estávamos extremamente entediadas com a viagem inesperadamente longa. Tentávamos inventar todo tipo de brincadeira para passar o tempo, mas não adiantava. Inquietos, sem nada para fazer, só nos restava uma alternativa para nos tirar daquela chatice: brigar. Socos, pontapés, gritarias e choro no banco de trás do carro terminaram de tirar minha mãe do sério. Ela virou com seu melhor olhar psicótico e gritou violentamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- SEUS ÍNDIOS!!! SELVAGENS!!! PAREM JÁ!!!!! OU VOU LARGAR OS QUATRO NA ESTRADA PROS URUBUS COMEREM ATÉ RESTAR SÓ OS OSSOS!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mami sempre teve a capacidade de nos ameaçar de forma que nos fazia acreditar que ela seria capaz de cumprir suas palavras. Então nos calamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, conseguimos encontrar o famigerado sítio. Lembro-me que a primeira sensação que tive ao vislumbrar o sítio foi a mais pura e simples... decepção. O sítio, na realidade, era uma fazendinha merreca, com umas cinco galinhas, uma vaca magra e uma casa de taipa. Havia um pé repleto de sirigüelas ainda verdes, um mato no chão um tanto seco, uma plantação de cana atrás da casa com uma floresta densa ao fundo. Até minha mãe ficou decepcionada, mas meu pai não se entregava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Êêêêê!!! Chegamos!!! U-hu!!! Desçam logo pra gente começar a brincar!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em silêncio, obedecemos. O pai falou com seu amigo, que logo nos convidou a ir pescar. Pegaram, então, vara de pescar e uma rede para camarão e se meteram no mato. Sem opção, adentramos no matagal, seguindo o tal do Bebeto. Achávamos que chegaríamos logo no tão falado açude, mas a caminhada foi longa. O sol estava escaldante e a areia muito quente. O caminho era complicado. Bebeto havia avisado para que não nos afastássemos dos adultos, pois poríamos nos perder. Havia muitas bifurcações e partes em que as árvores formavam uma densa parede, quase como um labirinto. Brincávamos com as plantas, tentávamos acertar calangos com baladeira, mas o sol estava incomodando. Minha mãe, que sempre apreciou o conforto, era a mais incomodada. Até meu pai estava cansando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um determinado momento, avistamos o açude ao longe. Apertamos um pouco o passo, felizes por termos onde tomar banho finalmente. Então, senti uma picada no meu pé, doendo tanto que me fez gritar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que foi, menina?&lt;br /&gt;- Ai... Acho que foi uma formiga vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, meu pai também gritou. Logo, meus irmãos, minha mãe, meu primo gritaram. Percebemos, então, que estávamos andando em cima do maior formigueiro que já havíamos visto em nossas vidas. E estávamos sob um terrível ataque. Aqueles insetos vermelhos começaram a subir em bando pelas nossas pernas. A partir do momento em que tivemos a infelicidade de pisar na morada daquelas formigas, estávamos fadados a sofrer as conseqüências de termos despertado a sua ira. Sem perdão nem piedade, aquele batalhão nos atacava vorazmente, defendendo seus lares com fúria, mostrando-nos quem eram os donos daquele pedaço e que não tínhamos a menor chance de vitória. Nós, humanos, seres superiores, racionais e mais fortes, tomamos a única ação que poderíamos executar: corremos como um bando de covardes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa manobra evasiva consistiu em correr para o açude e pular na água, nos livrando das formigas kamikazes que grudaram em nossas pernas e que não se importavam de dar suas vidas pela causa. O problema era que o solo debaixo da água era feito do mais nojento e verde lodo, nos afundando até a metade das pernas. Pergunta rápida: Lodo asqueroso ou as 300 milhões formigas de Esparta? De repente, o lodo não parecia mais tão nojento. Ficamos dentro da água, brincando, enquanto os três adultos iam pescar nosso almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três horas passaram-se. Saldo da pescaria: mamãe conseguiu uns dez camarões magros. Bebeto, mais experiente, uns vinte e cinco. Só meu pai, com sua rústica vara de pescar, não pegou nada. Nenhum peixe. Zero. E o homem, com o orgulho ferido, recusou-se a voltar para a casa antes de pegar, pelo menos, um peixe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio total. Todos concentraram seus pensamentos positivos – ou o que restava deles - para que papai conseguisse logo e fóssemos, por fim, almoçar. Felizmente, depois de alguns minutos, ele içou um peixe, que não devia ter mais de 10cm de comprimento. A questão é que meu pai pescador comemorou como se o Brasil tivesse ganhado uma final de Copa do Mundo contra a Argentina. Tirou foto, mostrou pra gente, sentiu-se o próprio caçador da Moby Dick.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, já eram cerca de 13h e a fome doía. Preparamos-nos para voltar ainda dentro da água. O único caminho de volta era a Terra Proibida. O lar das Bestas-Fera de Seis Patas. Seguramos todos os nossos pertences firmemente. Meu pai conferiu se todos estavam prontos e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- AGORA!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corremos como loucos por cima do formigueiro assassino, a fim de que nenhum daqueles insetos infernais tivesse a oportunidade de vingar-se dos mártires que morreram no ataque anterior. Felizmente, somente meu primo Beto ainda fora vítima de uma valente e solitária guerreira, que logo faleceu mediante aos tapas do garoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No complicado caminho de volta, Bebeto, o dono do sítio, novamente orientou para que as crianças ficassem próximas aos adultos, para que não se perdessem. Obedecemos, pois a fome não nos deixava fazer com que o caminho demorasse mais. No entanto, minha mãezinha, impaciente, disparou na frente a fim de chegar logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu vai se perder, ô mulher! – falou meu pai.&lt;br /&gt;- Não vou não, lembro bem do caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depressa, ela sumiu de nossas vistas, mas não nos preocupamos. Ela sempre fora destemida e mais forte que toda a família junta. Mas quando, finalmente, chegamos até a casa de taipa, logo percebermos que a mãe não tinha chegado. Agora, sim, preocupados, lá fomos nós partir – ainda famintos - em uma empreitada à caça da mulher perdida. Mas não sem, antes, entregar os camarões e a Moby Dick para a caseira já ir preparando a nossa comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, minha mãe perambulava pelo matagal, tentando acertar o caminho. Quando, relutantemente, convenceu-se de que estava perdida, manteve a calma. Parou no lugar onde estava para que a encontrassem mais facilmente. Sua placidez durou somente uns quinze minutos. Durou até o segundo fatídico em que, para sua mais completa infelicidade, uma cobra enorme passou bem na sua frente. Como minha mãe prefere ver o diabo bebendo o sangue de uma galinha preta viva do que ver uma cobra, desesperou-se totalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- AAAAAAAAAAAHHHHHHH!!!!!!! SOCOOOOOOOOOOORRO!!!!! EU TÔ PERDIDA!!! E AQUI TEM COBRA!!!!! SOCOOOOOOOORRO!!!!!!!!! ME AJUUUUUUUUUDEM!!!!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, para quem ainda não sabe, os gritos de minha mãe podem percorrer muitos quilômetros de distância. Desta forma, a famigerada cobra, sem querer, colaborou com nossa empreitada, pois passamos a nos guiar pelos sonoros ecos produzidos pela poderosa garganta de mamãe, quase como uma brincadeira de Marco Pólo fora da água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerca de dez minutos depois, a encontramos em cima de uma pedra, segurando ameaçadoramente um galho de árvore na mão, atenta como se pudesse ser atacada a qualquer momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resgatada a mulher perdida, retornamos, novamente, para a casa de taipa. Desta vez, todos segurando as mãos uns dos outros para que ninguém se perdesse. Chegando lá, já estávamos passando mal e, literalmente, desesperados de fome. Felizes e ansiosos, sentamos na soleira da porta aguardando nossos camarões, pouco ligando para o luto de meu pai pela morte da Moby Dick, de quem ele havia se apegado. Nossos olhos brilharam quando a caseira chegou com a panela. Finalmente, finalmente, degustaríamos nossos camarões a alho e óleo, que, obviamente, deveria vir com algum acompanhamento, como arroz e feijão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vã ilusão. Vieram os camarões nanicos e o cadáver da Moby Dick assados, tendo sido temperados apenas com sal. A decepção foi tão grande que eu, particularmente, quase chorei. Meu pai fez questão de comer a Moby Dick, não que fosse comida suficiente para ele. Nada ali era suficiente para ninguém. Comemos em silêncio, deprimidos e sentados na areia vermelha sob a sombra de uma árvore meio seca, nos sentindo como refugiados da Guerra do Golfo - ainda assunto recente na época – dividindo uma escassa ração após tantos flagelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedimos água. Veio um líquido que parecia um chá, mas, para nossa descrença, era água. Foi quando meu irmão, cheio de noção, manifestou em alto e bom tom seu desagrado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ecaaaaa! Mas essa água tá muuuuuuuito podre!!! Não tem água limpa pra beber aqui???&lt;br /&gt;- CALA A BOCA, MENINO! Tu me mata de vergonha... – esculachou logo minha mãezinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não preciso dizer que nossa fome não foi aplacada. Pelo contrário. Parecia que a comida e a água barrenta caíram no nosso estômago como uma bomba, que ativou nosso instinto de sobrevivência como se fóssemos os bandeirantes em 1500 desbravando o Sudeste do país. Partimos em bando atrás de caçar nossa própria comida. Nem que tivéssemos de matar os patos do sítio vizinho. Bem, conseguimos sim capturar um dos patos do sítio vizinho - que deu bobeira passeando foras dos limites de suas terras. Só que, novamente, meu pai se apegou ao diabo do pato e, desta vez, não ia permitir que o animal tivesse o mesmo destino da pequena Moby Dick. Sem muita demora, constatamos que esse negócio de caçar a própria comida não ia dar certo com a gente. Não se ela estivesse viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe, sempre à frente nas idéias, decidiu procurar árvores frutíferas. Depois de muito rodar, resolveu recorrer à plantação de cana atrás da casa. Mal ela quebrou um pé de cana, a mulher do caseiro veio correndo desesperada, dizendo que não podíamos arrancar nada dos pés de cana senão o marido dela iria espancá-la. Minha mãe olhou para o Bebeto, dono do sítio, esperando que ele se manifestasse. Ele encarou solenemente minha mãe e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, se o Toinho disse pra não mexer, a gente não mexe.&lt;br /&gt;- Mas você não é o dono do sítio, Bebeto???? – indagou minha mãe, revoltada.&lt;br /&gt;- Eu sou, mas, assim, eles vivem aí e foram eles que plantaram isso... Eu prefiro não mexer. Pra falar a verdade, nem conheço ele direito.&lt;br /&gt;- Cara, como é que tu bota um cidadão que não conhece pra cuidar do teu sítio??? – indignou-se meu pai.&lt;br /&gt;- Ah... relaxem. Ainda tem aquele pé de sirigüela ali. – disse ele, apontando para a árvore cheia de frutas verdes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, crianças, já estávamos cansados daquilo tudo e só queríamos ir para casa. Pelo menos lá tinha comida. Começamos a perturbar nossos pais, já perturbados, para partirmos, mas eles sabiam que, se fóssemos embora com aquela fome toda, a viagem seria um inferno. Minha mãe, sem falar nada, seguiu reto para o pé de sirigüela, o encarando com fúria, fome e desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, acostumada a subir em pés de árvore desde quando era menina, alcançou o galho mais alto rapidamente, comendo as frutinhas verdes. Ainda tentou fazer com que nós, crianças, comêssemos, mas só queríamos ir embora. Depois de ela e meu pai encherem a barriga, decidimos, pela graça divina, partir. Todos começamos a vestir as roupas comuns por cima das roupas de banho, completamente secas pelo calor. Meu primo, que odiava usar cueca, foi pra detrás de uma moita tirar sua sunga e vestir um calção. Só tinha um problema, aliás, dois. O primeiro: meu primo era tremendamente desastrado. Segundo: O calção era de zíper.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- AAAAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIII!!!!!! AI, AI, AI, AI, AI MEU DEEEEEEUUUUUUSSSSSSS!!!!!!! TIO!!!!!!! TIA!!!!! SOCOOOORRO!!!!! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIIIAIAIAIAIIAIAIAIAAI!!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus pais correram como loucos para o arbusto, achando que havia acontecido um encontro brutal entre o Beto e uma cobra. Mas, quando o alcançaram, ele estava aos prantos, com o zíper enganchado na pele de seus testículos. Depois de 10 minutos, meus pais voltaram com um sobrinho humilhado, triste e abatido. Nada mais parecia ter graça para ele. Em respeito, ficamos em silêncio. Entramos no carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento final, meu pai ainda tentou levar Donald, o pato, para criar, mas minha mãe simplesmente disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escuta. Se você levar qualquer coisa que seja desse sítio imbecil pra casa, nem que seja uma folha, eu destruo em mil pedaços.&lt;br /&gt;- Mas, o Donald...&lt;br /&gt;- ELE É UM PATO! NÃO VOU LEVAR UM PATO PRA CASA!!!&lt;br /&gt;- Mas não é qualquer pato!&lt;br /&gt;- Não quero saber!!! Se levar mesmo esse bicho, eu ARRANCO a cabeça dele fora e te OBRIGO a comer crua!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, eu já disse para vocês como minha mãe sabe fazer as ameaças soarem verdadeiras. Então meu pai se calou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucas palavras foram pronunciadas dentro do carro. Estávamos completamente exaustos. Chegamos em casa e cada um foi para o lugar da casa que mais lhe apetecia: cozinha, banheiro ou cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saldo do passeio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Irmão mais novo:&lt;/em&gt; Pernas inchadas devido ao ataque das formigas kamikazes, garganta inflamada e um ferimento no pé.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Irmão do meio:&lt;/em&gt; Pernas inchadas devido ao ataque das formigas kamikazes, garganta inflamada e gripe.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Primo Beto:&lt;/em&gt; Pernas inchadas devido ao ataque das formigas kamikazes, gripe, ferimento no... ahn... lá embaixo e dignidade abalada.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu:&lt;/em&gt; Pernas inchadas devido ao ataque das formigas kamikazes, garganta inflamada, dor de barriga e joelho ralado.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Minha mãe:&lt;/em&gt; Pernas inchadas devido ao ataque das formigas kamikazes, ferimento no pé, dor de barriga, gripe, cordas vocais acabadas e ódio no coração.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meu pai:&lt;/em&gt; Pernas inchadas devido ao ataque das formigas kamikazes, ferimento na mão, pés inchados, garganta inflamada, luto pela Moby Dick e remorso pelo abandono do Donald.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até hoje lembramos dessa viagem como “O Passeio de Índio no Sítio do Bebeto”. Se alguém chegar para minha mãe e perguntar: qual o passeio mais sem futuro da sua vida? Com certeza ela vai responder:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi aquele passeio de índio do sítio do Bebeto.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-1016787334558124088?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/1016787334558124088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=1016787334558124088&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/1016787334558124088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/1016787334558124088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/11/o-inesquecvel-passeio-de-ndio-no-stio.html' title='O Inesquecível Passeio de Índio no Sítio do Bebeto'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-6608643013653214641</id><published>2007-11-08T12:37:00.000-03:00</published><updated>2007-11-08T12:41:00.679-03:00</updated><title type='text'>Só Pensando.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Muitas pessoas já falaram de minha ignorância. Dizem que sou mal-humorada, enjoada, abusada, reclamona e bruta. Muitas vezes, me pego pensando nisso. Muito. Eu não sou uma pessoa essencialmente triste, então por que pareço tão amarga?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que algo que colabora bastante para essa impressão que todos têm de mim é a minha dificuldade de expressar carinho. Claro, abraço meus amigos, digo que gosto deles, mas aquilo que eu faço não é o suficiente para demonstrá-lo de fato. Alguns deles chegam a me obrigar a expressar-me. Parece até que tem uma barreira na minha mente, que só é frágil a apenas um único componente: o álcool.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eu me orgulhe disso. Claro, já passei por situações hilárias e memoráveis sob o efeito desse líquido – algumas contarei aqui -, mas odeio essa história de ficar mais verdadeira. Se eu tiver de ser verdadeira, que seja sóbria, ué. Apesar de que, caso eu expresse o que eu sinto por meus amigos sóbria, o que me restará para fazer bêbada? De duas, uma: ou eu paro de beber ou entro em colapso total e nunca mais serei a mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fatalista?