terça-feira, 13 de novembro de 2007

O Inesquecível Passeio de Índio no Sítio do Bebeto

Era o ano de 1992. Eu, meus pais, meus dois irmãos estávamos passando um feriadão em Paracuru, que era ainda uma cidade turística na época. Tudo estava ótimo: eu e os meninos andávamos de bicicleta à vontade, nosso primo Beto também estava lá para brincarmos, tomávamos banho de mar todo dia, íamos correr na pracinha à noite... Até a Maligna estava menos maligna neste fim de semana. Então, no sábado, meu pai teve a brilhante idéia:

- Ei, que tal irmos para o sítio do Bebeto, aquele meu amigo da faculdade? Ele foi pra lá esse fim de semana e nos convidou. Fica a uns 60km daqui...
- E tem alguma coisa pra fazer lá? – perguntou minha mãe.
- Bom, ele disse que tem um rio muito legal, onde a gente pode pescar peixe e camarão, tomar banho... Tem também muito espaço pros meninos correrem. É bom eles verem como é uma vida de interior.
- Gostei da idéia! Você sabe como chegar lá?
- Eu nunca fui, mas ele me explicou e é bem facinho.
- Ok. Crianças! Nós vamos pra um sítio amanhã de manhã!
- YAAAAAAAY!!!! Podemos levar o Beto?
- Claro!

No dia seguinte, meu pai nos acordou 5:30 da manhã, para chegarmos lá cedo. Foi um suplício, desde sempre odeio acordar. Nem minha mãe queria levantar naquela hora infame. Mas ele insistiu e todos nós estávamos prontos para sair às 6h, tomando apenas um copo de leite no desjejum. Eu, meus irmãos e nosso primo fomos apertados atrás, quase dormindo um por cima dos outros. Quando o carro alcançou a estrada, resvalei para o sono.

Acordei novamente com minha mãe falando com meu pai:

- Tu não tinha dito que eram só 60km???
- Foi o que ele me disse!
- Mas a gente já andou bem uns 90km!!!
- Eu sei, eu sei! Mas a entrada que ele falou não apareceu!
- Vamos perguntar pra alguém...

O carro foi guiado para o acostamento, perto de um senhor que andava de bicicleta. Minha mãe perguntou para o homem onde ficava a entrada para o Sítio Luzia, recebendo a seguinte notícia:

- Mah é muito mais pracolá! Essa entrada aí fica mais de 50km pra lá.
- O quê????

A mulher olhou para o marido, que, sem falar nada, acelerou com o carro.

- Esse cara nem deve saber o que é um quilômetro!
- Tu tem certeza que o Bebeto falou 60km? Não foi 160km, não?
- Claro que não! Ele disse 60km!
- ...
- Tá, tudo bem, eu posso ter escutado errado! Mas a gente já andou mais da metade do caminho, então vamos continuar!

Nós, crianças, estávamos extremamente entediadas com a viagem inesperadamente longa. Tentávamos inventar todo tipo de brincadeira para passar o tempo, mas não adiantava. Inquietos, sem nada para fazer, só nos restava uma alternativa para nos tirar daquela chatice: brigar. Socos, pontapés, gritarias e choro no banco de trás do carro terminaram de tirar minha mãe do sério. Ela virou com seu melhor olhar psicótico e gritou violentamente:

- SEUS ÍNDIOS!!! SELVAGENS!!! PAREM JÁ!!!!! OU VOU LARGAR OS QUATRO NA ESTRADA PROS URUBUS COMEREM ATÉ RESTAR SÓ OS OSSOS!!!!

Mami sempre teve a capacidade de nos ameaçar de forma que nos fazia acreditar que ela seria capaz de cumprir suas palavras. Então nos calamos.

Finalmente, conseguimos encontrar o famigerado sítio. Lembro-me que a primeira sensação que tive ao vislumbrar o sítio foi a mais pura e simples... decepção. O sítio, na realidade, era uma fazendinha merreca, com umas cinco galinhas, uma vaca magra e uma casa de taipa. Havia um pé repleto de sirigüelas ainda verdes, um mato no chão um tanto seco, uma plantação de cana atrás da casa com uma floresta densa ao fundo. Até minha mãe ficou decepcionada, mas meu pai não se entregava:

- Êêêêê!!! Chegamos!!! U-hu!!! Desçam logo pra gente começar a brincar!!!

Em silêncio, obedecemos. O pai falou com seu amigo, que logo nos convidou a ir pescar. Pegaram, então, vara de pescar e uma rede para camarão e se meteram no mato. Sem opção, adentramos no matagal, seguindo o tal do Bebeto. Achávamos que chegaríamos logo no tão falado açude, mas a caminhada foi longa. O sol estava escaldante e a areia muito quente. O caminho era complicado. Bebeto havia avisado para que não nos afastássemos dos adultos, pois poríamos nos perder. Havia muitas bifurcações e partes em que as árvores formavam uma densa parede, quase como um labirinto. Brincávamos com as plantas, tentávamos acertar calangos com baladeira, mas o sol estava incomodando. Minha mãe, que sempre apreciou o conforto, era a mais incomodada. Até meu pai estava cansando.

