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Vocês lembram de uma moeda gigante que tinha antigamente? Uma de dez cruzados? Era uma monstra enorme, redonda e prateada, que no fim na vida, auge da mega-inflação, não valia um décimo do que o Banco Central gastava para fabricá-la. Lembro muito bem dela, mas, principalmente, porque foi responsável por um dos mais marcantes momentos onde eu encarei a morte, escapando com bravura e sorte.
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Para começo de história, simplesmente odeio engasgar. O problema é que vivo engasgando. No afobamento que é peculiar à minha família, a quase-morte por objetos estranhos adentrando em nossos pulmões é bastante comum. As famigeradas balas-soft já tentaram me levar dessa vida, mas não chegaram nem perto da temível moeda de dez cruzados.
Para começo de história, simplesmente odeio engasgar. O problema é que vivo engasgando. No afobamento que é peculiar à minha família, a quase-morte por objetos estranhos adentrando em nossos pulmões é bastante comum. As famigeradas balas-soft já tentaram me levar dessa vida, mas não chegaram nem perto da temível moeda de dez cruzados.
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Estava eu deitada na rede, pensando na vida, quando vi uma moeda solta no chão. Apanhei os cruzados mortais e, como era uma total porca imunda, taquei a moeda na boca e fiquei chupando-a. Aham, até parece que vocês nunca colocaram algo nojento na boca!
Estava eu deitada na rede, pensando na vida, quando vi uma moeda solta no chão. Apanhei os cruzados mortais e, como era uma total porca imunda, taquei a moeda na boca e fiquei chupando-a. Aham, até parece que vocês nunca colocaram algo nojento na boca!
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Pensamento vai, pensamento vem, o objeto cheio de micróbios escorregou ardilosamente para minha garganta, entalando no esôfago na horizontal, onde nenhuma fresta de ar conseguia passar. Tomada pelo desespero, levantei-me da rede em um pulo, correndo para a cozinha, onde estava a única pessoa que poderia me salvar: minha mãe. Não pensem que cheguei a essa conclusão utilizando-me de meu raciocínio, pois não conseguiria somar 1+1 naquele momento. Acho que meu instinto disse-me que eu precisaria de alguém bruto o suficiente para salvar minha vida. Que outra pessoa seria, se não minha mãe?
Pensamento vai, pensamento vem, o objeto cheio de micróbios escorregou ardilosamente para minha garganta, entalando no esôfago na horizontal, onde nenhuma fresta de ar conseguia passar. Tomada pelo desespero, levantei-me da rede em um pulo, correndo para a cozinha, onde estava a única pessoa que poderia me salvar: minha mãe. Não pensem que cheguei a essa conclusão utilizando-me de meu raciocínio, pois não conseguiria somar 1+1 naquele momento. Acho que meu instinto disse-me que eu precisaria de alguém bruto o suficiente para salvar minha vida. Que outra pessoa seria, se não minha mãe?
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Cheguei na cozinha já roxa, lacrimejando e quase desfalecendo com a mão na garganta. Mamãe, entendendo na mesma hora o que estava acontecendo, correu até mim. Total entendedora das técnicas de primeiros socorros, com a adrenalina à mil, a mulher chegou por trás de sua filha agonizante e fez o que pensou ser mais lógico: desferiu a porrada mais certeira que levei nas costas em toda a minha vida. Com os punhos fechados, deu um murrão tão potente em meus pulmões que a moeda voou longe.
Cheguei na cozinha já roxa, lacrimejando e quase desfalecendo com a mão na garganta. Mamãe, entendendo na mesma hora o que estava acontecendo, correu até mim. Total entendedora das técnicas de primeiros socorros, com a adrenalina à mil, a mulher chegou por trás de sua filha agonizante e fez o que pensou ser mais lógico: desferiu a porrada mais certeira que levei nas costas em toda a minha vida. Com os punhos fechados, deu um murrão tão potente em meus pulmões que a moeda voou longe.
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Mal pude aproveitar o alívio de sentir o oxigênio novamente no meu corpo, pois fui ao chão mediante o golpe truculento de minha progenitora. Ela, ajoelhando-se, segurou em meus ombros e, com o olhar assustado, perguntou com toda delicadeza:
Mal pude aproveitar o alívio de sentir o oxigênio novamente no meu corpo, pois fui ao chão mediante o golpe truculento de minha progenitora. Ela, ajoelhando-se, segurou em meus ombros e, com o olhar assustado, perguntou com toda delicadeza:
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- TU É DOIDA??? TU BEBE GÁS PRA FICAR COM MOEDA NA BOCA, BICHA NOJENTA???
- TU É DOIDA??? TU BEBE GÁS PRA FICAR COM MOEDA NA BOCA, BICHA NOJENTA???
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E, em seguida, me abraçou. Sei que, apesar do grito, ela ficou extremamente nervosa, então não fiquei nem um pouco chateada. De qualquer forma, mamãe fez-me prometer que jamais poria uma moeda novamente na boca, deu um tremendo sermão sobre germes e bactérias, não esquecendo, claro, de me ameaçar.
Meu pai, sem perder nada, guardou o objeto do engasgo junto à sua coleção de moedas brasileiras, colocando-a bem próxima de uma da época de D. Pedro II. Não me pergunte porque raios ele guardou a moeda, mas, se um dia você for lá em casa, eu mostro toda a coleção e a moeda assassina de dez cruzados, que ainda está lá para contar a história. É só pedir.
E, em seguida, me abraçou. Sei que, apesar do grito, ela ficou extremamente nervosa, então não fiquei nem um pouco chateada. De qualquer forma, mamãe fez-me prometer que jamais poria uma moeda novamente na boca, deu um tremendo sermão sobre germes e bactérias, não esquecendo, claro, de me ameaçar.
Meu pai, sem perder nada, guardou o objeto do engasgo junto à sua coleção de moedas brasileiras, colocando-a bem próxima de uma da época de D. Pedro II. Não me pergunte porque raios ele guardou a moeda, mas, se um dia você for lá em casa, eu mostro toda a coleção e a moeda assassina de dez cruzados, que ainda está lá para contar a história. É só pedir.

5 comentários:
Só tenho duas coisas a te dizer:
NOJENTA, DOIDA!
Pra variar muito boa a historia. Eu colocava moedas na boca tbm, quando novinho. So tinha o bom senso (se é q existe bom senso em colocar uma moeda na boca :P) de nunca fazer isso deitado.
Bjão
Acho que o teu pai deve ter pensado naquele ditado... Mantenha os amigos perto e os inimigos mais perto ainda...
eu acho que foi Gás!
Chell, teu blog deveria ter um subtítulo: "Coisas que Só Acontecem Comigo".
A propósito, as Balas Soft já tentaram me matar algumas vezes também. Bem como as Maluquinhas. Mas nunca tive um episódio com uma moeda assassina!!!
Doida!!!
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