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, estou apenas pensando. Também fico me perguntando se essa minha... barreira, por falta de palavra melhor, é um resquício de meu passado negro e sombrio, quando eu era tímida e sem amigos. Nessa época, eu fingia que não estava nem aí para ninguém, estava bem comigo mesma e foda-se os outros. Também não gosto disso, odeio esse negócio de justificar atitudes negativas através de traumas de infância. Acontece que só estou escrevendo o que vem na minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, por que raios estou escrevendo isso? Bem, faz tempo que esses pensamentos me incomodam e eu penso melhor escrevendo. Mas por que no blog, onde todos lêem? Nem todos lêem esse blog, só amigos a quem – confesso – quero que saibam que me preocupo com essas coisas. E será que escrever aqui vai adiantar alguma coisa? Pior que acho que não... Eu teria de escrever muito ainda para me entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que merda. Isso ficou quase parecendo texto de blog idiota, coisa que não quero que o meu seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pelo menos, eu não sou emo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-6608643013653214641?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/6608643013653214641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=6608643013653214641&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/6608643013653214641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/6608643013653214641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/11/s-pensando.html' title='Só Pensando.'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-3859391492883109737</id><published>2007-10-24T19:09:00.000-03:00</published><updated>2007-10-24T21:57:30.230-03:00</updated><title type='text'>Meu Primeiro Amor</title><content type='html'>.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos relacionamentos amorosos mais sinceros que eu tive na minha vida foi com um garoto chamado Tiago. Ele era carinhoso, gentil, bonito, inteligente, engraçado e ainda sabia dançar. A primeira vez em que prestei atenção nele foi quando um colega meu, da cadeira ao lado, comeu minha massinha de modelar vermelha, impossibilitando-me de continuar esculpindo as pétalas da flor que estava construindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, sim. Eu tinha quatro anos de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que meninos, para mim, não passavam de criaturinhas perturbadoras que gostavam de puxar meu cabelo - a exemplo de meus irmãos mais novos. Mas, quando o Tiago, sorrindo, estendeu sua tirinha de massa de modelar vermelha, percebi que poderia haver algo sobre os homens que eu ainda não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu era muito tímida, não tinha amigos e sentia-se deslocada no Maternal. Mas, desde o dia em que percebi Tiago, mal podia esperar para chegar à escola. Tornamo-nos os melhores amigos. Brincávamos juntos no recreio e sempre sentávamos ao lado na sala de aula. Dividíamos a lancheira, divagávamos sobre como os "fazedores de televisão" conseguiam enfiar pessoinhas tão pequenas dentro da TV e chegávamos até a especular sobre o preço de venda de nuvens no mercado, caso conseguíssemos pegar uma, claro. Por fim, decidimos que estávamos namorando, mas sem beijar na boca porque isso era coisa de adulto nojento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia das Crianças, a professora resolveu fazer uma pecinha sobre a música "A Pulga e o Percevejo". Sem pestanejar, ela determinou que eu faria a Pulga e Tiago faria meu marido Percevejo. Lembro que fizeram para mim uma linda roupinha de papel crepom de bolinhas vermelhas, pintaram meu rosto e disseram-me como dançar. Mas, como eu ainda era muito tímida, bem na hora de entrar no palco, desisti. Foi quando Tiago aproximou-se de mim, pegou a minha mão nas suas e disse: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu não sei como é uma pulga, mas acho que tu não parece uma pulga, porque tu é grande e bonita. Também não acho que eu pareço um perc... 'percebeju'&lt;/span&gt;." E ele me puxou pro palco. Aquela foi a primeira vez em que realmente percebi a existência de sentimentos maiores. A primeira vez na qual disse para mim mesma: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É, eu gosto desse menino&lt;/span&gt;". E lembro, como se fosse hoje, que o meu coração foi à mil por hora. E não era porque estava entrando no palco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano seguinte, fomos separados pelos meus pais, que se mudaram para Fortaleza. Mais outro ano depois de nossa separação, minhas lembranças sobre a sua doçura tornavam-se, apenas, lembranças distantes. Cresci, amadureci, conheci outros garotos e constatei,  outras vezes: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É, eu gosto desse menino&lt;/span&gt;". Nunca mais vi Tiago. Também não sabia como ele estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até Fevereiro deste ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava eu trabalhando, quando um rapaz veio até mim para pedir uma informação sobre um produto. Como sou muito boa fisionomista, tinha certeza absoluta que já havia visto aquele homem antes. Ele percebeu minha expressão e perguntou: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A gente se conhece de algum lugar?&lt;/span&gt;". Respondi-lhe que ele não me era estranho, mas não conseguia me lembrar. Foi quando ele avistou meu crachá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Michelle... Eu já estudei com uma menina chamada Michelle quando era pequeno.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como é seu nome?&lt;/span&gt;" - perguntei.&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tiago.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, eu lembrei. Voltei no tempo e lembrei do Tiago, o meu Tiago, do Maternal. Acredito que a surpresa ficou tão óbvia em meu rosto, que ele sorriu e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vai me dizer que você foi minha Pulga?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece até mentira que eu lembre tanto de algo que aconteceu há tanto tempo. Principalmente, um reencontro como esse. Mas foi verdade, a mais pura verdade. Sei que falamos apenas cinco minutos e nos despedimos novamente. Não sei que homem ele se tornou e, tampouco, ele sabe que mulher eu me tornei. Para falar a verdade, eu não quis estender demais aquela conversa. Porque, apesar de ele ainda possuir mesmo sorriso, eu não sabia o que poderia encontrar ali. E, definitivamente, prezo demais a lembrança de meu primeiro amor para continuar conversando com aquele Tiago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois ele não era mais o meu Tiago.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-3859391492883109737?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/3859391492883109737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=3859391492883109737&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/3859391492883109737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/3859391492883109737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/10/meu-primeiro-amor.html' title='Meu Primeiro Amor'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-4843922757420301815</id><published>2007-10-22T21:29:00.000-03:00</published><updated>2007-10-25T11:50:19.646-03:00</updated><title type='text'>O Vôo de Carolina</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;.&lt;br /&gt;Carolina tinha certeza de que podia voar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua certeza era tanta que ela poderia duvidar de todas as factualidades do mundo, menos de que podia voar. Assim como o Universo é infinito, como o Céu é azul e como ela amava o Paulo. De todas essas certezas, a mais absoluta de todas era a que ela possuía o poder de voar. O único problema é que ela nunca havia estado pronta. Até àquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do alto da colina, Carolina olhava para a imensidão do mar e sentiu-se extremamente feliz por seu dia ter chegado. Sentindo a grama sob seus pés, lembrou-se de quando percebeu - há muito anos - que esse poder era instrínsceco de seu ser. Era ainda uma menininha, quando acordara de um sonho perturbador e percebeu que havia caído alguns centímetros sobre sua cama. Sim, ela flutuou dormindo. Como ninguém nunca acreditou, ela considerou que devia ser um segredo entre ela e alguém, que, algum dia, haveria de conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde aquele momento, talvez epifânico, Carolina tentara voar novamente, sem sucesso. Procurou lembrar-se do sonho que tivera, mas ele nunca se mostrou novamente. Depois de todas as tentativas frustradas, Carolina não desanimou, muito pelo contrário. Essa era a prova pela qual deveria passar para conquistar o direito de voar. Sim, era isso. Mas tudo deveria ser feito com muita cautela, pois ela não queria morrer. Seria ridículo se, depois de tudo, ela estragasse tudo morrendo. Carolina só tentaria voar de verdade, do alto mesmo, quando acordasse em uma manhã e soubesse que aquele era o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;seu&lt;/span&gt; dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o seu dia chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo estava no estábulo, cuidando dos cavalos. Ele a levara naquela viagem com o intuito de pedi-la em casamento, o que ela já sabia. Tão meigamente previsível. Além do mais, ela sempre tivera o talento nato para entender as pessoas antes delas mesmas. Sua resposta já estava pronta - um "sim" - mas ela só seria dada após o momento mais aguardado de sua vida. Ela voaria. Então, depois de saber o que existe além de seu sonho, aceitaria a proposta de Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;É incrível como as coisa simplesmente acontecem quando é para que sejamos felizes. &lt;/span&gt;- pensou Carolina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carolina respirou fundo e olhou para o horizonte. Extasiada, quase estava sentindo seus pés deixando de tocar o chão. O vento soprou mais forte. Carolina sorriu. Um pássaro cantou ao longe. E Carolina saltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais se soube Carolina. Uma equipe de busca a procurou por muitos e muitos dias, sem nenhum sucesso. Talvez seu corpo tenha sido tragado para o fundo do oceano, foi o que disseram. Mas, talvez, somente talvez, tenham esquecido de olhar para o céu de vez olhar para o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-4843922757420301815?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/4843922757420301815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=4843922757420301815&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4843922757420301815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4843922757420301815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/10/o-vo-de-carolina.html' title='O Vôo de Carolina'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-4294679155872672892</id><published>2007-10-18T22:00:00.000-03:00</published><updated>2007-10-19T13:58:04.909-03:00</updated><title type='text'>Sábado no Parque</title><content type='html'>.&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Eu e minha família nunca tivemos a oportunidade - entenda-se, dinheiro - de viajarmos, todos ao mesmo tempo, para exterior ou mesmo para o Sul do país. Consequentemente, na minha infância e na de meus irmãos não existiu PlayCenter, Beto Carrero World ou, a utopia dos parques infantis, Disney World. Isso não significa, entretanto, que não nos divertíamos de verdade. Íamos à todos aqueles parques do interior do estado e era o máximo. Quando o Universal Park Center chegava em Fortaleza, então! Nossa! Era o paraíso dos parques! Tinha até, vejam só, montanha-russa!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, em um sábado qualquer, há cerca de quinze anos, meus pais decidiram nos levar a esse Universal Park, no Shopping Iguatemi. Nós três, crianças, estávamos ansiosíssimos para entrarmos e irmos logo em todos os brinquedos do parque, várias e várias vezes. Todas as crianças ali reagiam da mesma forma: corriam, gritavam e brincavam. Todos os pais, também, agiam da mesma forma: olhavam seus pequeninos brincarem e se cansarem, mas bem de longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Er... Não nossos pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles eram muito mais participativos e faziam questão de ir em TODOS os brinquedos conosco. A única regra era que eles revezavam entre si. Não queriam exagerar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quero ir na montanha-russa! - gritei eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papai e mamãe trocaram olhares e, veladamente, decidiram que ela iria primeiro. A mulher nunca havia andando de montanha-russa antes, mas, visualmente, não achou grande coisa. O tal brinquedo tinha umas três descidas e um único "looping", aquilo não poderia ser tão assustador. Já eu, era a ansiedade em pessoa. Minha mãe, sempre corajosa, tranquilizou-me a fila inteira. Mais alguns minutos e entramos, finalmente, no carrinho, que, logo, começou a subir... Ele subiu, subiu e, como não tinha muito o que subir, desceu. Pessoal. Sério. Eu juro para vocês. O grito que minha mãe deu ecoou pelo parque inteiro. Todos, absolutamente todos, no parque, olharam para a montanha-russa. Parecia que havia alguém morrendo lá. E ela não gritou só uma vez. Gritou aterrorizada também nas outras duas descidas e no único looping.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando descemos, meu pai ria tanto que estava vermelho. Minha mãe ficou um pouco chateada, claro, mas, enquanto cogitava brigar com o marido, o espírito da vingança tomou seu coração. Ela virou para meu irmão do meio, que na época tinha uns nove anos, e disse meigamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu filho, porque você não vai no Ranger?&lt;br /&gt;- Sério? Posso mesmo, mãe??? - os olhos do menino brilharam.&lt;br /&gt;- Ranger?? - espantou-se meu pai - Esse não é o tal brinquedo que pára de cabeça pra baixo e que tu nunca deixou os meninos irem?&lt;br /&gt;- Eles têm de aprender a serem mais corajosos, querido.&lt;br /&gt;- Por favor, pai, vamos, vamos! - implorou meu irmão.&lt;br /&gt;- Tá, vamos. E vocês? - perguntou para mim e para meu irmão caçula - Vão também?&lt;br /&gt;- Eu não! - respondi.&lt;br /&gt;- Nem. - falou o mais novo.&lt;br /&gt;- Bem, filho. - declarou o meu pai corajoso para o único filho corajoso - Somos só nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto estavam na fila, gritos terríveis saíam do Ranger. Olharam para cima e viram a altura do raio do brinquedo, fazendo com que ambos congelassem por dois segundos. Meu irmão, deixando a coragem e o orgulho de lado, pediu para não ir mais. Paizinho, abraçando o orgulho e altamente empolgado, recusou-se a sair da fila e praticamente ameaçou o filho totalmente assustado para que ele não desistisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado de fora, os três membros restantes da família observavam. Eu queria brincar em outros lugares, mas minha mãe disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De jeito nenhum! Eu TENHO que ver isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando o tal do Ranger começou a funcionar. De longe, dava para ver a expressão assustada do meu irmão e a euforia de papai. Tudo estava indo bem, até que o brinquedo ameaçou ficar de cabeça para baixo. Gritos, nada mais. Então o brinquedo foi, foi, foi... e parou de ponta cabeça. Tudo foi em questão de segundos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cartão caindo. Vários papéis planando. Um talão de cheque voando. E um grito vindo de cima:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- OLHA O CHEQUE!