Em um determinado momento, avistamos o açude ao longe. Apertamos um pouco o passo, felizes por termos onde tomar banho finalmente. Então, senti uma picada no meu pé, doendo tanto que me fez gritar.

- O que foi, menina?
- Ai... Acho que foi uma formiga vermelha.

Depois, meu pai também gritou. Logo, meus irmãos, minha mãe, meu primo gritaram. Percebemos, então, que estávamos andando em cima do maior formigueiro que já havíamos visto em nossas vidas. E estávamos sob um terrível ataque. Aqueles insetos vermelhos começaram a subir em bando pelas nossas pernas. A partir do momento em que tivemos a infelicidade de pisar na morada daquelas formigas, estávamos fadados a sofrer as conseqüências de termos despertado a sua ira. Sem perdão nem piedade, aquele batalhão nos atacava vorazmente, defendendo seus lares com fúria, mostrando-nos quem eram os donos daquele pedaço e que não tínhamos a menor chance de vitória. Nós, humanos, seres superiores, racionais e mais fortes, tomamos a única ação que poderíamos executar: corremos como um bando de covardes.

Nossa manobra evasiva consistiu em correr para o açude e pular na água, nos livrando das formigas kamikazes que grudaram em nossas pernas e que não se importavam de dar suas vidas pela causa. O problema era que o solo debaixo da água era feito do mais nojento e verde lodo, nos afundando até a metade das pernas. Pergunta rápida: Lodo asqueroso ou as 300 milhões formigas de Esparta? De repente, o lodo não parecia mais tão nojento. Ficamos dentro da água, brincando, enquanto os três adultos iam pescar nosso almoço.

Três horas passaram-se. Saldo da pescaria: mamãe conseguiu uns dez camarões magros. Bebeto, mais experiente, uns vinte e cinco. Só meu pai, com sua rústica vara de pescar, não pegou nada. Nenhum peixe. Zero. E o homem, com o orgulho ferido, recusou-se a voltar para a casa antes de pegar, pelo menos, um peixe.

Silêncio total. Todos concentraram seus pensamentos positivos – ou o que restava deles - para que papai conseguisse logo e fóssemos, por fim, almoçar. Felizmente, depois de alguns minutos, ele içou um peixe, que não devia ter mais de 10cm de comprimento. A questão é que meu pai pescador comemorou como se o Brasil tivesse ganhado uma final de Copa do Mundo contra a Argentina. Tirou foto, mostrou pra gente, sentiu-se o próprio caçador da Moby Dick.

Por fim, já eram cerca de 13h e a fome doía. Preparamos-nos para voltar ainda dentro da água. O único caminho de volta era a Terra Proibida. O lar das Bestas-Fera de Seis Patas. Seguramos todos os nossos pertences firmemente. Meu pai conferiu se todos estavam prontos e disse:

- AGORA!!!

Corremos como loucos por cima do formigueiro assassino, a fim de que nenhum daqueles insetos infernais tivesse a oportunidade de vingar-se dos mártires que morreram no ataque anterior. Felizmente, somente meu primo Beto ainda fora vítima de uma valente e solitária guerreira, que logo faleceu mediante aos tapas do garoto.

No complicado caminho de volta, Bebeto, o dono do sítio, novamente orientou para que as crianças ficassem próximas aos adultos, para que não se perdessem. Obedecemos, pois a fome não nos deixava fazer com que o caminho demorasse mais. No entanto, minha mãezinha, impaciente, disparou na frente a fim de chegar logo.

- Tu vai se perder, ô mulher! – falou meu pai.
- Não vou não, lembro bem do caminho.

Depressa, ela sumiu de nossas vistas, mas não nos preocupamos. Ela sempre fora destemida e mais forte que toda a família junta. Mas quando, finalmente, chegamos até a casa de taipa, logo percebermos que a mãe não tinha chegado. Agora, sim, preocupados, lá fomos nós partir – ainda famintos - em uma empreitada à caça da mulher perdida. Mas não sem, antes, entregar os camarões e a Moby Dick para a caseira já ir preparando a nossa comida.

Enquanto isso, minha mãe perambulava pelo matagal, tentando acertar o caminho. Quando, relutantemente, convenceu-se de que estava perdida, manteve a calma. Parou no lugar onde estava para que a encontrassem mais facilmente. Sua placidez durou somente uns quinze minutos. Durou até o segundo fatídico em que, para sua mais completa infelicidade, uma cobra enorme passou bem na sua frente. Como minha mãe prefere ver o diabo bebendo o sangue de uma galinha preta viva do que ver uma cobra, desesperou-se totalmente.

