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Vamos, confesse. Já houve um dia em que você morreu de orgulho por ter feito algo errado. Algo que a sociedade condenaria; algo que, definitivamente, não está incluso na ética aprendida na escola. Todo mundo já passou por isso. Depois de tentarmos levar uma vida dentro dos padrões que pensamos ser certos, todo mundo já se flagrou infringindo as regras e ficando extremamente feliz por isso. O quê? Nunca? Vai ser mentiroso assim na casa do c... chico!
Vamos, confesse. Já houve um dia em que você morreu de orgulho por ter feito algo errado. Algo que a sociedade condenaria; algo que, definitivamente, não está incluso na ética aprendida na escola. Todo mundo já passou por isso. Depois de tentarmos levar uma vida dentro dos padrões que pensamos ser certos, todo mundo já se flagrou infringindo as regras e ficando extremamente feliz por isso. O quê? Nunca? Vai ser mentiroso assim na casa do c... chico!
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Mas porque diabos isso acontece? Como é possível termos orgulho do errado?
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Divaguei muito sobre isso depois de ter enrolado 0,10 centavos na passagem do ônibus só para testar o trocador. Bem, ele não percebeu e fiquei genuinamente contente por isso. Mas por quê? A troco de quê eu quis testar o homem? Que curiosidade mórbida foi essa de querer saber se o trocador de ônibus era mesmo esperto nas passagens que recebia? Eu poderia dar a resposta plausível - ainda que não politicamente correta - de que queria analisar a probabilidade da empresa de transporte ter prejuízos por incompetência dos empregados responsáveis por angariar seu lucro. Mas, hein?
Divaguei muito sobre isso depois de ter enrolado 0,10 centavos na passagem do ônibus só para testar o trocador. Bem, ele não percebeu e fiquei genuinamente contente por isso. Mas por quê? A troco de quê eu quis testar o homem? Que curiosidade mórbida foi essa de querer saber se o trocador de ônibus era mesmo esperto nas passagens que recebia? Eu poderia dar a resposta plausível - ainda que não politicamente correta - de que queria analisar a probabilidade da empresa de transporte ter prejuízos por incompetência dos empregados responsáveis por angariar seu lucro. Mas, hein?
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Não, sou honesta comigo mesma. Eu queria mesmo era ver o mal. Ver se eu conseguia ser mais malaca que o trocador. Nossa, como eu era esperta! A sensação era de que eu conseguiria enrolar até um agente da CIA! Sim, era só um trocador de ônibus, mas consegui ser melhor (!) que ele e adorei a sensação de fazer algo errado e não receber nenhuma punição. Ainda que tenham sido por apenas 0,10 centavos.
Não, sou honesta comigo mesma. Eu queria mesmo era ver o mal. Ver se eu conseguia ser mais malaca que o trocador. Nossa, como eu era esperta! A sensação era de que eu conseguiria enrolar até um agente da CIA! Sim, era só um trocador de ônibus, mas consegui ser melhor (!) que ele e adorei a sensação de fazer algo errado e não receber nenhuma punição. Ainda que tenham sido por apenas 0,10 centavos.
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Esta constatação faz-me pensar o quanto nós, seres humanos que vivem em sociedade, somos podados do que realmente gostaríamos de fazer. Vivemos em um mundo tão cheio de regras, fazendo tudo o que supostamente é o melhor para nós, que, inconscientemente, acabamos por nos tornar barquinhos de papel em uma grande correnteza, que é a sociedade. Por isso, às vezes, nos orgulhamos de sairmos pela tangente, indo contra a corrente - as regras - e atropelando alguns dos outros barquinhos que navegam ao lado.
Esta constatação faz-me pensar o quanto nós, seres humanos que vivem em sociedade, somos podados do que realmente gostaríamos de fazer. Vivemos em um mundo tão cheio de regras, fazendo tudo o que supostamente é o melhor para nós, que, inconscientemente, acabamos por nos tornar barquinhos de papel em uma grande correnteza, que é a sociedade. Por isso, às vezes, nos orgulhamos de sairmos pela tangente, indo contra a corrente - as regras - e atropelando alguns dos outros barquinhos que navegam ao lado.
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Bem, essa foi a hipótese política.
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Outra possibilidade é a que o ser humano é essencialmente vil, mau e traiçoeiro, que só aceita obedecer as regras por pura e mesquinha conveniência. Adoramos ver o mal; temos prazer em testar as pessoas (verem-nas falhar é melhor ainda!); nos esforçamos para cair em todos os sete pecados capitais, das piores maneiras possíveis. Se duvidar, criamos mais outros sete, só para provar que o infinito é o limite! HUahauhuHAuHAUAHUahuA!!!
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Bom, essa foi a hipótese de quem provavelmente vai pro Inferno.
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Mas, falando sério, não acho condenável sentir orgulho do errado, desde que esse errado não implique gravemente outras pessoas. Não me entendam mal, não estou dizendo para que vocês levantem-se dessa cadeira, vão bater na sua mãe e roubar um banco depois. Não. Digo, pois, que é natural darmos um pouco de vazão à rebeldia que é inerente a um ser pensante como o homem. O fato é que nunca sabemos onde a correnteza está nos levando, então, qual o problema de sentir que fazemos nosso próprio caminho?
Mas, falando sério, não acho condenável sentir orgulho do errado, desde que esse errado não implique gravemente outras pessoas. Não me entendam mal, não estou dizendo para que vocês levantem-se dessa cadeira, vão bater na sua mãe e roubar um banco depois. Não. Digo, pois, que é natural darmos um pouco de vazão à rebeldia que é inerente a um ser pensante como o homem. O fato é que nunca sabemos onde a correnteza está nos levando, então, qual o problema de sentir que fazemos nosso próprio caminho?
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Sei que uma pessoa que já roubou calotas de carro para revender é suspeita para falar desse assunto (antes que perguntem, foi em 94, tinha 11 anos, minha melhor amiga era a maior marginal do colégio e eu era influenciável), mas e daí? Sei que o fato de eu ter surrupiado pneus de uma consecionária com um grupo de amigos vândalos não ajuda, mas e daí se fiz isso? Se não nos sentíssemos tão sacaneados pela sociedade, talvez nem criássemos esse orgulho do errado. Parem para pensar e digam se não tenho razão.
Sei que uma pessoa que já roubou calotas de carro para revender é suspeita para falar desse assunto (antes que perguntem, foi em 94, tinha 11 anos, minha melhor amiga era a maior marginal do colégio e eu era influenciável), mas e daí? Sei que o fato de eu ter surrupiado pneus de uma consecionária com um grupo de amigos vândalos não ajuda, mas e daí se fiz isso? Se não nos sentíssemos tão sacaneados pela sociedade, talvez nem criássemos esse orgulho do errado. Parem para pensar e digam se não tenho razão.
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Não quero ser polêmica. Só estou pensando.
Não quero ser polêmica. Só estou pensando.
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Mas que eu ADOREI ter ganhado os 0,10 centavos... ah, como adorei.

2 comentários:
nota cerebral:
Recontar os dinheiros todas as vezes que a Chell fica encarregada do troco. Se tiver faltando R$0,10, dizer que não tem problema eu dou aqueles dez centavos. Só pra ser ainda mais malvado. Huauhauhauah.
Chell, a rainha dos R$ 0,10!!!
P.S.: eu também já fiz isso...
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