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu queirdo pai, juntando todas as suas forças, mesmo estando de cabeça para baixo, gritou à plenos pulmões para que resgatássemos seu talão de cheque voador. Ainda hoje me impressiono com a capacidade que ele tem que colocar TUDO no bolso da camisa. De qualquer forma, quando os dois desceram, meu irmão estava extremamente radiante e meu pai estava... verde. Saiu cambaleando e foi vomitar atrás da roda-gigante. Minha mãe, apesar de preocupada, não deixou de sentir o doce frescor da vingança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinte minutos depois, paizinho ainda se recuperando, carregamos mamãe para um outro brinquedo, chamado Rotor. Nele, as pessoas ficavam em pé, encostadas em uma parede, enquanto ele girava e virava de lado. Graças à Física, ninguém caía, pois ficávamos grudados na paredinha. Quando o Rotor finalmente parou, assistimos as pessoas saírem. Depois vimos meu irmão mais novo saindo. E então... Onde estava nossa mãe? Ficamos preocupado por um momento, enquanto o técnico do brinquedo entrava lá para ver o que tinha acontecido. Ele a encontrou lá, em pé, atracada ao brinquedo e de olhos fechados, tão tonta que achava que ainda estava, de fato, rodando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incansável e sem noção, meu pai já estava pronto para outra. Eu e os meninos estávamos exaustos e com fome, só queríamos saber da barraquinha de cachorro quente. Mas papai? Não, papai, não. Ele queria mais. Ainda tinha um brinquedo que ele não havia andando. O nome dele era Samba. O troço consistia no seguinte: era uma roda, parecida com um pandeiro gigante com assentos pelo lado de dentro, que sacudia e balançava, enquanto as pessoas tentavam se segurar sentadas e sem nenhum cinto de segurança. Papito, o Desbravador de Parquinhos, foi sozinho no Samba, pois nenhum de nós queríamos ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barulho de pessoas entrando no brinquedo. Assistimos, entediados, o chefe da nossa família sentando entre crianças e adolescentes. Mais um minuto. O pandeiro gigante começa a girar e a sacolejar. O Desbrador de Parquinhos até estava indo bem até a garota ao lado começar a escorregar. Como um bom cavalheiro, largou uma das mãos pra ajudá-la. Acredito que o maquinista, ou seja qual for o nome que se dê para os carinhas que cuidam dos brinquedos, avistou meu pai segurando-se em uma mão só e, sacanamente, fez a sacolejada do Samba ser mais violenta que o normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem... Vocês realmente querem que eu conte o resto? É bem óbvio. Ele caiu e ficou no meio do círculo, sendo jogado para cima e para todos os lados como um saco de batatas. E a preocupação de minha mãezinha, então... Foi simplesmente singela. Ela ria como se não restasse nada mais em sua vida a não ser gargalhar. Gargalhou, gargalhou, riu com todas as suas forças. Quando finalmente conseguiu parar de rir e começou a enxugar as lágrimas, paizinho desceu do brinquedo, pálido, gemendo e mancando. Então ela retomou as gargalhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso foram só alguns acontecimentos daquele dia. Às vezes, me frustro um pouco por nunca ter tido a oportunidade de ter ido à Disney. Mas, então, lembro dos meus pais, que se esforçaram absurdamente para fazer com que um parque local, sem quase nenhum atrativo, ser tão divertido que até hoje lembramos desses dias com um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disney? Pra quê? Eu tive meus pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-4294679155872672892?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/4294679155872672892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=4294679155872672892&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4294679155872672892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4294679155872672892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/10/sbado-no-parque.html' title='Sábado no Parque'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-258562760066975801</id><published>2007-10-08T09:36:00.000-03:00</published><updated>2007-10-08T13:42:20.654-03:00</updated><title type='text'>História de Marinheiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vôzinho, conta uma história!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho senhor, deitado em sua rede, olhou para os três netos pequenos, ávidos por mais uma história. A menina, mais velha, era sempre quem tinha a idéia de pedir que ele contasse histórias, chamando os irmãos mais novos para escutar também. O homem, que escutava apenas com o ouvido esquerdo – e, ainda assim, apenas 70% -, colocou a mão em concha na orelha, pois não havia entendido o que a neta disse.&lt;br /&gt;- Quê que é, minha neta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina, chegando perto da grande e enrugada orelha do avô, repetiu mais alto:&lt;br /&gt;- Conta uma história, vôzinho!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem sorriu, abrindo a rede para que ela fosse invadida por três crianças levadas, que adoravam viajar na rede do avô como se ali fosse um navio e eles fossem os imediatos daquele capitão de cabelos brancos.&lt;br /&gt;- Me digam então, meus netos... que história vocês querem ouvir?&lt;br /&gt;- Qualquer uma de quando o senhor viajava! – gritou um dos meninos.&lt;br /&gt;- Ah, mas têm muitas... Não sei qual contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças olhavam, aguardando, pois sabiam que o avô só estava fazendo suspense.&lt;br /&gt;- Pois bem. Vou contar de quando eu tinha quase 30 anos, quando estava navegando pelo Pacífico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pequenos já sabiam que Pacífico era um oceano, de histórias anteriores.&lt;br /&gt;- Bom, eu era sargento na época e estava com o Capitão recebendo orientações das nossas tarefas diárias. Todo dia, todo marujo do navio recebia uma função, que ia alternando de...&lt;br /&gt;- O que é alternando? – perguntou o mais novo.&lt;br /&gt;- ...ia mudando de pessoa para pessoa.&lt;br /&gt;- Aaaaaah...&lt;br /&gt;- Então, nesse dia, recebi a função de pescar. Só que todo mundo sabia que aquelas águas eram cheia de tubarões. Eles eram enormes, tão grandes que, durante a noite, a gente os ouvia baterem no casco do navio, para tirar as conchas que grudavam na sua pele. Ficavam batendo e batendo. Algumas noites nós não conseguíamos dormir, pois o barulho das pancadas era tão grande que chegávamos a pensar que eles iam furar o navio e nos puxar para o fundo do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três pequenos prestavam muita atenção em cada palavra pronunciada pelo marinheiro aposentado, imaginando-se naquela situação aterradora.&lt;br /&gt;- Mas – continuou o velho – o Capitão não queria saber de peixe pequeno. Queria que pescássemos um tubarão mesmo. Mas não tinha como usar vara de pescar. Eles a quebrariam em pedaços. Também não dava para usar o arpão – que é tipo uma lança – pois as águas eram muito turbulentas. Então lembrei de uma maneira de pescar um tanto desconhecida pelas pessoas, mas alguns marinheiros já tinham utilizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Fui até a cozinha em busca de alguns jerimuns que tinham lá. Eles eram enormes, tão grandes que nem passavam pela porta. Um jerimum precisava ser cortado em seis pedaços para sair da cozinha, até hoje nunca vi jerimuns tão grandes. Falei pro cozinheiro ferver os seis pedaços, cozinhando bem, para ficar muito, muito quente. Quando já estava quase pegando fogo, levei para a proa. Cortei um rato e joguei no mar, para atrair os tubarões, que chegavam famintos. Então, nessa hora, eu joguei os jerimuns ferventes no mar. Os tubarões os engoliram imediatamente, morrendo queimados por dentro. Depois, com eles boiando, era só puxar com uma rede de pesca. Pronto. Tínhamos tubarões para semanas e semanas depois desse dia.”&lt;br /&gt;- Ooooooh.... – espantaram-se as crianças.&lt;br /&gt;- Vamos pra cama, meninos – dizia a mãe das crianças, que pularam da rede do avô e correram para o quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor continuava na rede, lembrando-se dos velhos tempos. A nora, cética, olhava para o sogro, imaginando que ele era bastante criativo, mas que fazia tempo que ela não escutava uma mentira tão grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos anos depois, o velho marinheiro foi navegar no Céu. Passaram-se os anos e as crianças cresceram, mas as memórias das histórias continuavam e, apesar de acreditarem piamente que o avô contava, na realidade, histórias inventadas. Onde já se viu jerimuns tão grandes que era preciso cortar em seis pedaços para passar na porta? Onde já se viu, pescar tubarões com jerimuns ferventes? Mas ainda tinham boas lembranças do avô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, a menina que crescera estava lendo um livro de Jô Soares, o Xangô de Baker Street. Nele, mencionava-se que, antigamente, os marinheiros pescavam tubarões utilizando abóboras ferventes! Abóboras enormes e ferventes que eles cortavam e jogavam no mar, fazendo os animais morrerem queimados por dentro! Ela correra para a sala, onde se encontrava sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mãe, olha, olha isso aqui!&lt;br /&gt;- O que?&lt;br /&gt;- O vô tava falando a verdade, olha!&lt;br /&gt;- Mas do que...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher leu a passagem do livro que descrevia a ação, espantando-se também. Lembraram-se, então, de todas as histórias fantasiosas contadas pelo saudoso senhor. Sentiram-se mal, quase dez anos depois, por terem duvidado da experiência do marujo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um tempo, o mal-estar passou. Pois começaram a acreditar – ou, pelo menos, a dar o privilégio da dúvida -, em todas as outras incríveis histórias que o veterano de guerra gostava tanto de contar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-258562760066975801?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/258562760066975801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=258562760066975801&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/258562760066975801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/258562760066975801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/10/histria-de-marinheiro.html' title='História de Marinheiro'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-6841465166636536577</id><published>2007-10-01T10:50:00.000-03:00</published><updated>2007-10-01T17:55:57.345-03:00</updated><title type='text'>Sonhar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu simplesmente adoro sonhar. Acho absolutamente incrível que nossa mente crie tantas coisas, acontecimentos, seres, sentimentos sem que tenhamos consciência disso. Sou totalmente apaixonada pelos mundos que existem em minha cabeça, que eu mesma desconheço, e espanto-me, todas as vezes, por minha mente ir tão longe e ultrapassar todos os limites que eu sequer sabia que existiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que essa minha fascinação pelo Sonhar surgiu quando tive o primeiro do qual me recordo bem. Eu era bastante nova na época, mas lembro-me que fiquei completamente emocionada com ele. Tanto que, a partir desse dia, esforçava-me sempre para sonhar as mais incríveis coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu devia ter cerca de quatro anos de idade - ou menos – e adorava o desenho He-Man. No sonho, minha família havia sido raptada pelo Esqueleto, que deixou uma mensagem no céu para mim, dizendo que eu nunca mais os veria. Então, neste momento, somente He-Man poderia me ajudar. Sendo uma das poucas pessoas que sabiam que ele era o Príncipe Adam, corri ao castelo e pedi sua ajuda. Logo, ele transformou-se com sua espada de Greyskull e fui com ele para os domínios de Esqueleto. Chegando lá, houve uma batalha entre os arquiinimigos enquanto eu libertava minha família. He-Man venceu esqueleto e, depois, deu uma carona no Gato Guerreiro para nós quatro até nossa casa, no Pirambu, pois era caminho para o reino dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode rir do meu sonho, não tem problema. Mas imaginem esse sonho para uma criança de quatro anos. Foi a coisa mais maravilhosa que eu havia vivido até então. Fiquei imaginando que, quando dormíamos, viajávamos para outros mundos. Eu cresci, mas ainda acredito que vamos para outros mundos, ainda que não literalmente. Onde mais poderíamos voar? Ou saltar de um prédio para outro, beber toda a água do oceano, lutar contra E.T.’s, concluir o inconcluso, ou beijar aquele seu ídolo inatingível?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos já me disseram que têm o sono vazio e escuro, sendo apenas um espaço em que seu corpo descansa. Mas acredito que, se você abrir sua mente, deixa-la viajar, ela irá lhe proporcionar sensações magníficas. Até hoje, quando um dos mundos para o qual eu viajo me impressiona, eu o registro escrevendo. Porque, desta forma, eu nunca o esquecerei. E, mesmo que não consiga mais visitar esse mundo novamente, eu apenas o leio em meus escritos e logo sou transportada para lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se acredito que eles sempre têm significado? Bem, hei de convir que, às vezes, eles parecem apenas bobagens sem nexo. Mas, em muitas outras, encontramos soluções e conselhos para nossa vida. Basta procurar. Os sonhos são, nada mais, nada menos, uma maneira que possuímos de alcançar e conhecer o que existe em nosso inconsciente; uma chance de saber o que já sabemos, embora não façamos a menor idéia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Faça isso. Aprecie seus sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe, um dia, não nos encontramos em um mundo qualquer?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-6841465166636536577?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/6841465166636536577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=6841465166636536577&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/6841465166636536577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/6841465166636536577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/10/sonhar.html' title='Sonhar'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-6672300243512165770</id><published>2007-09-24T17:29:00.001-03:00</published><updated>2007-09-27T20:51:11.480-03:00</updated><title type='text'>No Grande Circular, tudo acontece: Briga de Velhos</title><content type='html'>.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse dia, eu tinha marcado de ir ao cinema com alguns amigos. Como meu pai não havia liberado o carro, o jeito foi pegar o ônibus para chegar ao shopping. Também nesse dia, estava com pena de pagar duas passagens de ônibus, então resolvi pegar o Grande Circular 2, que, apesar de levar muito a sério o seu próprio nome e circular pela cidade inteira, eu não teria de trocar de condução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava escutando minhas músicas japonesas com o MP3 Player, cantando o que conseguia na mente, quando um barulho ultrapassou o bloqueio dos fones de ouvido. Levantei os olhos e vi um senhor esbravejando com raiva e sacudindo uma bengala na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirei um dos fones do ouvido, para entender o que estava acontecendo. Todos no ônibus olhavam a enorme balburdia, causada por um casal de velhinhos que deviam ter cerca de 80 anos, que discutiam ferozmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai te lascar, velha nojenta, vai xingar o time das tuas ventas!!!&lt;br /&gt;- Esse Ceará é uma merda sim, digo e repito: eme-é-erre-mér-dê-a-dá: MER-DA! O Leão é que é time!&lt;br /&gt;- Cala a boca, carcaça lazarenta, que arrebento tua artrose à bengalada!&lt;br /&gt;- Vem, pra tu ver, sua caveira do cão, tu já devia estar era numa cova do São João Batista!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O zangado senhor estava sentado à esquerda do ônibus e a valente senhora do lado direito. Ambos gritavam as mais terríveis ofensas à idade um do outro, ignorando o fato de que deviam ter nascido mais ou menos na mesma época. Não havia a menor possibilidade de eu voltar a ouvir música. Primeiro: não tinha como ouvir direito, tamanha a gritaria. Segundo: quando raios eu teria de novo a oportunidade de presenciar uma violenta briga de velhos? Ainda mais sobre times de futebol?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Absolutamente todos os passageiros prestavam atenção, divertindo-se com os originais impropérios proferidos pelos dois e gargalhando com vontade. Logo, muitos passageiros começaram a tomar partido. O velhinho praguejava contra o Fortaleza e ouvia uivos de aprovação. A velhinha xingava o Ceará e ouvia gritos de guerra. Até que um infeliz gritou: “É isso aí, vó!!!!!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vó é a rapariga da quenga da tua mãe, seu filho de uma puta encardida!!!&lt;br /&gt;O velho:&lt;br /&gt;- HAUAHUAHAUHAUAU!!!&lt;br /&gt;- Pô, tia, eu tô do teu lado... – lamuriou-se o torcedor do Fortaleza intrometido.&lt;br /&gt;- Ainda é boca-suja, a cadáver do IML – aproveitou o velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora levantou-se furiosa. Acredito que a única coisa que a impediu de voar na garganta do senhor torcedor do Ceará foi sua evidente artrite. Aliás, tenho certeza disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senta aí, velha safada, essas tuas pernas murchas não agüentam ficar de pé – disparou o senhor, demonstrando delicada preocupação com sua inimiga e esquecendo que ele mesmo teve a maior dificuldade ao subir os degraus do ônibus.&lt;br /&gt;- Cala a boca, desdentado dos infernos!&lt;br /&gt;- Vem calar, esqueleta enrustida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus começou a realmente se empolgar. Um grupo de estudantes bagunceiros urrava a cada ofensa proferida: IEEEEEEEIII!!!!!!!!  E eu... bem, eu simplesmente não acreditava no que estava vendo. Dois velhos brigando e se ofendendo... e era a coisa mais engraçada do mundo. Eu ria tanto que minha barriga doía e com todos os passageiros ocorria o mesmo. O trocador mal se agüentava na cadeira, tanto que parou de passar os passageiros na roleta porque não conseguia mais contar o troco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso foi inédito para mim, sobre isso não há dúvidas. Mas o mais interessante de tudo é que, observando bem o casal briguento, podíamos ver que eles estavam, na verdade, se divertindo. Estavam adorando mesmo aquilo tudo. Gritavam ofensas, mas dava para perceber a sombra de um sorriso nos lábios de cada um. Os olhos de ambos brilhavam. Talvez, na velhice já cansada, não tinham mais fortes alegrias. Estou certa de que aquilo os estava divertindo como há tempos nada fazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de 10 minutos de briga, o velho homem deu sinal para descer. Todos nós, espectadores decepcionados, exclamamos: “Aaaahhhhhhh....”