quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O Homicídio do Periquito e do Peba

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Amanhecia na casa de Cícero do Carmo.
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Como fazia desde pequeno, Cícero acordou muito cedo - cerca de quatro e meia da manhã - para começar seu ritual matinal: puxar água da velha bomba, pegar ovos no galinheiro, dar alpiste ao periquito, jogar a lavagem de ontem para os porcos e alimentar o seu querido peba. Esperaria até as cinco horas, como sempre, para acordar a esposa e os quatorze filhos que dormiam placidamente, naquela manhã igual a todas as outras.
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Pegou o balde e dirigiu-se ao quintal, acompanhado por Pirata, sua velha cadela, buchuda talvez pela décida quinta vez. Mas uma coisa Cícero do Carmo não esperava. Aquela manhã não seria igual a todas as outras para ele. Um duplo homicídio ocorrera no calar da noite. Dois corpos jaziam inertes no chão do quintal. De um lado, mutilado debaixo de sua gaiola, estava o periquito que pertencia à uma de suas filhas. De outro lado, o primo nordestino do tatu, de cabeça para baixo como uma barata morta, com seu casco rachado e destruído.
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Um alvoroço fez Cícero do Carmo. Agoniado e enraivecido, acordou à casa inteira aos gritos, exigindo saber quem foi o autor daquela barbárie.
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Uma investigação foi instaurada. A cena do crime começou a ser analisada com afinco, principalmente por um dos filhos de Cícero, que tinha especial apego aos animais. Foi ele quem chamou a atenção do pai para uma mancha de sangue em uma das paredes do quintal, diametralmente oposta ao corpo do peba assassinado. Havia rachaduras no centro da mancha, indicando impacto. Primeira evidência: o ferimento no casco do defundo combinava exatamente com o sangue na parede, revelando que o animal fora atirado brutalmente contra a mesma.
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D. Delmira, esposa de Cícero do Carmo, quis sair do quintal alegando que aquela movimentação a perturbava, mas foi impedida com veemência por seu filho CSI - todos eram ali eram suspeitos.
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Segunda evidência: a boca do tatu nordestino estava repleta de penas, da mesma cor do periquito destroçado, indicando que a última ação do peba foi devorar o periquito. Com mais esta informação, uma das filhas de Cícero do Carmo se empertigou, o que não passou desapercebido pelo jovem CSI. Quando questionada sobre sua reação suspeita, a menina pôs-se a chorar descontroladamente, confessando que esquecera de trancar a gaiola do periquito depois de trocar sua água, noite passada.
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Um sorriso surgiu nos lábios do aprendiz de investigador. Sim! Descobrira o culpado.
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Entretanto, todo seu momento de glória fora apagado, pois o assassino revelou-se subitamente, voando com rapidez na garganta da garota que deixara a gaiola aberta. A pequena Fatinha, dona do periquito - e cruel assassina do peba - agrediu a irmã à socos e mordidas, demonstrando toda a fúria da qual o pobre peba fora vítima.
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A garota homicida foi imobilizada por seu pai, que, devastado, perguntava o porquê de tão abominável ato contra uma criatura irracional, que seguira apenas seus instintos. Sem ter uma resposta, Cícero do Carmo continuou:
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- Minha filha... Praticar esse tipo de ato traz consequências. Você não pode descontar sua raiva com esse nível de violência, pois você acaba recebendo um castigo que pode ser tão ruim quanto o mal que você praticou.
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Depois de um minuto de silêncio, a garota olha friamente nos olhos de seu pai e, abrindo um belo sorriso, diz:
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- E por acaso estou no inferno agora?
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E Cícero do Carmo não dormiu por três dias.

5 comentários:

thahy disse...

:O

... !

lorena disse...

que horror! rsrsrsrs
Mas adorei!
bjus

oracle disse...

ahuhaauhahahau

Li as duas que eu não tinha lido ainda do ursinho pimpão!
Fiquei com muita pena do peba.
xeiroooooo!
saudade de ti!
=}

NEAN disse...

ahuhuHAUhauHAUhau... mto bom, chell! =D
=***

Daniel disse...

show!!!!!!!! mais 14 filhos o quanto faz falta uma tv na casa