- AAAAAAAAAAAHHHHHHH!!!!!!! SOCOOOOOOOOOOORRO!!!!! EU TÔ PERDIDA!!! E AQUI TEM COBRA!!!!! SOCOOOOOOOORRO!!!!!!!!! ME AJUUUUUUUUUDEM!!!!!!!!

Bem, para quem ainda não sabe, os gritos de minha mãe podem percorrer muitos quilômetros de distância. Desta forma, a famigerada cobra, sem querer, colaborou com nossa empreitada, pois passamos a nos guiar pelos sonoros ecos produzidos pela poderosa garganta de mamãe, quase como uma brincadeira de Marco Pólo fora da água.

Cerca de dez minutos depois, a encontramos em cima de uma pedra, segurando ameaçadoramente um galho de árvore na mão, atenta como se pudesse ser atacada a qualquer momento.

Resgatada a mulher perdida, retornamos, novamente, para a casa de taipa. Desta vez, todos segurando as mãos uns dos outros para que ninguém se perdesse. Chegando lá, já estávamos passando mal e, literalmente, desesperados de fome. Felizes e ansiosos, sentamos na soleira da porta aguardando nossos camarões, pouco ligando para o luto de meu pai pela morte da Moby Dick, de quem ele havia se apegado. Nossos olhos brilharam quando a caseira chegou com a panela. Finalmente, finalmente, degustaríamos nossos camarões a alho e óleo, que, obviamente, deveria vir com algum acompanhamento, como arroz e feijão.

Vã ilusão. Vieram os camarões nanicos e o cadáver da Moby Dick assados, tendo sido temperados apenas com sal. A decepção foi tão grande que eu, particularmente, quase chorei. Meu pai fez questão de comer a Moby Dick, não que fosse comida suficiente para ele. Nada ali era suficiente para ninguém. Comemos em silêncio, deprimidos e sentados na areia vermelha sob a sombra de uma árvore meio seca, nos sentindo como refugiados da Guerra do Golfo - ainda assunto recente na época – dividindo uma escassa ração após tantos flagelos.

Pedimos água. Veio um líquido que parecia um chá, mas, para nossa descrença, era água. Foi quando meu irmão, cheio de noção, manifestou em alto e bom tom seu desagrado:

- Ecaaaaa! Mas essa água tá muuuuuuuito podre!!! Não tem água limpa pra beber aqui???
- CALA A BOCA, MENINO! Tu me mata de vergonha... – esculachou logo minha mãezinha.

Não preciso dizer que nossa fome não foi aplacada. Pelo contrário. Parecia que a comida e a água barrenta caíram no nosso estômago como uma bomba, que ativou nosso instinto de sobrevivência como se fóssemos os bandeirantes em 1500 desbravando o Sudeste do país. Partimos em bando atrás de caçar nossa própria comida. Nem que tivéssemos de matar os patos do sítio vizinho. Bem, conseguimos sim capturar um dos patos do sítio vizinho - que deu bobeira passeando foras dos limites de suas terras. Só que, novamente, meu pai se apegou ao diabo do pato e, desta vez, não ia permitir que o animal tivesse o mesmo destino da pequena Moby Dick. Sem muita demora, constatamos que esse negócio de caçar a própria comida não ia dar certo com a gente. Não se ela estivesse viva.

Minha mãe, sempre à frente nas idéias, decidiu procurar árvores frutíferas. Depois de muito rodar, resolveu recorrer à plantação de cana atrás da casa. Mal ela quebrou um pé de cana, a mulher do caseiro veio correndo desesperada, dizendo que não podíamos arrancar nada dos pés de cana senão o marido dela iria espancá-la. Minha mãe olhou para o Bebeto, dono do sítio, esperando que ele se manifestasse. Ele encarou solenemente minha mãe e disse:

- É, se o Toinho disse pra não mexer, a gente não mexe.
- Mas você não é o dono do sítio, Bebeto???? – indagou minha mãe, revoltada.
- Eu sou, mas, assim, eles vivem aí e foram eles que plantaram isso... Eu prefiro não mexer. Pra falar a verdade, nem conheço ele direito.
- Cara, como é que tu bota um cidadão que não conhece pra cuidar do teu sítio??? – indignou-se meu pai.
- Ah... relaxem. Ainda tem aquele pé de sirigüela ali. – disse ele, apontando para a árvore cheia de frutas verdes.

Nós, crianças, já estávamos cansados daquilo tudo e só queríamos ir para casa. Pelo menos lá tinha comida. Começamos a perturbar nossos pais, já perturbados, para partirmos, mas eles sabiam que, se fóssemos embora com aquela fome toda, a viagem seria um inferno. Minha mãe, sem falar nada, seguiu reto para o pé de sirigüela, o encarando com fúria, fome e desespero.

