Nesse dia, eu tinha marcado de ir ao cinema com alguns amigos. Como meu pai não havia liberado o carro, o jeito foi pegar o ônibus para chegar ao shopping. Também nesse dia, estava com pena de pagar duas passagens de ônibus, então resolvi pegar o Grande Circular 2, que, apesar de levar muito a sério o seu próprio nome e circular pela cidade inteira, eu não teria de trocar de condução.
Estava escutando minhas músicas japonesas com o MP3 Player, cantando o que conseguia na mente, quando um barulho ultrapassou o bloqueio dos fones de ouvido. Levantei os olhos e vi um senhor esbravejando com raiva e sacudindo uma bengala na mão.
Retirei um dos fones do ouvido, para entender o que estava acontecendo. Todos no ônibus olhavam a enorme balburdia, causada por um casal de velhinhos que deviam ter cerca de 80 anos, que discutiam ferozmente.
- Vai te lascar, velha nojenta, vai xingar o time das tuas ventas!!!
- Esse Ceará é uma merda sim, digo e repito: eme-é-erre-mér-dê-a-dá: MER-DA! O Leão é que é time!
- Cala a boca, carcaça lazarenta, que arrebento tua artrose à bengalada!
- Vem, pra tu ver, sua caveira do cão, tu já devia estar era numa cova do São João Batista!!
O zangado senhor estava sentado à esquerda do ônibus e a valente senhora do lado direito. Ambos gritavam as mais terríveis ofensas à idade um do outro, ignorando o fato de que deviam ter nascido mais ou menos na mesma época. Não havia a menor possibilidade de eu voltar a ouvir música. Primeiro: não tinha como ouvir direito, tamanha a gritaria. Segundo: quando raios eu teria de novo a oportunidade de presenciar uma violenta briga de velhos? Ainda mais sobre times de futebol?
Absolutamente todos os passageiros prestavam atenção, divertindo-se com os originais impropérios proferidos pelos dois e gargalhando com vontade. Logo, muitos passageiros começaram a tomar partido. O velhinho praguejava contra o Fortaleza e ouvia uivos de aprovação. A velhinha xingava o Ceará e ouvia gritos de guerra. Até que um infeliz gritou: “É isso aí, vó!!!!!”.
- Vó é a rapariga da quenga da tua mãe, seu filho de uma puta encardida!!!
O velho:
- HAUAHUAHAUHAUAU!!!
- Pô, tia, eu tô do teu lado... – lamuriou-se o torcedor do Fortaleza intrometido.
- Ainda é boca-suja, a cadáver do IML – aproveitou o velho.
A senhora levantou-se furiosa. Acredito que a única coisa que a impediu de voar na garganta do senhor torcedor do Ceará foi sua evidente artrite. Aliás, tenho certeza disso.
- Senta aí, velha safada, essas tuas pernas murchas não agüentam ficar de pé – disparou o senhor, demonstrando delicada preocupação com sua inimiga e esquecendo que ele mesmo teve a maior dificuldade ao subir os degraus do ônibus.
- Cala a boca, desdentado dos infernos!
- Vem calar, esqueleta enrustida!
O ônibus começou a realmente se empolgar. Um grupo de estudantes bagunceiros urrava a cada ofensa proferida: IEEEEEEEIII!!!!!!!! E eu... bem, eu simplesmente não acreditava no que estava vendo. Dois velhos brigando e se ofendendo... e era a coisa mais engraçada do mundo. Eu ria tanto que minha barriga doía e com todos os passageiros ocorria o mesmo. O trocador mal se agüentava na cadeira, tanto que parou de passar os passageiros na roleta porque não conseguia mais contar o troco.
Isso foi inédito para mim, sobre isso não há dúvidas. Mas o mais interessante de tudo é que, observando bem o casal briguento, podíamos ver que eles estavam, na verdade, se divertindo. Estavam adorando mesmo aquilo tudo. Gritavam ofensas, mas dava para perceber a sombra de um sorriso nos lábios de cada um. Os olhos de ambos brilhavam. Talvez, na velhice já cansada, não tinham mais fortes alegrias. Estou certa de que aquilo os estava divertindo como há tempos nada fazia.
Depois de 10 minutos de briga, o velho homem deu sinal para descer. Todos nós, espectadores decepcionados, exclamamos: “Aaaahhhhhhh....”. No entanto, a senhora dizia enquanto o velho se levantava:
- Graças a Deus que esse maracujá podre vai sair do ônibus, já não agüentava mais.
O senhor não disse nada. Desceu do ônibus cuidadosa e calmamente. Foi quando, da parada, chamou:
- Ei, diaba enjoada!
A antiga torcedora do Fortaleza olhou pela janela. O antigo torcedor do Ceará continuou:
- Se ocorrer da gente pegar o mesmo ônibus de novo, eu te peço em casamento, diaba!!!
A mulher, atônita, ficou dois segundos sem saber o que dizer, mas falou por fim:
- A gente se vê, caveira desdentada!
Os passageiros, surpresos e divertidos, gritaram, uivaram, fizeram festa para a senhora, que começou a rir dentro daquele Grande Circular. Todos davam parabéns à pretensa noiva de 80 anos de idade.