. No entanto, a senhora dizia enquanto o velho se levantava:&lt;br /&gt;- Graças a Deus que esse maracujá podre vai sair do ônibus, já não agüentava mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor não disse nada. Desceu do ônibus cuidadosa e calmamente. Foi quando, da parada, chamou:&lt;br /&gt;- Ei, diaba enjoada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A antiga torcedora do Fortaleza olhou pela janela. O antigo torcedor do Ceará continuou:&lt;br /&gt;- Se ocorrer da gente pegar o mesmo ônibus de novo, eu te peço em casamento, diaba!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher, atônita, ficou dois segundos sem saber o que dizer, mas falou por fim:&lt;br /&gt;- A gente se vê, caveira desdentada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os passageiros, surpresos e divertidos, gritaram, uivaram, fizeram festa para a senhora, que começou a rir dentro daquele Grande Circular. Todos davam parabéns à pretensa noiva de 80 anos de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como foi que essa briga começou?&lt;br /&gt;Bem, não faço a menor idéia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-6672300243512165770?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/6672300243512165770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=6672300243512165770&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/6672300243512165770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/6672300243512165770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/09/no-grande-circular-tudo-acontece-briga.html' title='No Grande Circular, tudo acontece: Briga de Velhos'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-6291093770819264890</id><published>2007-09-24T11:49:00.000-03:00</published><updated>2007-09-24T17:29:15.531-03:00</updated><title type='text'>Meu pai é melhor que o seu!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quatro crianças brincavam no playground em uma pracinha dentro do condomínio de prédios onde moravam. Como todo grupo de crianças de 6 anos de idade, estavam tendo a discussão mais velha dos jardins de infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro, ajeitando os óculos no nariz proeminente, começou:&lt;br /&gt;- Papai é o melhor pai do mundo! Ele é médico, dá remédio para todas as pessoas doentes da cidade e todo mundo fica bom!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos, já revelando o adulto que seria, retrucou com seu sarcasmo recém-descoberto:&lt;br /&gt;- Ah, é? Então porque a minha tia Justina morreu de câncer?&lt;br /&gt;- O que é câncer? – perguntou Marina.&lt;br /&gt;- Essa é fácil – respondeu Pedro, o sábio filho de médico – Só pega câncer quem fuma. Mamãe disse que cigarro sempre mata.&lt;br /&gt;- E sua tia fumava, Carlinhos? – indagou novamente Marina, curiosa.&lt;br /&gt;- Fumava... AH, então é por isso que a Juba sempre gritava pra minha tia que ainda ia ver ela morta.&lt;br /&gt;- Quem é Juba?&lt;br /&gt;- A filha da minha tia.&lt;br /&gt;- Sua prima, Carlinhos.&lt;br /&gt;- Não, burra, ela não é minha prima, ela é filha da minha tia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marina balançou a cabeça, desistindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o melhor mesmo é meu pai – retomou Carlos -. Ele é Engen... ‘Engeneiro’, ele faz prédios e manda em um monte de ‘predreiros’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre a mais inteligente, a menina rebate:&lt;br /&gt;- Não precisa ser Engenheiro pra mandar em pedreiro. Mamãe mandava num pedreiro lá de casa e o trabalho dela é só assistir TV e brincar com o Seu Osvaldo.&lt;br /&gt;- Sua mãe é adulta? – pergunta Pedro.&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;- Não pode ser. Adultos não brincam. Eles só trabalham.&lt;br /&gt;- Quem é Seu Osvaldo?&lt;br /&gt;- É um vizinho. Ele vai lá em casa de tarde brincar com a mamãe porque ela fica muito só quando papai vai pra loja. Foi o que ela me disse.&lt;br /&gt;- Deixa de ser burra, Marina. – disparou Carlos – Eles não brincam, eles tão mentindo pra tu.&lt;br /&gt;- Não tão não!&lt;br /&gt;- Tão sim! Mamãe dizia que ia pra casa da tia Justina pra ela não ficar só e a tia Justina morreu duas semanas depois.&lt;br /&gt;- O Seu Osvaldo fuma, Marina? – perguntou Pedro, já querendo fazer o diagnóstico.&lt;br /&gt;- Fuma! – constata a menina com uma expressão atemorizada.&lt;br /&gt;- Ta explicado.&lt;br /&gt;- Não acredito que o Seu Osvaldo vai morrer... Mesmo ele sendo tão velho, já tem 30 anos...&lt;br /&gt;- Cigarro mata. – enfatizou o mini-doutor.&lt;br /&gt;- Mata.&lt;br /&gt;- Mata mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, a quarta criança, Walyson, ouvia tudo em silêncio. Marina, sempre perguntando, dirigiu a palavra ao menino.&lt;br /&gt;- E o teu pai, Walyson, o que ele faz?&lt;br /&gt;- Eu tava esperando vocês terminarem pra eu falar do meu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pequena responde depressa:&lt;br /&gt;- Meu pai é gerente de uma loja. Ele que faz a loja ganhar dinheiro. Agora fala o que o seu pai faz.&lt;br /&gt;- Bom, - falou Walyson, indo pro balançador - meu pai é gigolô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio tomara conta do parquinho. Marina mexia a barra do seu vestido, Carlos chutava algumas pedrinhas e Pedro tentava colocar seu óculos no lugar usando apenas o nariz. Walyson balançava-se. Ninguém ousou falar nada até que, um minuto depois, Marina não conseguiu mais disfarçar a ignorância e rompeu o silêncio:&lt;br /&gt;- O que um gigolô faz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro e Carlos pararam o que estava fazendo e olharam, curiosos, para Walyson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um gigolô recebe dinheiro de mulheres frustradas e faz elas ficarem mais felizes.&lt;br /&gt;- Não entendi. – confessou Pedro e Marina assentiu.&lt;br /&gt;- Vocês são muito burros! – exclamou Carlos – É claro que uma mulher furada é triste! Tudo que ela bebe deve escorrer pra fora!&lt;br /&gt;- Carlinhos, - corrigiu Walyson – é frustrada e não furada.&lt;br /&gt;- Aaaaah... Agora sim, entendi. – falou Carlos.&lt;br /&gt;- Você sabe o que é frustrada, Carlinhos? – perguntou o pequeno casal que não tinha vergonha de admitir que não sabiam tudo sobre o mundo.&lt;br /&gt;- Claro que sei! Frustrada? É um tipo de... assim... É quando... Ah, deixa o Walyson explicar, que a história é dele.&lt;br /&gt;- Frustrada é uma mulher que é mal-amada. Foi o que papai disse.&lt;br /&gt;- Como se pode ser mal amada? Amor não é bom? – questionou a menina.&lt;br /&gt;- Não sei. Sei que meu pai ganha muitos presentes das mulheres que ele atende e a gente se mudou pra cá depois que ele conseguiu esse trabalho. Uma vez, quando minha irmã me levou pra casa, uma mulher ia saindo. Ela disse que meu pai era... como foi mesmo? Uma “máquina de prazer”. Acho que minha irmã não gostou de descobrir que meu pai é um robô, porque ela saiu chorando. Mas eu achei legal, vai ver eu viro um robô quando crescer!&lt;br /&gt;- Seu pai é um robô??? – perguntou Carlos.&lt;br /&gt;- Robôs assim não existem! – falou Pedro.&lt;br /&gt;- Existem sim. Meu pai é um robô de prazer que é um gigolô. Deve ser por isso que as pessoas sempre falam que é um prazer conhecer ele.&lt;br /&gt;- Mas falam isso pro meu pai também!&lt;br /&gt;- Pro meu também!&lt;br /&gt;- Pro meu também!&lt;br /&gt;- Será que o pai de vocês também é robô?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As outras três crianças levantaram-se ao mesmo tempo, correndo para casa a fim de perguntarem para seus pais se eles eram robôs. Walyson, contente, foi andando do parquinho para casa, pois já estava quase na hora de seu pai, seu herói, voltar da casa de D. Luciana, uma das clientes do Gigolô Robô de Prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que orgulho ele tinha de seu pai!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-6291093770819264890?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/6291093770819264890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=6291093770819264890&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/6291093770819264890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/6291093770819264890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/09/meu-pai-melhor-que-o-seu.html' title='Meu pai é melhor que o seu!'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-933802147049101911</id><published>2007-09-19T22:41:00.002-03:00</published><updated>2007-09-19T23:20:17.847-03:00</updated><title type='text'>Jonas x Jonas - Parte 1</title><content type='html'>.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Onde diabos eu estou?&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Isso foi o que Jonas se indagou ao mirar o teto desconhecido do quarto onde estava deitado. Olhou ao redor, procurando qualquer sinal que pudesse o fazer reconhecer aquele lugar, mas nada viu de familiar. O recinto estava uma zona: lençóis no chão, garrafas de vinhos vazias, roupas espalhadas, calcinha no ventilador, uma pizza fria no canto. Levantou-se, virou-se para o espelho e...&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Ele estava totalmente irreconhecível. Em seu olho havia uma enorme esquimose, fazendo parecer que tinha uma bola de beisebol sob sua pele. O cabelo estava desgrenhado e duro, como se um líquido viscoso tivesse secado nele. Estava nu da cintura para cima, totalmente arranhado, e toda sua vestimenta resumia-se a uma cueca com estampa de coraçõezinhos.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;- Mas que PORRA é essa??&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Que esquimose era essa? Que arranhões eram esses? Que merda é essa na sua cabeça? E o pior... De quem era aquela cueca???!&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Jonas estava totalmente aterrorizado. Para tudo ele poderia encontrar uma explicação. Mas e a cueca? Que explicação que se tinha? Jamais ele vestiria uma cueca tão ridícula... Mas, provavelmente, ele deve ter tido uma noite muito ridícula, pensou o homem. A última coisa que lembrava era estar conversando com o Carlos em uma boate. Com muito esforço, reconstituiu a última cena em sua mente:&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Carlos! Puta que pariuuuuu, Carlos, olha aquela dona ali olhando pra mim! Muuuuito boua!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Aonde?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Ali, porra, aquela ruiva lá! Com um gato na mão!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Jonas, aquilo é um quadro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- É mesmo uma obra de arte, essa ruiva...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- ...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Cara, pois é, eu decidi. Vô afogar minhas mágoas nessa minha décima segun... décima TERCEIRA dose de  cachaça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Cuidado pra não se afogar junto com as mágoas, mano.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Mermãããão, eu juro, vô tomar esse troço é todinho, tô vendo uma puta loira no fundo desse copo, ó... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Vai fundo, cara. Só assim mesmo pra tu comer uma mulher.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Pois eu vou é..........&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Nada mais. Sua memória só chegou até esse ponto e não resolveu forçar mais, a dor de cabeça era muito grande. Olhou para um porta-retrato na mesinha de cabeceira e viu uma mulher muito bonita.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;- Bem, nesse caso, a noite pode não ter sido tão ruim assim.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Reanimado, decidiu enveredar pelos outros recintos daquele local misterioso, a procura de alguma pista que rendesse mais detalhes do que poderia ter acontecido. Atravessou o corredor devagar na direção do que supunha ser a sala. Nas paredes, havia marcas vermelhas - talvez fosse sangue - com formato de mão. Horrorizado, constatou que o tamanho das mãos na parede era exatamente do mesmo tamanho da sua. Com todo o cuidado que um homem de ressaca pode ter, colocou sua cabeça para fora do corredor, formulando sua primeira impressão da sala.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Tudo que viu foi dois sofás laranjas, com algumas almofadas bagunçadas em cima e outras jogadas por todo o lugar. A mesinha de centro estava totalmente nojenta, com restos de comida e uma garrafa de Jack Daniels pela metade. Algo grudendo no chão. Do outro lado, uma varanda, de onde se conseguia ver apenas o céu. Seu coração acelerou de repente. Nenhum prédio em Fortaleza teria uma vista dessas. Quando alcançou o parapeito, sua cabeça rodou. Estava em um edifício que devia ter, pelo menos, uns 50  andares. Não reconheceu a cidade.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;- O que... Mas... Eu... ONDE DIABOS EU ESTOU???????&lt;br /&gt;- Cala a boca aí, meu! Tô tentando dormir!&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Jonas virou-se e tudo que viu foi uma cabeça de homem emergindo de trás do sofá.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;(continua)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-933802147049101911?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/933802147049101911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=933802147049101911&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/933802147049101911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/933802147049101911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/09/jonas-x-jonas_7129.html' title='Jonas x Jonas - Parte 1'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-5930859506378947922</id><published>2007-09-18T21:15:00.000-03:00</published><updated>2007-09-18T21:52:37.561-03:00</updated><title type='text'>No Grande Circular, Tudo Acontece: Flor de Liz</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os relógios já marcavam mais de 10h da noite, mas seus donos estavam cansados demais para consultá-los. O ônibus, com alguns assentos vagos, seguia solitário seu caminho de domingo a noite. Dos passageiros, havia apenas dois ou três festeiros entregues ao sono dos bêbados. No entanto, a grande maioria eram pessoas que trabalharam todo o feriado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O silêncio reinava entre os presentes, que estavam rendidos aos braços da exaustão e da melancolia de quem labutou enquanto seus amigos divertiam-se e descansavam. Os únicos sons que ainda se conseguia ouvir na condução eram o ranger dos parafusos velhos e as músicas tristes que saiam da rádio sintonizada pelo motorista. Eu, localizada nessa classe de trabalhores, lutava para não dormir, mas todo o ambiente não colaborava para me manter de olhos abertos. O trocador também dormia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse momento, onde o que poderia acontecer de mais interessante seria uma barata morrer de tédio, Caetano Veloso surgiu na rádio, interpretando uma canção que é interseção no gosto musical universal: Flor de Liz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Comecei a cantarolar baixinho, acompanhando Caetano involuntariamente, e meu sono diminuiu um pouco.  Meus ouvidos captaram uma outra voz, também cantarolando baixinho juntamente com o baiano. Levantei meus olhos e vi que a dona da voz era uma senhora humilde, vestida como zeladora. Nós duas, ao mesmo tempo, percebemos uma terceira pessoa também a cantar. Nossos olhares se encontraram e esboçamos um sorriso. O homem ao meu lado, saindo de seu devaneio, tornou-se a quarta pessoa do coro. Logo, antes mesmo do refrão, a música entoada por alguns passageiros se tornara bastante audível.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os bêbados levantaram as cabeças.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os olhos do motorista sorriram pelo retrovisor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O trocador acordou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"[...]&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E foi assim que eu vi&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nosso amor na poeira poeira&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Morto na beleza fria de Maria&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o meu jardim da vida&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ressecou, morreu&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do pé que brotou Maria&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nem margarida nasceu..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;...todo o ônibus, do motorista, do trocador a cada passageiro, cantou o refrão com espantosa alegria e vontade. Todos, ex-entediados, ex-cansados, ex-zangados, ex-tristes, todos estávamos cantando. Sorríamos abertamente, batucando nas cadeiras e nas bolsas, à plenos pulmões, despertos por um sentimento inesperado que nos invadiu através de uma música: felicidade. De repente, todos éramos iguais, unidos pela alegria e canção. Senti-me incrivelmente feliz nessa noite e dormi com uma paz como há muitos dias eu não tinha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desta forma, passei a acreditar que mesmo que estejamos cansados demais para ver a vida passando pelos nossos olhos, algo sempre nos lembrará o porquê de estarmos vivos, quando menos se espera. Seja em casa, no trabalho, nos sonhos, na rua, em qualquer lugar. Sempre surgirá algo, em algum lugar, que nos fará lembrar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca imaginei que, para mim, seria a Flor de Liz no Grande Circular 1.