Ela, acostumada a subir em pés de árvore desde quando era menina, alcançou o galho mais alto rapidamente, comendo as frutinhas verdes. Ainda tentou fazer com que nós, crianças, comêssemos, mas só queríamos ir embora. Depois de ela e meu pai encherem a barriga, decidimos, pela graça divina, partir. Todos começamos a vestir as roupas comuns por cima das roupas de banho, completamente secas pelo calor. Meu primo, que odiava usar cueca, foi pra detrás de uma moita tirar sua sunga e vestir um calção. Só tinha um problema, aliás, dois. O primeiro: meu primo era tremendamente desastrado. Segundo: O calção era de zíper.

- AAAAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIII!!!!!! AI, AI, AI, AI, AI MEU DEEEEEEUUUUUUSSSSSSS!!!!!!! TIO!!!!!!! TIA!!!!! SOCOOOORRO!!!!! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIIIAIAIAIAIIAIAIAIAAI!!!!!!

Meus pais correram como loucos para o arbusto, achando que havia acontecido um encontro brutal entre o Beto e uma cobra. Mas, quando o alcançaram, ele estava aos prantos, com o zíper enganchado na pele de seus testículos. Depois de 10 minutos, meus pais voltaram com um sobrinho humilhado, triste e abatido. Nada mais parecia ter graça para ele. Em respeito, ficamos em silêncio. Entramos no carro.

No momento final, meu pai ainda tentou levar Donald, o pato, para criar, mas minha mãe simplesmente disse:

- Escuta. Se você levar qualquer coisa que seja desse sítio imbecil pra casa, nem que seja uma folha, eu destruo em mil pedaços.
- Mas, o Donald...
- ELE É UM PATO! NÃO VOU LEVAR UM PATO PRA CASA!!!
- Mas não é qualquer pato!
- Não quero saber!!! Se levar mesmo esse bicho, eu ARRANCO a cabeça dele fora e te OBRIGO a comer crua!!!

Bem, eu já disse para vocês como minha mãe sabe fazer as ameaças soarem verdadeiras. Então meu pai se calou.

Poucas palavras foram pronunciadas dentro do carro. Estávamos completamente exaustos. Chegamos em casa e cada um foi para o lugar da casa que mais lhe apetecia: cozinha, banheiro ou cama.

Saldo do passeio:

Irmão mais novo: Pernas inchadas devido ao ataque das formigas kamikazes, garganta inflamada e um ferimento no pé.
Irmão do meio: Pernas inchadas devido ao ataque das formigas kamikazes, garganta inflamada e gripe.
Primo Beto: Pernas inchadas devido ao ataque das formigas kamikazes, gripe, ferimento no... ahn... lá embaixo e dignidade abalada.
Eu: Pernas inchadas devido ao ataque das formigas kamikazes, garganta inflamada, dor de barriga e joelho ralado.
Minha mãe: Pernas inchadas devido ao ataque das formigas kamikazes, ferimento no pé, dor de barriga, gripe, cordas vocais acabadas e ódio no coração.
Meu pai: Pernas inchadas devido ao ataque das formigas kamikazes, ferimento na mão, pés inchados, garganta inflamada, luto pela Moby Dick e remorso pelo abandono do Donald.

Até hoje lembramos dessa viagem como “O Passeio de Índio no Sítio do Bebeto”. Se alguém chegar para minha mãe e perguntar: qual o passeio mais sem futuro da sua vida? Com certeza ela vai responder:

- Foi aquele passeio de índio do sítio do Bebeto.

6 comentários:

K-09 disse...

~Eu não conhecia esta historia toda, só a versão resumida :P
Formigas kamikazes ??? :P

PS: quando tu vai contar pelo menos uma historia nossa?

Clarice Weyne disse...

Teu primo que saiu com a "dignidade abalada" me lembrou "Quem vai ficar com Mary".

Quando vi esse filme fiquei me perguntando por uns tempos se alguém já teria passado por isso.

Obrigada, à custa da dignidade dele não vou mais precisar questionar.

;)

Beijão.

Camila disse...

Chell....
Tipo, sem palavras.
Tipo, barriga doendo de tanto rir.
Tipo. Caraca véio, tem coisas que só acontecem contigo mesmo!!!!
Bjo!

Josiany disse...

Saldo da conclusão da leitura desta crônica: hauhauhauhauhuahuahuahuahuahuahuahuaha... passeio doido!

Bjins, Chell! ^^

Natylla disse...

que post enooooooooooorme!!!
um tema tão pequenino (formigas) rendeu uma estorinha grandona!!

Barrigas Esguiadas disse...

Feito. Aparece por lá..
A propósito... adorei seu Só Pensando. Parece escrito por mim - mas eu parei com o álcool...