E como foi que essa briga começou?
Bem, não faço a menor idéia.
Estava escutando minhas músicas japonesas com o MP3 Player, cantando o que conseguia na mente, quando um barulho ultrapassou o bloqueio dos fones de ouvido. Levantei os olhos e vi um senhor esbravejando com raiva e sacudindo uma bengala na mão.
Retirei um dos fones do ouvido, para entender o que estava acontecendo. Todos no ônibus olhavam a enorme balburdia, causada por um casal de velhinhos que deviam ter cerca de 80 anos, que discutiam ferozmente.
- Vai te lascar, velha nojenta, vai xingar o time das tuas ventas!!!
- Esse Ceará é uma merda sim, digo e repito: eme-é-erre-mér-dê-a-dá: MER-DA! O Leão é que é time!
- Cala a boca, carcaça lazarenta, que arrebento tua artrose à bengalada!
- Vem, pra tu ver, sua caveira do cão, tu já devia estar era numa cova do São João Batista!!
O zangado senhor estava sentado à esquerda do ônibus e a valente senhora do lado direito. Ambos gritavam as mais terríveis ofensas à idade um do outro, ignorando o fato de que deviam ter nascido mais ou menos na mesma época. Não havia a menor possibilidade de eu voltar a ouvir música. Primeiro: não tinha como ouvir direito, tamanha a gritaria. Segundo: quando raios eu teria de novo a oportunidade de presenciar uma violenta briga de velhos? Ainda mais sobre times de futebol?
Absolutamente todos os passageiros prestavam atenção, divertindo-se com os originais impropérios proferidos pelos dois e gargalhando com vontade. Logo, muitos passageiros começaram a tomar partido. O velhinho praguejava contra o Fortaleza e ouvia uivos de aprovação. A velhinha xingava o Ceará e ouvia gritos de guerra. Até que um infeliz gritou: “É isso aí, vó!!!!!”.
- Vó é a rapariga da quenga da tua mãe, seu filho de uma puta encardida!!!
O velho:
- HAUAHUAHAUHAUAU!!!
- Pô, tia, eu tô do teu lado... – lamuriou-se o torcedor do Fortaleza intrometido.
- Ainda é boca-suja, a cadáver do IML – aproveitou o velho.
A senhora levantou-se furiosa. Acredito que a única coisa que a impediu de voar na garganta do senhor torcedor do Ceará foi sua evidente artrite. Aliás, tenho certeza disso.
- Senta aí, velha safada, essas tuas pernas murchas não agüentam ficar de pé – disparou o senhor, demonstrando delicada preocupação com sua inimiga e esquecendo que ele mesmo teve a maior dificuldade ao subir os degraus do ônibus.
- Cala a boca, desdentado dos infernos!
- Vem calar, esqueleta enrustida!
O ônibus começou a realmente se empolgar. Um grupo de estudantes bagunceiros urrava a cada ofensa proferida: IEEEEEEEIII!!!!!!!! E eu... bem, eu simplesmente não acreditava no que estava vendo. Dois velhos brigando e se ofendendo... e era a coisa mais engraçada do mundo. Eu ria tanto que minha barriga doía e com todos os passageiros ocorria o mesmo. O trocador mal se agüentava na cadeira, tanto que parou de passar os passageiros na roleta porque não conseguia mais contar o troco.
Isso foi inédito para mim, sobre isso não há dúvidas. Mas o mais interessante de tudo é que, observando bem o casal briguento, podíamos ver que eles estavam, na verdade, se divertindo. Estavam adorando mesmo aquilo tudo. Gritavam ofensas, mas dava para perceber a sombra de um sorriso nos lábios de cada um. Os olhos de ambos brilhavam. Talvez, na velhice já cansada, não tinham mais fortes alegrias. Estou certa de que aquilo os estava divertindo como há tempos nada fazia.
Depois de 10 minutos de briga, o velho homem deu sinal para descer. Todos nós, espectadores decepcionados, exclamamos: “Aaaahhhhhhh....”. No entanto, a senhora dizia enquanto o velho se levantava:
- Graças a Deus que esse maracujá podre vai sair do ônibus, já não agüentava mais.
O senhor não disse nada. Desceu do ônibus cuidadosa e calmamente. Foi quando, da parada, chamou:
- Ei, diaba enjoada!
A antiga torcedora do Fortaleza olhou pela janela. O antigo torcedor do Ceará continuou:
- Se ocorrer da gente pegar o mesmo ônibus de novo, eu te peço em casamento, diaba!!!
A mulher, atônita, ficou dois segundos sem saber o que dizer, mas falou por fim:
- A gente se vê, caveira desdentada!
Os passageiros, surpresos e divertidos, gritaram, uivaram, fizeram festa para a senhora, que começou a rir dentro daquele Grande Circular. Todos davam parabéns à pretensa noiva de 80 anos de idade.
E como foi que essa briga começou?
Bem, não faço a menor idéia.

1 comentários:
Definitivamente eu tenho que andar mais de grande circular! uaheuahuaehuae
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