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-5930859506378947922?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/5930859506378947922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=5930859506378947922&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/5930859506378947922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/5930859506378947922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/09/no-grande-circular-tudo-acontece-flor.html' title='No Grande Circular, Tudo Acontece: Flor de Liz'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-2197490991007337093</id><published>2007-09-11T13:30:00.000-03:00</published><updated>2007-09-11T14:37:32.584-03:00</updated><title type='text'>Bichinhos de Estimação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quase todo mundo já criou um bicho de estimação. Seja cachorro, gato, lagarto, rato... já vi muitas espécies de animais recebendo amor e carinho de humanos que os tratam como membro da família. Alguns, nem tanto. O fato é que, hoje, me peguei especulando o porquê de, na minha casa, nunca termos tido um bicho comum. Digo, comum no sentido de ser completamente saudável, que come só comida que sua espécie gosta de comer, ter temperamento dentro do esperado e ser heterossexual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembro pouco do primeiro bicho que criamos, pois eu tinha apenas 6 anos de idade. Sei que era um cachorro, o qual eu, como boa baixinha da Xuxa, o nomeei de Xuxo. Era um pé-durinho muito fofo e extremamente medroso. O diabo do cachorro era muito, mas muito histérico. A qualquer barulho, Xuxo corria e se escondia. Tinha medo de altura, de panelas caindo, do grito da minha mãe, do meu pai, de tomar banho, da bacia de água, dos gatos, dos ratos, das baratas e dos cachorros menores que ele da rua. Dava era vergonha. Afinal, aquele cão era pra ser de guarda. Só que a gente era quem o protegia. Logo, seu nome ganhou um complemento: Xuxo, o Frouxo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois dele, criamos um casal de gatos: o Nino e a Nina. Ambos eram pé-duros também, mas o Nino devia ter a mãe fidalga, pois que era muito bonito. Já a Nina era horrorosa, magrela e chata. Ambos viviam em paz, dividindo a comida e o local de dormir. A única coisa em que discordavam era na hora de cruzar. A gata, safada, dava para todos os gatos da vizinhança, menos para o infeliz do marido dela. Nós éramos doidos para que os dois cruzassem, mas naaada, a gata se fazia de difícil e dava uma sola no Nino toda vez que o pobre tentava. Depois de muita frustração, acho que nosso bichano cansou de nunca dar sorte com o sexo feminino e partiu para novas opções. Isso mesmo. Ele virou gay. Sério! Eu estou falando sério! O raio do felino não queria mais saber de bichanas e tentava dar o bote nos machos da vizinhança. Mas ele também deve ter virado um gay frustrado, pois todos os gatos em que ele dava em cima defendiam sua honra com unhas e dentes. Literalmente. Por fim, acho que por não encontrar apoio para sua homossexualidade na família, Nino fugiu de casa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda com a Nina parindo horrores, meu pai trouxe outra cadela vira-lata para criarmos. Ele a encontrou na rua, fuçando atrás de comida. Como ela era bem magrelinha e devorava tudo que colocávamos para ela até não sobrar um só osso, a nomeamos de Magali. Toda a valentia que o Xuxo não tinha, a Magali aprensentava. Aquela sim, era uma cadela de guarda. Ela latia e avançava até em quem não queríamos, o que culminou na resolução de a deixarmos presa a maior parte do dia. Fizemos uma casinha para ela no quintal e ali ela ficava presa, latindo e tirando a paz dos vizinhos. Era feinha, a bichinha, mas gostávamos dela. Ela só tinha um grande problema: era uma desgraça de mãe. Em sua primeira ninhada, resolvemos deixá-la solta no quintal, pois ela estava em estado de graça. Para que fizemos isso?? Mal sabíamos nós que a cachorra tinha parte com o Tatu. Sim, a Tatugali cavou o quintal todo, fazendo um verdadeiro túnel que terminava debaixo do alicerce da casa e parindo os filhotes lá. É facil deduzir o que aconteceu: em um local úmido, sem luz e ar fresco, com uma mãe que deitava em cima dos filhotes para amamentar... bem, todos morreram. Nas outras ninhadas - para o bem dos filhotes e da casa - a prendíamos, mas ela sempre dava um jeito de matar a maioria dos filhotes. Acho que por causa disso, recebeu um castigo divino, contraiu um câncer e morreu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Decidimos, então, criar um casal de filhotes remanescentes de Magali. À fêmea, demos o nome de Catunga (em homenagem a uma amiga minha do colégio de quem gostava muito) e ao macho, demos o nome de Odugo (porque era legal de pronunciar). Ambos eram uns amores, tanto que se davam bem com até com a chata da Nina, que já tava meio derrubada pela idade. Mas dois cães eram demais. Muita comida, muita bagunça. Tivemos de decidir: Odugo ou Catunga? Não sabíamos. Fizemos um sorteio e quem partiu foi o Odugo. Com o tempo, a Nina foi embora de casa - ou deve ter morrido pelos telhados alheios - e estávamos só com a Catunga. Como herança da parte Tatu da mãe dela, sempre destruía o quintal e comia - sim, comia - todas as plantas de minha mãe. Prendemos ela também. Ela teve uma vida meio infeliz, confesso, já que era presa 100% do tempo... Tentávamos suprir isso dando tudo que ela queria, até a bendita Coca-cola. Ela ADORAVA Coca-cola, bebia como se fosse água. Gostava também de cenoura, alface e chá. Tínhamos ali uma cachorra com potencial para ser vegetariana, olha só! Mas a bichinha contraiu uma doença grave e, depois de 7 anos, faleceu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com a morte de Catunga, nos sentimos horríveis por ela ter vivido todo esse tempo amarrada no quintal. A culpa era tamanha, que pegamos uma outra cadela vira-lata, chamada Buffy, e a tratamos como rainha. Ela andava por onde quisesse, a levávamos para passear, a comida era da melhor que tinha. O tratamento era tão bom que despertou o ciúme da Maligna. Não sabe quem é a Maligna? É a minha avó. Por nossas costas, ela deu a Buffy para um homem que passava na rua. Nunca mais a vimos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se a Buffy foi fruto da culpa, nosso mais novo cachorro Ken, foi fruto da vingança. Meu pai, filho da Maligna, falou:&lt;em&gt; "Ciúmes??? Pois ela vai ver o que é ciúmes! Eu vou comprar o cachorro mais bonito daquela &amp;%#$@ de pet shop e vou tratar esse bicho melhor que 3 Buffys juntas!!!! Ah, se vou!!!&lt;/em&gt;". Ken, um akita, nosso primeiro cão de raça, está aqui do meu lado enquanto escrevo, curtindo sua boa vida. Para não fugir à regra de bichos estranhos, ele veio com um defeito de fábrica - uma deformidade nas patas traseiras - que só percebemos quando já era tarde demais para devolver, pois já havíamos nos apegado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque nossos bichos são tão estranhos? Não é o ambiente da casa, eu sei. Só pode ser culpa nossa. Minha mãe, por exemplo, quando era pequena, criou um porco que achava que era um cachorro. Meu pai criou um cão chamado Spikining, em homenagem à nave espacial Sputinick (não souberam procuniar o nome direito), que tinha a cara deformada. O macaco da família odiava o Spikining, mas somente até encher a cara de cerveja - que tomava em um dedal -, pois, bêbado, abraçava o cachorro como se fosse um filho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o importante é o amor pelo bichinho, não é? Não façam como uma certa loira que conheço, que tentou criar um caranguejo, mas o matou no final do dia. Ou como meu irmão, que assassinou um gato só porque ele não queria brincar com ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se seu bicho quer beber coca-cola, dê. Se quer comer verdura, dê também. Se seu porco achar que é um cachorro, e daí? É a vida dele. Tome cuidado com cachorros-tatus, pois são perigosos para sua casa. Se ele é medroso, o proteja. Aceite a homossexualidade deles, os tempos são outros, meu amigo. Dê apoio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes de pensar que ele é diferente, pense nas próprias esquisitices. Aí você vai ver que seu bicho é normal. Ele só tem personalidade forte. Só isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-2197490991007337093?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/2197490991007337093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=2197490991007337093&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2197490991007337093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2197490991007337093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/09/bichinhos-de-estimao.html' title='Bichinhos de Estimação'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-4367651563790015334</id><published>2007-09-05T10:29:00.001-03:00</published><updated>2007-09-05T15:28:39.509-03:00</updated><title type='text'>Discrição</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu nunca realmente soube como ser discreta. Lembro-me que, durante minha vida escolar, várias vezes minhas amigas reclamaram que eu não sabia fazer algo discretamente. Quando elas diziam para olhar algum meninozinho que achavam bonito e que, pra infelicidade delas, estava atrás de mim, eu virava de uma vez, olhando claramente para ele. Quando não, apontava com o indicador, dizendo em voz alta: &lt;em&gt;"Quem? Aquele ali?"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assustei muitos meninos desse jeito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas que diabos! Como se virar e avaliar uma pessoa sem passar pelo menos 2 segundos olhando para ela? Qual a desculpa que eu deveria ter para virar sem motivo algum? Nunca me surgia nada na hora...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha família sofre muito com esses casos de indiscrição. Pai, mãe, irmãos... Todos são assim. Vejam os casos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Caso nº1:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha mãe, ainda com seus 19 anos, saiu com suas amigas para se divertir em um clube noturno. Dentre essas amigas, havia uma que tinha um corpo escultural, porém seu rosto não combinava com seu corpo. A pobre era, digamos... um tanto feinha, como se tivesse sido atropelada por uma britadeira. Mas, de costas, a mulher era fenomenal. Determinada hora, elas conversando, veio um rapaz chamar a tal da moça para dançar. Estava escuro, ele a viu de costas... alguém com um corpo tão perfeito devia ter o rosto mais perfeito ainda! Mas, quando ela se virou, o rapaz tomou, literalmente, um susto e deu um grito, pedindo desculpas e saindo. O que as amigas deveriam fazer em uma situação constrangedora dessas? Fingir que não viu nada, que nada aconteceu. Mas minha mãe... Não. Ela começou a gargalhar freneticamente, gargalhar alto sem conseguir se controlar. Depois, terrivelmente arrependida, foi pedir desculpas à amiga, explicando que era risonha demais. Mas a mulher ficou uma semana sem falar com ela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Caso nº2:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu pai, visitando seus clientes, tinha que tirar uma foto da equipe de cada loja que passava. Uma tarde, pediu que todos os funcionários se reunissem para uma foto, que seria publicada no jornal da empresa. A mulher do dono da loja, cujo corpo já estava meio castigado pelos anos, disse, fazendo graça: &lt;em&gt;"Olha lá, hein? Quero sair bem bonita nessa foto!"&lt;/em&gt;. Meu paizinho, esquecendo que tava falando com a mulher do seu cliente e com toda a noção que existe em seu ser, replicou: &lt;em&gt;"Com você na foto?? Tá difícil..."&lt;/em&gt;. A mulher, desconcertada, sorriu sem jeito. Então ele percebeu o que tinha feito e completou: &lt;em&gt;"Er... Tá difícil porque essa máquina tá com um problema de focalizar, aí as fotos saem meio borrada, então, na verdade, não faz diferença de quem tá na foto, até porque não sei bater foto bem, mas, contudo... pois é... eu... Digam XIIIISSS!!!".&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Caso nº3:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava eu com meu irmão do meio, que é um ano mais novo que eu, passeando no shopping. Ele tinha 9 anos de idade, já dá para ter uma boa noção de comportamento. Estávamos na praça de alimentação, quando passou por nós um homem que possuia hidrocefalia. Todo mundo percebia, claro, mas disfarçava. Até eu me esforcei, não queria deixar o pobre homem com mais vergonha que ele já devia sentir. Foi quando meu irmão, levanta a mão direita, aponta com o indicador e expressa todo seu espanto genuíno: &lt;em&gt;"CARAMBA, OLHA SÓ O TAMANHO DA CABEÇA DAQUELE HOMEM!!!!!!!"&lt;/em&gt;. Até aqueles que não tinham olhado para o homem, tiveram de olhar. Não sei qual foi a reação dele, porque, nessa hora, abaixei minha cabeça e só queria um buraco para me enterrar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Caso nº4:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu irmão mais novo é o que ainda consegue ser o mais discreto de todos. Mas ainda dá suas gafes. Ele tinha já uns 12 anos, quando nossa família fez uma incursão pelo interior do Ceará, parando em várias cidades. Em uma região que não lembro mais o nome, paramos em um sítio de um amigo do meu pai. Esse sítio não tinha energia elétrica, esgoto, nem água potável. A água era tirada de um poço que foi cavado pelo avó do dono do sítio. Bem, estávamos, sob um sol escaldante, nos divertindo assustando algumas galinhas, quando deu sede. Pedi água para a Senhora da casa, que nos deu 3 copos de barro e os encheu com água do pote. A água era meio amarela por causa do barro, parecia suja... Fiquei meio sem jeito de recusar e acabei logo com a dor, bebendo de olhos fechados. O do meio, em um rompante de bom senso, fingiu que ia beber fora da casa e derramou o líquido atrás do galinheiro. Já o mais novo... Olhou, olhou e olhou para a própria água, até abrir a boca e dizer, para o horror de minha mãe que estava do lado: &lt;em&gt;"Ecaaaaa! Mas essa água tá muuuuuuuito podre!!! Não tem água limpa pra beber aqui???". &lt;/em&gt;Calma, amigos, que piora. Minha mãe: &lt;em&gt;"Que é isso, menino! Essa é a água de beber!"&lt;/em&gt;. Meu irmão: &lt;em&gt;"É não, mãe, nem a água da Catunga é tão suja assim!"&lt;/em&gt;. À título de informação: Catunga era a nossa cadela...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora, me falem, sério! Olhem essa família! Eu tenho culpa de ser assim?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-4367651563790015334?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/4367651563790015334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=4367651563790015334&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4367651563790015334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4367651563790015334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/09/discrio.html' title='Discrição'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-4688778414183209763</id><published>2007-09-03T22:21:00.000-03:00</published><updated>2007-09-04T16:31:14.704-03:00</updated><title type='text'>Você sabe do que é capaz?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Você sabe responder essa pergunta? Sabe mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois eu ouso afirmar que, independente do que você pensou, a resposta certa para essa pergunta é NÃO. E nem adianta discordar, meu caro, porque não, você não sabe! Excessões se aplicam somente em casos de você estar em um hospício, uma cadeia ou&lt;em&gt; living la vida loca&lt;/em&gt; em algum buraco psicodélico do mundo. Maaas, como você está bem aí, em algum computador lendo este blog, acredito que não se enquadre em quaisquer dessas opções. Bom, espero que não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De qualquer maneira, hoje me peguei traçando um paralelo entre o meu Eu de 10 anos atrás e o meu Eu de agora. Garanto que, se meu Eu-Passado soubesse que iria fazer coisas que o Eu-Presente já fez, iria direto para algum mosteiro tibetano ficar acorrentado, tomando banho de cachoeira, enquanto medita para livrar a mente de pensamentos indignos. Mas, como a gente nunca sabe do que é capaz, vai que meu Eu-Passado gostasse da idéia e começasse a agir mais cedo? Nunca saberemos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mentes maldosas, concentrem-se. Eu estou falando de todo e qualquer tipo de atitude. Desde falar com uma pessoa que você destestava - e descobrir que ela pode ser sua melhor amiga - a sair rolando bêbado em uma ladeira íngreme de calçamento por vontade própria. Não que eu tenha feito isso... Ahn... De qualquer modo, pensem nos limites do seu próprio corpo, dos seus próprios gostos. Será que é isso mesmo? Bem, só sei que, nessas horas de... libertação, por assim dizer, você fica altamente surpreso consigo mesmo, se perguntando como, porquê e quais as circunstâncias que levaram você a fazer aquilo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem de vocês já subiu descalço, de olhos fechados, em uma cerca de arame farpado? Eu já, e não pisei em nenhuma farpa (isso até pareceu uma metáfora, mas foi verdade). Um exemplo mais abrangente: Quem já levou uma discussão até as últimas consequências? Você achava que seria capaz de chegar até essas "últimas consequências"? Hum... Faz um retrospecto aí, amigo. O que você acha?