sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Noivado

Era uma vez um rapaz de 19 anos chamado Alberto, que namorava uma mulher de 22 anos chamada Fabíola. Um dia, quando terminaram-se as aulas do dia na faculdade, Alberto resolveu pegar sua bicicleta e buscar a namorada que trabalhava no centro da cidade. No caminho, pensava no que comprar para sua amada - ela completaria 23 anos no dia seguinte - que estivesse dentro dos padrões de sua mesada semanal. Seus pais moravam em Paracuru e só davam o dinheiro do transporte e da comida, muito pouco para extras.

Alberto ainda pensava nisso quando chegou à grande loja na qual Fabíola trabalhava. Deixou a bicicleta próximo ao amigo segurança e entrou. Antes mesmo de perceber que seu namorado estava ali, Fabíola ouviu seu nome ser chamado ao som da loja: "Atenção, Fabíola, atender ramal 2030". Quando ela ligou para o ramal interno, ouviu uma colega, que trabalha na frente de loja, dizer: "Ei, mulher, teu 'baby' acabou de entrar! Não tem vergonha de namorar uma criança dessas não?". Sorrindo, ela correu para o bolsário, bateu o ponto, pegou suas coisas e foi encontrá-lo.

O pobre rapaz, nem teve a chance de expressar sua felicidade em vê-la, pois ela foi logo falando:
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-Vamos ali.
-Ali aonde?
-Confie em mim. Vamos!
-Tá, então deixa eu pegar minha bicicleta.
-Não, não, dá pra gente ir a pé.
-Mas pra onde a gente vai, mulher de Deus?
-Aguarde.
-...

Fabíola saiu andando depressa pelo centro da cidade, com destino ainda desconhecido para o namorado, que matutava, aflito, como ia dar tempo de comprar o presente de aniversário ainda naquela noite. Ela ia na frente, guiando com pressa, habilidosamente desviando-se da massa de gente, enquanto o rapaz corria para acompanhá-la. Ele tentava não perder de vista a longa trança que balançava nas costas de Fabíola, cujos passos determinados pararam, abruptamente, em frente à Casa dos Relojoeiros.
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-É aqui.
-O quê? Vai comprar um relógio?
-Não... Dá uma olhada naquelas alianças ali.
-O quê? Quais?...
-Essas aqui, ó. Que eu tô apontando.
-Ahn... Que é que têm elas?
-São bonitas?
-É, são, mas...
-Então entra na loja comigo.
-Tá...
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Nesse momento, a mente de Alberto começou a funcionar furiosamente. O que era aquilo? Eles namoravam há dois anos e tudo parecia indo bem. Eles nunca haviam falado em sério sobre casamento, até porque ele ainda estava na faculdade. Aliás, havia acabado de entrar na faculdade. O que ela estava pensando? Como ele ia ajudar no sustento? Com a mesada? Será que ele deu a entender algo que não percebeu? Ou... Oh, meu Deus... Ela estava grávida?!?
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Claro, olhando Fabíola comprando as alianças, sua fisionomia impassível escondia todas essas indagações. Não queria que o vendedor ficasse pensando coisas estranhas, como, por exemplo, a namorada comprar alianças sem avisar o namorado. Faria as perguntas quando saíssem.
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Depois de experimentar a aliança, esperar Fabíola sair do Crediário e, finalmente, ganhar a rua, ele perguntou:
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-Meu amor, o que significa isso?
-Como assim? São nossas alianças de noivado.
-Mas... A gente não tem nada planejado, não temos casa própria, eu não trabalho...
-Mas eu trabalho.
-Fabíola, eu...
-Alberto, se acalma. Eu não tô grávida, nem nada, mas já tenho 23 anos e já tenho que pensar em casar.
-Mas, mas... Eu tô na faculdade ainda, como vamos fazer?
-A gente não vai casar amanhã, homem!
-...
-Além do mais, eu dou meu jeito. Não se preocupe, concentre-se na faculdade.
-Ok, então...
-Presta atenção. Amanhã vai ser meu aniversário lá em casa.
-Você... sabe? Mas era surpresa! Quem te contou?
-Ninguém me contou, vocês que dão na vista!
-Como?
-Não interessa. Interessa é que você vai pegar essas alianças aqui e vai me pedir em casamento, como se eu não soubesse de nada.
-Certo.
-Olha lá, hein? Não vai esquecer.
-Acho que nem que eu quisesse, você não me deixaria esquecer!
-Te amo.
-Eu também te amo.
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No dia seguinte, conforme o planejado, foi a festa surpresa-não-surpresa de Fabíola. Estava toda a família reunida, todos descontraídos, brincando, conversando e rindo. Alberto estava esperando algum tipo de sinal de Fabíola, mas, como ela não revelou nenhum, decidiu começar o discurso depois dos parabéns.
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-Pessoal, por favor, eu queria a atenção de vocês...
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Silêncio. Fabíola olhando.
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-Bem, como todos sabem, eu e a Fabíola estamos juntos a algum tempo e queremos ficar ainda muitos anos juntos. Tenho certeza que é ela quem eu quero para mim e acho que ela me quer também... Bem, Fabíola...
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Tira a caixinha aveludada do bolso da calça e abre. Os olhos de Fabíola brilham. Silêncio.
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-Você quer casar comigo?
- É CLARO!!!
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Em seguida, gritos e mais gritos tomam conta da casa, todos felizes pelo noivado repentino. Quem diria que Alberto tomaria um passo tão importante? Todos o aclamavam e davam os parabéns pela coragem. Enquanto isso, Alberto olhou para Fabíola, que tinha lágrimas nos olhos, olhando para a aliança no dedo e exclamando como ela era linda. Como ela podia fingir tão bem? Não fora ela que escolhera as alianças?
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Apesar de tudo, o rapaz ficou tranquilo. Se ela disse que estaria tudo bem é porque estaria tudo bem. Não planejaram casamento, nem nada, mas ele não conseguia mais enxergar um futuro sem aquela mulher mandona e engraçada, que se emociona olhando a aliança que ela mesma escolheu.
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E, vinte e cinco anos depois, absolutamente todos da família, a não ser os filhos deles - e os amigos dos filhos -, ainda acham que foi o jovem estudante sem dinheiro que pagou pelas alianças. E ainda especulam que foi em 36 prestações.

4 comentários:

josy disse...

Alberto e Fabíola?! Seeeeeeeei ¬¬
Essa história já rendeu boas gargalhadas em um certo banco de um certo colégio! Huahuahuahuaha
É a minha história de casamento preferida! :DD

Bjins!!!

Lucas disse...

ADOREI!!!!!!! já sou muito de fã de fabíola pela postura dela em sua defesa pessoal e dos filhos! uahuahuahauhauhauhauahauh

Gustavo disse...

uaehueheuah tá explicado com quem a filha da "Fabiola", a Mc Sobreira, aprendeu a ser cinica! uaehuaehuaehuaeh

Ivna disse...

KKKKKKKKKK
o comentário do Gutavo disse tudo...