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Carolina tinha certeza de que podia voar.
Sua certeza era tanta que ela poderia duvidar de todas as factualidades do mundo, menos de que podia voar. Assim como o Universo é infinito, como o Céu é azul e como ela amava o Paulo. De todas essas certezas, a mais absoluta de todas era a que ela possuía o poder de voar. O único problema é que ela nunca havia estado pronta. Até àquele dia.
Do alto da colina, Carolina olhava para a imensidão do mar e sentiu-se extremamente feliz por seu dia ter chegado. Sentindo a grama sob seus pés, lembrou-se de quando percebeu - há muito anos - que esse poder era instrínsceco de seu ser. Era ainda uma menininha, quando acordara de um sonho perturbador e percebeu que havia caído alguns centímetros sobre sua cama. Sim, ela flutuou dormindo. Como ninguém nunca acreditou, ela considerou que devia ser um segredo entre ela e alguém, que, algum dia, haveria de conhecer.
Desde aquele momento, talvez epifânico, Carolina tentara voar novamente, sem sucesso. Procurou lembrar-se do sonho que tivera, mas ele nunca se mostrou novamente. Depois de todas as tentativas frustradas, Carolina não desanimou, muito pelo contrário. Essa era a prova pela qual deveria passar para conquistar o direito de voar. Sim, era isso. Mas tudo deveria ser feito com muita cautela, pois ela não queria morrer. Seria ridículo se, depois de tudo, ela estragasse tudo morrendo. Carolina só tentaria voar de verdade, do alto mesmo, quando acordasse em uma manhã e soubesse que aquele era o seu dia.
E o seu dia chegou.
Paulo estava no estábulo, cuidando dos cavalos. Ele a levara naquela viagem com o intuito de pedi-la em casamento, o que ela já sabia. Tão meigamente previsível. Além do mais, ela sempre tivera o talento nato para entender as pessoas antes delas mesmas. Sua resposta já estava pronta - um "sim" - mas ela só seria dada após o momento mais aguardado de sua vida. Ela voaria. Então, depois de saber o que existe além de seu sonho, aceitaria a proposta de Paulo.
É incrível como as coisa simplesmente acontecem quando é para que sejamos felizes. - pensou Carolina.
Carolina respirou fundo e olhou para o horizonte. Extasiada, quase estava sentindo seus pés deixando de tocar o chão. O vento soprou mais forte. Carolina sorriu. Um pássaro cantou ao longe. E Carolina saltou.
Nunca mais se soube Carolina. Uma equipe de busca a procurou por muitos e muitos dias, sem nenhum sucesso. Talvez seu corpo tenha sido tragado para o fundo do oceano, foi o que disseram. Mas, talvez, somente talvez, tenham esquecido de olhar para o céu de vez olhar para o mar.
Carolina tinha certeza de que podia voar.
Sua certeza era tanta que ela poderia duvidar de todas as factualidades do mundo, menos de que podia voar. Assim como o Universo é infinito, como o Céu é azul e como ela amava o Paulo. De todas essas certezas, a mais absoluta de todas era a que ela possuía o poder de voar. O único problema é que ela nunca havia estado pronta. Até àquele dia.
Do alto da colina, Carolina olhava para a imensidão do mar e sentiu-se extremamente feliz por seu dia ter chegado. Sentindo a grama sob seus pés, lembrou-se de quando percebeu - há muito anos - que esse poder era instrínsceco de seu ser. Era ainda uma menininha, quando acordara de um sonho perturbador e percebeu que havia caído alguns centímetros sobre sua cama. Sim, ela flutuou dormindo. Como ninguém nunca acreditou, ela considerou que devia ser um segredo entre ela e alguém, que, algum dia, haveria de conhecer.
Desde aquele momento, talvez epifânico, Carolina tentara voar novamente, sem sucesso. Procurou lembrar-se do sonho que tivera, mas ele nunca se mostrou novamente. Depois de todas as tentativas frustradas, Carolina não desanimou, muito pelo contrário. Essa era a prova pela qual deveria passar para conquistar o direito de voar. Sim, era isso. Mas tudo deveria ser feito com muita cautela, pois ela não queria morrer. Seria ridículo se, depois de tudo, ela estragasse tudo morrendo. Carolina só tentaria voar de verdade, do alto mesmo, quando acordasse em uma manhã e soubesse que aquele era o seu dia.
E o seu dia chegou.
Paulo estava no estábulo, cuidando dos cavalos. Ele a levara naquela viagem com o intuito de pedi-la em casamento, o que ela já sabia. Tão meigamente previsível. Além do mais, ela sempre tivera o talento nato para entender as pessoas antes delas mesmas. Sua resposta já estava pronta - um "sim" - mas ela só seria dada após o momento mais aguardado de sua vida. Ela voaria. Então, depois de saber o que existe além de seu sonho, aceitaria a proposta de Paulo.
É incrível como as coisa simplesmente acontecem quando é para que sejamos felizes. - pensou Carolina.
Carolina respirou fundo e olhou para o horizonte. Extasiada, quase estava sentindo seus pés deixando de tocar o chão. O vento soprou mais forte. Carolina sorriu. Um pássaro cantou ao longe. E Carolina saltou.
Nunca mais se soube Carolina. Uma equipe de busca a procurou por muitos e muitos dias, sem nenhum sucesso. Talvez seu corpo tenha sido tragado para o fundo do oceano, foi o que disseram. Mas, talvez, somente talvez, tenham esquecido de olhar para o céu de vez olhar para o mar.

1 comentários:
E esse foi mais um conto da minha amiga Michelle Lispector! :P
Bjão, Chell!
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