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Quer dizer que... eu sou LOUCO?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não, você não é louco. Não por isso. Você é apenas um ser humano, com capacidades potencialmente infinitas, limitadas apenas pelo medo da morte e pelo bizarro senso de humor do acaso. Um ser humano que, infelizmente, não tem consciência disso. Acredito que a maioria das pessoas nem podem ter consciência disso, na verdade. Isso porque grande maioria de nós é inconsequente quando se trata da própria mente. A triste verdade é que todos nós nos subestimamos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para o bem e para o mal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-4688778414183209763?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/4688778414183209763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=4688778414183209763&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4688778414183209763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4688778414183209763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/09/voc-sabe-do-que-capaz.html' title='Você sabe do que é capaz?'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-2874510764747562299</id><published>2007-08-29T17:24:00.001-03:00</published><updated>2007-08-30T16:26:09.862-03:00</updated><title type='text'>O Tempo de Maria</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quisera Maria ter tido tempo de agüar suas orquídeas. Quisera ela ter tido tempo de dar comida ao gato, de limpar as aranhas do teto, de colocar a capa do sofá. Também quisera comprar uma televisão maior, alugar uns vídeos, ter um domingo de pipoca. Sempre quisera mudar o pequeno televisor preto-e-branco de lugar, mas não tinha tempo. Aqueles poucos minutos que utilizaria movendo o móvel do canto seriam melhor aproveitados se ela, em vez disso, dormisse após o lanche da tarde.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquelas tão adiadas palavras nunca saíram de sua boca porque ela achava que seria melhor escrever; mas nunca sentou à mesa para empunhar seu lápis. O exercício que seu coração, já bem cansado, precisava, preferiu protelar para quando tivesse tempo. Enquanto isso, sentava na cadeira de balanço do jardim e pensava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pensava que quando pudesse, iria ao cemitério levar flores àquele que deveria ter ouvido tais palavras 50 anos atrás. Mas, se ele esperou tanto tempo, porque não poderia esperar mais um pouco? Talvez até entregasse pessoalmente a carta, veja só. Não soava uma má idéia. Não iria demorar muito. Mas ela ainda tinha de escrever a tal da carta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As orquídeas já nem esperavam mais Maria ter tempo. Esperavam, apenas, com sua delicada resignação, aqueles respingos de chuva que a janela permitia entrar. Logo, elas aprenderam que isso não acontecia sempre. O pobre gato, um dia mimado, agora era arisco, de coração partido e um tanto ressentido por ter de caçar sua própria comida. O barulho de sacolas na cozinha deixou de significar felicidade para ele. Tudo que importava eram os ruídos do lixão atrás do quintal. As aranhas do teto, felizes, transformaram a humilde morada em mansão, e o sofá sem capa dela fazia parte. O velho televisor continuava a esperar o domingo de pipoca, mas - veja só - nunca deixou de ser sábado para Maria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E assim continuou. Maria não teve tempo, até que o próprio Tempo cansou. Cansou de dar o ar de sua graça sem que Maria o reconhecesse. Até os móveis da casa tinham percebido. O coração dela tentou avisar algumas vezes - diversas vezes, na verdade - que ele, o Tempo, estava perdendo a paciência. No entanto, infelizmente para Maria, ela não lhe dava atenção, pois achava que seu aflito coração já estava debaixo da terra há 50 anos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na cadeira de balanço, Maria não percebeu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na cadeira de balanço, Maria morreu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-2874510764747562299?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/2874510764747562299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=2874510764747562299&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2874510764747562299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2874510764747562299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/08/o-tempo-de-maria.html' title='O Tempo de Maria'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-3345708464843848408</id><published>2007-08-24T08:16:00.000-03:00</published><updated>2007-08-28T14:43:41.704-03:00</updated><title type='text'>Noivado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era uma vez um rapaz de 19 anos chamado Alberto, que namorava uma mulher de 22 anos chamada Fabíola. Um dia, quando terminaram-se as aulas do dia na faculdade, Alberto resolveu pegar sua bicicleta e buscar a namorada que trabalhava no centro da cidade. No caminho, pensava no que comprar para sua amada - ela completaria 23 anos no dia seguinte - que estivesse dentro dos padrões de sua mesada semanal. Seus pais moravam em Paracuru e só davam o dinheiro do transporte e da comida, muito pouco para extras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto ainda pensava nisso quando chegou à grande loja na qual Fabíola trabalhava. Deixou a bicicleta próximo ao amigo segurança e entrou. Antes mesmo de perceber que seu namorado estava ali, Fabíola ouviu seu nome ser chamado ao som da loja: &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;"Atenção, Fabíola, atender ramal 2030". &lt;/span&gt;Quando ela ligou para o ramal interno, ouviu uma colega, que trabalha na frente de loja, dizer:&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt; "Ei, mulher, teu 'baby' acabou de entrar! Não tem vergonha de namorar uma criança dessas não?".&lt;/span&gt; Sorrindo, ela correu para o bolsário, bateu o ponto, pegou suas coisas e foi encontrá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pobre rapaz, nem teve a chance de expressar sua felicidade em vê-la, pois ela foi logo falando:&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;-Vamos ali.&lt;br /&gt;-Ali aonde?&lt;br /&gt;-Confie em mim. Vamos!&lt;br /&gt;-Tá, então deixa eu pegar minha bicicleta.&lt;br /&gt;-Não, não, dá pra gente ir a pé.&lt;br /&gt;-Mas pra onde a gente vai, mulher de Deus?&lt;br /&gt;-Aguarde.&lt;br /&gt;-...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fabíola saiu andando depressa pelo centro da cidade, com destino ainda desconhecido para o namorado, que matutava, aflito, como ia dar tempo de comprar o presente de aniversário ainda naquela noite. Ela ia na frente, guiando com pressa, habilidosamente desviando-se da massa de gente, enquanto o rapaz corria para acompanhá-la. Ele tentava não perder de vista a longa trança que balançava nas costas de Fabíola, cujos passos determinados pararam, abruptamente, em frente à Casa dos Relojoeiros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-É aqui.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-O quê? Vai comprar um relógio?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Não... Dá uma olhada naquelas alianças ali.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-O quê? Quais?...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Essas aqui, ó. Que eu tô apontando.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Ahn... Que é que têm elas?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-São bonitas?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-É, são, mas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Então entra na loja comigo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Tá...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse momento, a mente de Alberto começou a funcionar furiosamente. O que era aquilo? Eles namoravam há dois anos e tudo parecia indo bem. Eles nunca haviam falado em sério sobre casamento, até porque ele ainda estava na faculdade. Aliás, havia acabado de entrar na faculdade. O que ela estava pensando? Como ele ia ajudar no sustento? Com a mesada? Será que ele deu a entender algo que não percebeu? Ou... Oh, meu Deus... Ela estava grávida?!?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro, olhando Fabíola comprando as alianças, sua fisionomia impassível escondia todas essas indagações. Não queria que o vendedor ficasse pensando coisas estranhas, como, por exemplo, a namorada comprar alianças sem avisar o namorado. Faria as perguntas quando saíssem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de experimentar a aliança, esperar Fabíola sair do Crediário e, finalmente, ganhar a rua, ele perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Meu amor, o que significa isso?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Como assim? São nossas alianças de noivado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Mas... A gente não tem nada planejado, não temos casa própria, eu não trabalho...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Mas eu trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Fabíola, eu...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Alberto, se acalma. Eu não tô grávida, nem nada, mas já tenho 23 anos e já tenho que pensar em casar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Mas, mas... Eu tô na faculdade ainda, como vamos fazer?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-A gente não vai casar amanhã, homem!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Além do mais, eu dou meu jeito. Não se preocupe, concentre-se na faculdade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Ok, então...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Presta atenção. Amanhã vai ser meu aniversário lá em casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Você... sabe? Mas era surpresa! Quem te contou?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Ninguém me contou, vocês que dão na vista!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Como?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Não interessa. Interessa é que você vai pegar essas alianças aqui e vai me pedir em casamento, como se eu não soubesse de nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Certo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Olha lá, hein? Não vai esquecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Acho que nem que eu quisesse, você não me deixaria esquecer!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Te amo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Eu também te amo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dia seguinte, conforme o planejado, foi a festa surpresa-não-surpresa de Fabíola. Estava toda a família reunida, todos descontraídos, brincando, conversando e rindo. Alberto estava esperando algum tipo de sinal de Fabíola, mas, como ela não revelou nenhum, decidiu começar o discurso depois dos parabéns.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Pessoal, por favor, eu queria a atenção de vocês...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Silêncio. Fabíola olhando.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Bem, como todos sabem, eu e a Fabíola estamos juntos a algum tempo e queremos ficar ainda muitos anos juntos. Tenho certeza que é ela quem eu quero para mim e acho que ela me quer também... Bem, Fabíola... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tira a caixinha aveludada do bolso da calça e abre. Os olhos de Fabíola brilham. Silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Você quer casar comigo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- É CLARO!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em seguida, gritos e mais gritos tomam conta da casa, todos felizes pelo noivado repentino. Quem diria que Alberto tomaria um passo tão importante? Todos o aclamavam e davam os parabéns pela coragem. Enquanto isso, Alberto olhou para Fabíola, que tinha lágrimas nos olhos, olhando para a aliança no dedo e exclamando como ela era linda. Como ela podia fingir tão bem? Não fora ela que escolhera as alianças?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar de tudo, o rapaz ficou tranquilo. Se ela disse que estaria tudo bem é porque estaria tudo bem. Não planejaram casamento, nem nada, mas ele não conseguia mais enxergar um futuro sem aquela mulher mandona e engraçada, que se emociona olhando a aliança que ela mesma escolheu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, vinte e cinco anos depois, absolutamente todos da família, a não ser os filhos deles - e os amigos dos filhos -, ainda acham que foi o jovem estudante sem dinheiro que pagou pelas alianças. E ainda especulam que foi em 36 prestações.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-3345708464843848408?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/3345708464843848408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=3345708464843848408&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/3345708464843848408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/3345708464843848408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/08/noivado.html' title='Noivado'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-2899687987299707954</id><published>2007-08-21T20:34:00.000-03:00</published><updated>2007-08-21T21:09:42.475-03:00</updated><title type='text'>A Verdade sobre os Semáforos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ontem, voltava eu para casa quando parei em um sinal vermelho. Sob aquela luz de proibição, comecei a divagar sobre tudo que já aconteceu em minha vida enquanto eu estava parada no carro - ou no ônibus - esperando o semáforo abrir. Foram desde acontecimentos ruins que prefiro esquecer à verdadeiras descobertas filosóficas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E se...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E se os semáforos forem uma Entidade, com vários Avatares espalhados pelo mundo, que nos dão a chance de fazer algo que realmente valha a pena naqueles segundos? Pense bem. Você pára no sinal e, logo, sua mente voa. De repente, surge a solução para aquele problema complicadíssimo, sobre o qual você refletiu o dia todo para somente encontrar a resposta olhando naqueles velados olhos vermelhos. Ou mesmo vem à sua mente, como um livro que se abre magicamente na página certa, as palavras devidas a falar para aquela pessoa que não se ama mais. Mas esses semáforos, do tipo "Muso-inspirador", tem a terrível maldição de ninguém querer ouvi-lo, pois todos querem pôr em prática a mais nova descoberta surgida naqueles - não mais inócuos - segundos. Quais serão as palavras que saem daquela boca verde?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Além dos "muso-inspiradores", tem aqueles os quais prefiro chamar de "Injeção de Coragem". Esse tipo, também de poder incrível, nos dão a coragem de fazer algo que nunca pensamos que pudéssemos fazer ou falar. Quantas confissões escabrosas alguns semáforos devem ter presenciado, hein? Melhor citando, quantas declarações apaixonadas, faladas de ímpeto, foram testemunhadas? Um beijo súbito, uma opinião sincera, um desabafo pesado, uma sociedade selada? Quisera eu ter o fortúnio de observar tanto. Os olhos dos "Injeção de Coragem" não são vermelhos de concentração como os dos "Musos". São vermelhos por causa das lágrimas. Porém, coitados, ninguém quer ouvi-los.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não teria como deixar de mencionar o que mais odiamos: "Espírito de Porco". É aquele sinal que só tem rancor e maldade nos olhos, favorecendo os fracos de espírito. Muito cuidado quando parar nesse semáforo, leitor. Ele é perigoso, traiçoeiro. Muito fácil de reconhecer, pois são aqueles que os malandros mais gostam. Se não houver nenhum malandro, você pode reconhecer pelo arranhão nos seus sentidos, que pode ser um medo inesperado ou uma amargura crescente. É nesse também onde você tem os mais tristes pensamentos, pois o "Espírito de Porco" arranca o que há de pior em você. E ele, ao contrário dos demais, o obriga a ouvi-lo. Não os escute de maneira nenhuma. Evite-os com todas as forças.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se você nunca observou isso, tente um dia. Se um sentimento ruim vier enquanto estiver parado, esperando, fuja! Esse semáforo é ruim! Pare no próximo cujo olhar vermelho seja como um rubi e espere a inspiração vir. Ou então, quando estiver acompanhado por aquela pessoa para quem nunca tivera coragem de se declarar, deixe a injeção de coragem tomar conta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Você pode ficar surpreso com todas as coisas maravilhosas que aqueles segundinhos chatos podem estar guardando.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-2899687987299707954?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/2899687987299707954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=2899687987299707954&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2899687987299707954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2899687987299707954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/08/verdade-sobre-os-semforos.html' title='A Verdade sobre os Semáforos'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-3756713101159898261</id><published>2007-08-17T09:06:00.000-03:00</published><updated>2007-08-17T09:50:24.482-03:00</updated><title type='text'>Brincadeiras do Papai - parte 2</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Existe algo que me faz rir mais que o maior comediante de todos os tempos. Mais que ver alguém topando na rua, mais que uma burrice proferida, mais que um gato levando um susto. O que pode ser tão engraçado, você pode perguntar?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha mãe rindo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É a coisa mais hilária que você pode presenciar. Ela gargalha com uma vontade tão grande que quase se sente inveja dessa capacidade de rir tão abertamente. Não é preciso muita coisa para fazer minha mãe rir, isso é fato, mas existe uma pessoa que se esforça para garantir que ela dê a gargalhada sagrada de todo dia: meu pai. Ele faz brincadeiras sempre, a fim de que esse hábito de minha mãe não se acabe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A primeira vez que percebi esse esforço de meu pai, tinha cerca de 7 anos de idade. Na época, meu pai tinha acabado de largar o karatê - praticado por 3 anos - e ainda tinha alguns golpes em mente. Havia também uma tia minha - que insistia para que eu a chamasse de Lady, por causa da Lady Di - que ajudava minha mãe nos cuidados dos filhos pequenos. Lembro-me que ouvi tia Lady chegar em casa, falar comigo no quarto e seguir para a cozinha, onde estavam meus pais. Pobre inocente... Foi quando ouvi, vindo da cozinha:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-IIIÁÁÁÁÁÁ!!!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-AAAAAAAAHHHH!!!!!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-HAUHAUHAUHAUHAUA!!!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando cheguei lá, vi minha tia estatelada no chão, meu pai vestindo a parte de cima do kimono por cima da roupa de trabalho e minha mãe gargalhando no sofá com a mão na barriga. A pobre tia Lady, já que nossa cozinha era desprovida de tatame, lamuriava suas dores, sem forças para brigar com o cunhado. Comecei a rir de minha mãe sem ar, mas ainda percebi o olhar de meu pai para a esposa - que ria cada vez mais - orgulhoso do sucesso da operação "Gargalhada do Dia".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele sempre adorou essas brincadeiras sem-noção, mais ainda quando arranca uma risada da própria mulher. Não que seja muito difícil, mas, para fazer alguém rir 98% dos dias, que, juntos, perfazem 25 anos, existe algum mérito nisso. As vezes ele faz coisas para ela rir até sem querer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro dia - eu já tinha meus 17 anos - estava toda a família na cozinha, conversando em uma manhã de domingo. Minha mãe enxugava as panelas, enquanto meu pai contava mais uma de suas histórias. Foi quando meu ele se levantou de uma vez, batendo, sem querer, na panela que estava na mão dela, que foi ao chão. A partir daí, foi tudo em câmera lenta: com o barulho, o cachorro se assustou, correndo e batendo na estante de panelas. Essa estante começou a desabar ao chão e meu pai, em um ato heróico, se jogou tirar a mulher do caminho da avalanche de panelas, salvando-a do soterramento. No entanto, sob o calor da adrenalina, meu pai mirou errado e, em vez de se jogar sobre ela, se jogou sobre a estante que caía. Bem, ele não desviou a mulher, mas desviou a estante. No chão, coberto de utensílios de cozinha, falou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Diz, se teu marido não é o melhor, diz!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em resposta, ela começou a gargalhar, caindo no chão, juntamente com as panelas e o marido, enquanto os filhos, preocupados, apenas olhavam para aquela cena que quase foi um grave acidente doméstico, enquanto os pais riam e riam e riam, sem parar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Podem falar o que for, mas é isso que eu quero pra mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-3756713101159898261?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/3756713101159898261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=3756713101159898261&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/3756713101159898261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/3756713101159898261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/08/brincadeiras-do-papai-parte-2.html' title='Brincadeiras do Papai - parte 2'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-4645944319240326254</id><published>2007-08-12T02:30:00.000-03:00</published><updated>2007-08-12T10:51:14.198-03:00</updated><title type='text'>Ameaças de Morte</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dia, estava eu pensando quantas vezes ameacei alguém de morte em minha vida. Não foram poucas, devo dizer. Inclusive, das dezenas de centenas de vezes em que proferi uma ameaça desse porte, a maioria esmagadora foram contra pessoas que eu amo ou, no mínimo, gosto muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou tão pérfida assim? Ameaçando matar pessoas que me são valiosas? E, pior, se alguém levasse a sério essas ameaças, com certeza não confiaria em mim para nada, já que nunca concretizei minhas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Quem, ela? Aaah, fica tranquilo, essa daí nunca cumpre o que fala... Pfe! Já me ameaçou de morte 43 vezes e não me matou nem uma vezinha sequer!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha palavra perderia valor. Graças que não sou apenas eu a proferir esses impropérios que obviamente não serão cumpridos. Acredito que todo ser vivente já falou para um amigo: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Meu chapa, se tu não vier aqui a-go-ra, eu te mato!!!"&lt;/span&gt;. Pior, e quando é mãe que fala pro filho que quebrou o jarro de porcelana chinesa da família:&lt;span style="font-style: italic;"&gt; "Vem aqui, moleque desgraçado, que vou quebrar o resto desse vaso na tua cabeça até tu parar de respirar!!!".&lt;/span&gt; Mas o máximo mesmo são aqueles que se acham capazes de desafiar as leis da vida e da morte. Acham até que a morte tem intensidade controlável! Com poderes cósmicos, ameaçam: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Eu vou te matar tanto, tanto, mas tanto! Vou te matar, te ressucitar e depois TE MATAR DE NOVO!!!"&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, essa ganhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse tipo de ameaça pode salvar uma pessoa. Lembro-me de uma historinha que ouvi em algum lugar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez uma menininha inteligente, de apenas 6 aninhos, que já entrou na Alfabetização sabendo ler e escrever. Nesta sala, no entanto, havia um menino, malvado e repetente, que sempre puxava as tranças da menininha até ela cair em prantos. Isso continuou por dias e dias, até que ela, sem aguentar mais, contou tudo para sua mamãe. A progenitora, vendo sua cria sendo ameaçada por um animal mais velho e predador, resolveu ir à escola tirar a história a limpo. Antes da aula começar, localizou o terrível marginal de 7 anos de idade e o chamou delicadamente para uma conversa. Enroscando o braço no pescoço do menino a fim de que ele não executasse uma manobra evasiva, saiu caminhando com o mesmo pelo pátio da escola. Quando estavam longe o suficiente dos docentes existentes no local, proferiu as seguintes palavras: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Olha aqui, seu moleque, se você puxar as tranças da minha filha novamente, eu vou na sua casa - porque eu SEI onde você mora - e dou um tiro bem no meio da sua testa. Ouviu? E se você contar para sua mãe que eu lhe disse isso, eu vou na sua casa, dou um tiro no meio da sua testa e na dela também. Entendeu bem?"&lt;/span&gt;. Moral da história: A menininha completou sua Alfabetização tranquilamente, porque o menino mau, estranhamente, adquiriu um imenso medo da escola, fazendo sua própria mãe - que não tinha idéia do que tinha acontecido - mudá-lo para outro colégio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que minha mã... digo, essa mulher jamais mataria uma criança de 7 anos de idade. Anos depois, ela até reconheceu que coagiu de forma um tanto exagerada. Mas já pensou se todas as pessoas que você ameaçou na sua vida acreditassem que você cumpriria sua promessa, assim como o marginalzinho acreditou na mulher? Como seria a sua vida? Vale até uma reflexão, meu leitor,  sobre todas as palavras inúteis que você já pronunciou. Gastou saliva, cordas vocais e, o pior de tudo, pensamento. Valeu a pena? Ou seria melhor ter dito, em vez daquele furioso "Se você fizer isso, EU TE MATO!", um "Se você fizer isso, SEM SEXO ESSA SEMANA!!!" (espero que não precise explicar que esse exemplo se aplica à casais ¬¬). Acho que seu namorado vai ter mais medo a essa última ameaça do que da morte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim... Eu fui a favor ou contra à hiperbólicas ameaças de morte? Não sei, confesso. Não sei se quero abdicar da sensação maravilhosa de praguejar contra alguém. No entanto, poderíamos dizer tantas coisas mais produtivas ou melhor elaboradas... Concordam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pense melhor. Talvez uma única palavra substitua a repetitiva frase de morte de uma maneira tão linda, que até mesmo a vontade de punir vai embora num segundo, assim como pode trazer o arrependimento ao vacilão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se descobrir uma palavra dessas, me diz? Por favor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-4645944319240326254?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/4645944319240326254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=4645944319240326254&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4645944319240326254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/4645944319240326254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/08/ameaas-de-morte.html' title='Ameaças de Morte'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-2330718246074929433</id><published>2007-08-07T23:15:00.000-03:00</published><updated>2007-08-09T13:21:19.692-03:00</updated><title type='text'>Brincadeiras do Papai - parte 1</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Lembre-se da sua infância. Volte seus olhos para o passado distante - para alguns, nem tanto - onde você brincava com o seu papai ou sua mamãe. Naquele tempo em que eles eram verdadeiros Oráculos que tudo sabiam, desde o porquê da cor do céu até de onde os bebês vêm. Relembre as brincadeiras infantis que eles faziam com você que era o máximo, como aquele dia em que eles te empurravam no balançador... Meigo, não?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bem, para mim, devo dizer que são lembranças maravilhosas, porémnão tão meigas. Principalmente com relação ao meu pai. A única vez que meu querido paizinho foi me empurrar no balançador do colégio, eu voei tão longe que quase machuquei em sério meu queixo. Ele correu preocupado para constatar se eu tinha quebrado alguma coisa, mas quando viu que eu só tinha uma cara assustada de choro e nada mais, começou a rir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois meus amigos falam que não sabem porque eu sou assim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outra brincadeira de meu pai - que eu e meus dois irmãos adorávamos - era a do "Morto-Vivo da Punção do Mal". Ele fingia que estava dormindo, a gente fingia que acreditava e íamos tentar acordá-lo. De repente, ele levantava a mão com os olhos ainda fechados, como se apenas ela tivesse vida. Nesse momento, entendíamos que era para sair correndo e gritando pela casa sem olhar para trás, porque tínhamos a certeza de que estávamos sendo perseguidos por aquele Morto-Vivo que ia nos dar a famigerada "Punção do Mal". Esse era o nome do golpe que ele nos dava quando, invariavelmente, nos alcançava. Esse golpe, basicamente, consistia em ele nos dar uma porrada no nervo ciático, que nos fazia ir ao chão gemendo de dor e morrendo de rir. Logo que a dor passava, levantávamos e gritávamos: "De novo, de novo, de novooooo!!! =D"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma outra vez, nós três tivemos de ser levados ao pediatra por minha mãe, pois todos estávamos com o interior do nariz um inflamado e coçando. O médico nos examinou e perguntou se tínhamos o costume de enfiar algum objeto nas narinas como um brinquedo pequeno, feijão, algo do gênero. Imediatamente, mamãe olhou para um singelo marido, que sentava comportado no canto da sala, admirando a decoração das paredes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mamãe: &lt;em&gt;"Eu DISSE que aquela brincadeira ia fazer mal aos meninos!"&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O doutor olhou para os dois e perguntou que brincadeira era essa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu pai, finalmente, quebrou o silêncio, falando:&lt;em&gt; "Doutor, o senhor sabia que a gente cutucando os narizes deles com fio dental eles têm uma crise de espirros? É muito engraçado!!!" &lt;/em&gt;- e começou a rir, lembrando dos três filhos no chão espirrando feito loucos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Eles não são brinquedos, Alvaro!"&lt;/em&gt;, repreendeu mamãe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Papai olhou para gente e, desconsolado, prometeu que nunca mais ia brincar disso conosco novamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Praia. Mar. Crianças pequenas. Um pai louco. O que dá essa mistura? Crianças voando, cruzando os ares na direção do mar. Ele adorava essa. Acredito que nos ensinou a nadar muito cedo já pensando em fazer essa brincadeira. Meu pai pegava com a mão direita nosso braço direito e, com a mão esquerda, nossa perna direita. Dentro do mar, nos girava no ar e nos atirava lá para o fundão, indo logo depois resgatar a criança voadora (ele tinha que buscar todas, se fica muito desnorteado nessa bricadeira). Valia para sobrinhos também.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembram daquela brincadeira nojenta de virar as pálpebras para fora? Então... Tinha eu 6 aninhos de idade, uma fofura de criança, inocente que só eu. Meu paizinho, já quase dormindo, me chama e diz:&lt;em&gt; "Chellinha, olha o que eu sei fazer!"&lt;/em&gt;, e revirou as pálpebras terrivelmente. Assustada, pedi para ele voltar ao normal. Então, de repente, o homem começa a gritar e se revirar, berrando: &lt;em&gt;"AAAAAAAH!! NÃO TÁ VOLTANDO, MICHELLE, MEUS OLHOS, NÃO ESTÃO VOLTANDO AO NORMAL!!!! AAAAAAAHHHHHHHH!!!!"&lt;/em&gt;. Ora, que posso dizer? Fiz o que toda criança de bom senso com 6 anos de idade faria vendo seu pai gritar. Gritei também. Fiquei desesperada, chorei, implorei, o abracei, chamei minha mãe. Quando ele viu que eu estava já totalmente, completamente, absurdamente assustada, passou a mão nos próprios olhos e falou igual ao Didi Mocó:&lt;em&gt; "Passoooooou!!!!! =D"&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois é. ¬¬&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bem, se eu fiquei traumatizada? De maneira nenhuma!!! Eu a-do-ra-va, essas brincadeiras. Menos a última, claro, essa foi mais pra ilustrar a falta de noção que ele tinha às vezes. O fato é: certeza absoluta que vou brincar assim com meus filhos também.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto à minha mãe, não pense que ela se preocupava demais com essas brincadeiras. Na hora do "Morto-Vivo da Punção do Mal" ela era a primeira a incentivar os filhos a "acordar" o morto-vivo que dormia na cama do meu pai.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-2330718246074929433?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/2330718246074929433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=2330718246074929433&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2330718246074929433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2330718246074929433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/08/brincadeiras-do-papai-parte-1.html' title='Brincadeiras do Papai - parte 1'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-2374398374275333070</id><published>2007-08-06T11:45:00.000-03:00</published><updated>2007-08-06T12:47:10.912-03:00</updated><title type='text'>Um Conto ou um Sonho, para variar...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era a Fortaleza dos anos 70. Tudo que eu via era como se olhasse através de uma fotografia semi-colorida e avermelhada da juventude de meus pais. O clima de nostalgia era quase sólido no ar. Todos pareciam pertencer a outro mundo e estavam ali vivendo um sonho contente e otimista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morava na casa de minha avó materna e eu sentia que ali poderia ser feliz. Meu namorado, Dalton, ainda não tinha aparecido para me buscar. Conhecia-o de outros sonhos que tivera - dos quais guardo apenas os rostos que vi e as emoções que senti - e que eram infantis demais para que ele se tornasse meu namorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pediram-me, então, para comprar pães. Coloquei meu vestido branco com estampas de delicadas rosas, sem mangas e confortável, que me fazia sentir mais feminina que nunca. Tive esse vestido aos 12 anos e chorei quando não o encontrei mais nas gavetas. Mas ele existia de novo e, somente para Dalton, o vesti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aspirei a brisa repleta de lembranças perfumadas que não eram minhas, mirando a grande avenida Presidente Castelo Branco quando ela não deveria ser tão grande. Dei os primeiros passos em direção à padaria e senti meu nome na mente de alguém. Apesar de não ter ouvido nada, virei-me, já sorrindo, porque havia entendido por quem havia sido chamada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era Dalton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperei-o chegar à mim com aquele sorriso bobo que ele tinha. Nessas horas, sentia um carinho por ele, apenas carinho. Ele deu-me a mão e disse que me acompanharia até a padaria. Fiquei esperando os elogios à mim, ao meu vestido, mas eles não vieram. Eu sabia que estava bonita. Estava bonita por ele. Um assomo de esperança surgiu quando ele me abraçou de repente, mas ele apenas desviara de uma pessoa que vinha no nosso sentido inverso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vislumbramos a padaria, Dalton parou na esquina e disse que esperaria ali. Suspirei, tristonha, e fui pedir pães à mulher. &lt;em&gt;"Abençoados ou não?"&lt;/em&gt;, ela indagou. Isso fazia todo o sentido do mundo e respondi: &lt;em&gt;"Abençoados"&lt;/em&gt;. A mulher olhou-me com desprezo que só feria a mim e resmungou: &lt;em&gt;"Para você não têm abençoados"&lt;/em&gt;. Adivinhando o que eu iria retrucar, ela completou: &lt;em&gt;"Sempre tenho que perguntar, querida"&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retornei com meus dez pães mundanos para casa de minha avó. Era como se eu flutuasse nos sentidos das palavras da padeira, sentindo, na mão esquerda o toque insípido de Dalton e, na direita, a aspereza do saco de pães que haviam sido fadados a mim. Meu namorado-corpo, homem sem sentido, deixou-me e foi embora. Ao pôr os pés nos jardins de casa, decidi que iria falar tudo para ele. Larguei o saco de pães em cima das roseiras e saí na calçada novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não estava mais com meu vestido. Estava apenas com um short jeans curtos e uma camiseta baby-look branca. Meus pés estavam descalços. Senti meu nome novamente e um súbito sentimento de perda surgiu em meu coração. Era ele. Ele voltara. E era aquele sorriso... Sem dizer palavra, estendi minha mão com a palma para cima. Quando o nosso toque foi trocado, imediatamente ele entendera que precisávamos conversar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirei fundo todo o ar do mundo e ele me puxou. Saiu correndo a segurar minha mão firmemente, enquanto me puxava, atravessando a avenida e desafiando todos aqueles velozes carros atemporais. Isso foi em câmera lenta. Nunca havia me sentido tão livre. O vento batendo em meu corpo, minhas compridas pernas movimentando-se, os pés tocando o asfalto, era como se eu estivesse com o vestido perdido novamente. Foi meu último sorriso feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado, sentamo-nos em uma calçada, sob a sombra de uma árvore que não deveria existir. O Céu estava alaranjado e eu não sabia se era alvorecer ou crepúsculo. Um meio-sol eterno. Ele baixou a cabeça e esperou. Comecei a falar, libertando minha mente. Foi quando ouvi suas lágrimas. Uma imensa dor e tristeza surgiu, assim como a certeza de que aquilo era melhor a ser feito. Comecei a chorar e, de repente, eu era Dalton. Vislumbrei meu próprio rosto cheio de amargura e indelével certeza, assim como sentia o coração despedaçado do menino. Tudo misturou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um clarão. Não enxerguei mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acordei, eram anos depois. A atmosfera mudara. O mundo era nos dias de hoje e, agora, era eu que não pertencia mais àquele mundo. Como se tivesse virado uma entidade de shorts e camiseta, sentada no telhado de uma casa levemente familiar, eu olhava por uma criança. Era um menino com os olhos de Dalton. Ele segurava nas mãos da mãe, aprendendo a dar seus primeiros passos. Não vi o rosto dela, mas eu não queria ver, não queria saber. Tudo que eu deveria fazer era apenas olhar por aquela criança e assegurar que seus pães fossem abençoados por toda a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De cima do telhado, vi o menino sorrir. Dei meu primeiro sorriso perdido. Às vezes, conseguia lembrar da sensação do meu último sorriso feliz. Mas, antes que ele chegasse em meus lábios, eu esquecia novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanta saudade do meu vestido...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-2374398374275333070?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/2374398374275333070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=2374398374275333070&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2374398374275333070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/2374398374275333070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/08/um-conto-ou-um-sonho-para-variar.html' title='Um Conto ou um Sonho, para variar...'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-21134109435957748</id><published>2007-08-02T18:09:00.001-03:00</published><updated>2007-08-02T21:19:02.708-03:00</updated><title type='text'>Hipocondríaca, eu?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O primeiro remédio que lembro ter tomado em minha vida era o fabuloso Cobactin, que era para tosse e tinha como efeito colateral sonolência. Era rosa-avermelhado, gostoso e nossa mãe sempre enfiava na goela abaixo dos filhos que tossiam e, coincidentemente, estavam bagunçando demais. Nada de Mucofan! Ele não dá son... er... quero dizer, ele tem um gosto ruim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo depois, descobri a maravilha do Cataflan em comprimido, que fazia desinflamar qualquer coisa. O em gotas era uma delícia, mas nossos pais pararam de comprar quando eu e meu irmão mais novo tomamos um tubo inteiro em cinco minutos. Nunca vou esquecer aquele gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então descobri que para toda dor de cabeça, toma-se um Sonrisal. Que também serve para digestão, olha só! Sonridor também ajuda. Como eu tinha pouco apetite, surgiu na minha vida o incrível Forten, com o lance mágico de misturar o pózinho no líquido de gosto bom. Mas, como ele ficou muito caro, mudamos para o Tagifor. Biotônico Fontoura também servia. Jamais Emulsão Scoth, tomei uma vez para nunca mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É gripe? Benegripe! Mas nem sempre. Apracur pra curar! Corisa? Coristina D ou Naldecon. Hoje tem o Naldecon Dia e o Noite; recomendo o Noite. Superiste também é muito bom. Pra quê medo de gripe com isso tudo, meu Deus? Mas, ainda assim, se seu lema é: "melhor prevenir do que remediar" eu recomendo... O quê? Laranja? Não, não, taca um Cewin na garganta que tá resolvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aaaah!... Nunca poderia esquecer! A alegria das crianças-comedoras-de-remédios! Que atire a primeira pedra aquele que nunca comeu o apetitoso Melhoral Infantil quando menino! Se você atirou a pedra é porque tem memória fraca ou é um baita de um mentiroso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou aquela infecção, virose braba ou tá com um surto de tumores? Amoxil! Ou Amoxilina, Tetlaciclina... Mas se nada disso adiantar, é porque chegou a hora, meu amigo. A hora de saber se você é macho. No caso das mulheres, se é uma das que se garante. Hora de encarar a temida, maligna, assustadora, sanguinária... Injeção. Mas, meu singelo leitor, não falo da injeção colega das vacinas, que você ficava com a seringa e ia arengar com os amiguinhos na rua. Não, estou falando "DA" injeção. O nome dela é Benzetacil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Benzetacil. Ah, mas essa nossa amiguinha merece um parágrafo só para ela. Se você nunca tomou uma, não sabe a dor que o aguarda quando a primeira vier. E se prepare, pois não é dor pouca. Geralmente a aplicam nas nádegas. Dizem que é porque tem mais músculos, é melhor de aplicar, dói menos... Conversa fiada! Tenho certeza absoluta, como dois com dois são quatro, que é para não vermos a cara sádica do médico pensando: &lt;em&gt;"Tooooma, FDP, essa dor é pra tu aprender a nunca mais ficar doente, desgraçado!".&lt;/em&gt; Como testemunho, posso citar uma vez em que um médico me receitou uma benzetacil por mês durante 6 meses. Meu querido paizinho entendeu errado (assim espero) e achou que era pra aplicar uma diariamente, durante 6 dias... E assim o fez. Basta dizer que, quando cheguei no consultório com os braços inchados (pois é, ele aplicou nos meus braços), o médico perguntou se ele estava pretendendo me matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na adolescência, hormônios em fúria, ovários micro-policísticos em polvorosa, indicam o quê? Diane 35, e depois de 7 anos, Yasmin. Viajou, vai descer a serra e ficar enjoado? Não, pois Dramin, o bendito Dramin, existe. Dois pra começar a descida. Dor de cabeça? Dois Tylenols. Dor no corpo? Dois Doflex e um Cataflan só pra dar o grau. Vai beber? Um Engov antes e um depois. Na ressaca, eu recomendo tomar um Dramin combinado com um Tylenol em um copo de água com Sonrisal efervecente. Se o fígado já tá ficando velho demais para isso, manda Eparema pra dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se seu estômago for do tipo fracote que não aguenta uma feijoada com carne, farofa, 3 garrafas de cerveja e algumas doses de whyski intercaladas com vodka, toma um Omeprazol, seu bicha! Agora, cuidado, que Omeprazol ataca o fígado, aí você tem que tomar outro Eparema depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem dezenas de outros remédios que poderia citar, mas vocês com certeza iriam me chamar de hipocondríaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa que eu não sou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-21134109435957748?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/21134109435957748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=21134109435957748&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/21134109435957748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/21134109435957748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/08/hipocondraca-eu.html' title='Hipocondríaca, eu?'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-8022621397640199330</id><published>2007-07-31T14:56:00.000-03:00</published><updated>2007-07-31T17:01:00.175-03:00</updated><title type='text'>Dessa água não beberei... até amanhã.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Você já parou para pensar o porquê de mudarmos tanto os nossos gostos? Sério. Já? Porque, comigo, isso quase nunca é gradativo. Quase sempre é de uma vez, de uma hora para outra. Só olho e digo: &lt;em&gt;“É, ontem eu não gostava, mas agora eu gosto disso.”&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E daquilo outro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E daquilo ali também.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Isso acontece com tudo! Desde roupas, modelo de cabelo, desde comida à tipo de gente.&lt;br /&gt;Alguém me disse uma vez – ou talvez eu tenha lido – que a vivência da pessoa, o ambiente ao redor dela e até mesmo o organismo colaboram para essas mudanças de gosto. Por exemplo, quando somos crianças adoramos doces, mas isso porque precisamos de uma usina atômica de energia para sustentar nossas brincadeiras. Bem... Na minha idade, não preciso mais que uma ou duas baterias recarregáveis, por tanto, não preciso de doces como antes. Meu corpo, então, decidiu que não ia gostar de doces como antes e pronto! Foi isso mesmo que eu li?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O ponto é: E quando é de uma vez? E quando a gente olha para aquele brócolis cozido fedorento e terrivelmente feio que a tia faz e você sempre odiou (aquele que você experimentou uma vez e quase colocou o estômago para fora, esse mesmo!) e, de repente, não menos do que mágica, acha ele absurdamente bonito, convidativo, agradavelmente cheiroso, escrevendo com a fumaça do ar:&lt;em&gt; “Veeeenha, veeeenha, olhe para mim, me coma...”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*P.S.: Isso que você leu acima é uma história verídica, aconteceu comigo há alguns meses* &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou é só comigo que isso acontece?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E isso funciona para pessoas também! Aquele cara mais feio que o Falcão, que, de repente, você nota que o sorriso torto dele tem um quê de Brad Pitt! Como pode isso, meu Deus??? Para os homens, aquela mulher do nariz meio torto, que joga o cabelo EXATAMENTE como a Angelina Jolie? Por isso que eu acredito que ninguém é feio o suficiente para nunca conseguir um namorado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O fato é que aprendi a lidar com essas mudanças. Antes me achava tremendamente estranha, esquisita, sem nexo – apesar de que ainda me sinto assim por outros motivos. Mas hoje... Bem, hoje, meu lema é: Meu nariz gostou, eu gosto também! Ahn... Com relação à comida, tá pessoal?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como disse uma vez um grande filósofo da Física Moderna, Prof. Sérgio Barão: &lt;em&gt;“Não tenha medo de amar o feio. E não tenha medo de ser amado, pois, em algum lugar do Universo, nem que seja no fundo do oceano, vai ter alguém que lhe queira.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sábias, palavras, Barão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-8022621397640199330?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/8022621397640199330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=8022621397640199330&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/8022621397640199330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/8022621397640199330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/07/dessa-gua-no-beberei-at-amanh.html' title='Dessa água não beberei... até amanhã.'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1293341555070821390.post-6756970085241307435</id><published>2007-07-30T16:50:00.000-03:00</published><updated>2007-07-30T17:12:16.403-03:00</updated><title type='text'>Cabeça de Vento? O_o</title><content type='html'>Sim, sou. E daí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai dizer que você nunca se pegou divagando e depois se perguntando como raios tinha chegado àquele pensamento "nada a ver"? Vai me dizer que você nunca ficou com cara de besta, olhando, completamente hipnonitzado, para aquele ponto infame no nariz do seu interlocutor? Vai dizer para mim que nunca pensou que fosse capaz de guardar tanta coisa inútil na cabeça? Vai negar? Vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, se eu fosse você, não negaria. Como disse um grande filósofo da sabedoria popular (não sei quem foi, ok?), &lt;em&gt;"o primeiro passo é assumir". &lt;/em&gt;Bem, como já está óbvio, eu assumi. Na realidade, faz já algum tempo que assumi. Bem, sendo sincera, acho que sempre soube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez que desconfiei que era cabeça de vento foi no maternal. Na minha época, só tinha um único maternal, não existia essa história de maternal I e II. De qualquer modo, me peguei, no auge dos meus 4 anos bem vividos, pensando que, se fosse viajar de avião um dia, iria abrir a janela do avião, pegar um pedaço bem fofo de nuvem e guardar na minha bolsa (que é coisa de adulto). Um amiguinho muito esperto da escola, o Thiago - que também era meu noivo na época, mas isso eu conto outro dia - sugeriu que eu vendesse a nuvem e comprasse "os dinheiros" que conseguisse de sorvete. Não sei por onde ele anda hoje, mas deve ser algum tipo de investidor, pois havia mostrado grande senso de valor monetário. Ficou bem óbvio para o Thiago que um pedaço de nuvem na época devia valer "muitos dinheiros" e, por conseguinte, muitos sorvetes. Pelo menos nós dois nunca haviamos visto nuvem sendo vendida nos supermercados. Depois fiquei pensando o que ia fazer da minha vida até chegar o dia de pegar o avião para catar meu valioso pedaço de nuvem. Então não lembro o que houve...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve ter vindo outro pensamento inútil e ter tomado o lugar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendam, não estou fazendo uma apologia ao... como direi... ocio criativo? Tampouco condeno a prática. Só acho que as pessoas deviam assumir sua cabeça de vento e serem felizes com elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, uma pergunta que me surgiu enquanto dirigia:&lt;br /&gt;Do que é feita as tintas de placas de trânsito? Aliás, são tintas mesmo? Existe alguma empresa privada que confecciona as placas? Ou é o Detran? Será que eles têm monopólio sobre isso? Seria possível montar uma concorrência? Talvez fosse lucrativo... Ou será que...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1293341555070821390-6756970085241307435?l=soucabecadevento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/feeds/6756970085241307435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1293341555070821390&amp;postID=6756970085241307435&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/6756970085241307435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1293341555070821390/posts/default/6756970085241307435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://soucabecadevento.blogspot.com/2007/07/cabea-de-vento-oo.html' title='Cabeça de Vento? O_o'/><author><name>Michelle &amp;amp; Vinícius</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13053583693016476448</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-aMvtDA7ulf4/TdmTh9qzVLI/AAAAAAAAAII/uQ9hDXnTml0/s220/IMG00010.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry></feed>
