.
Desde sempre, existem três lugares com os quais eu sempre sonho. Nunca os visitei acordada, portanto, não sei se existem mesmo ou só na minha cabeça. Mas o fato é que consigo descrevê-los com uma riqueza de detalhes absurda e, sempre que sonho novamente com qualquer um deles, o local continua o mesmo. Inalterado.
Eis o primeiro deles:
A Praia em forma de Lua.
Nos meus sonhos é uma praia em forma de lua, cercada por rochas. É quase como Canoa Quebrada, só que de encostas mais altas e pedregosas, impossíveis de escalar. A faixa de areia é estreita, mas se prolonga por toda parte interna da "lua". Lá sempre está entardecendo.
Em uma das pontas, existe uma casa branca, de dois andares, que possui um deque na sua frente com algumas cadeiras e mesas de pedra. Por vezes, o deque está lotado de pessoas barulhentas, que não são donas da casa e as quais não conheço. Por vezes, está totalmente vazio.
Nunca consegui entrar na casa e, nas poucas vezes que tentei, ela sempre está trancada. Pelas vidraças das portas, consigo ver uma bela sala com sofás marfim, um tapete felpudo e quadros que já vi em algum lugar. Está sempre à meia-luz de dois abajours. Possui uma lareira - que vi acesa somente uma vez - e um corredor no seu lado esquedo que não sei para onde vai. Nunca vi ninguém lá dentro, mas sei que tem uma pessoa morando lá.
Ao lado dessa casa, um píer de madeira, que adentra solitário no mar.
Na outra ponta da praia, existe uma caverna. Entrei lá apenas duas vezes... Não foram sonhos muito bons. Dá para chegar nela apenas com a maré baixa. Quando ela enche, o único lugar seguro é a casa. Se a maré encher enquanto se está na caverna, não tem jeito, tem que passar a noite inteira dentro da lá dentro. Aconteceu uma vez. Para que as ondas não me pegassem, tive de ficar em cima de uma enorme pedra circular, que fica metade dentro da caverna, metade fora.
Passar a noite lá nunca é bom... O interior dela é de uma escuridão arrepiante, de onde se pode ouvir apenas os sons das ondas quebrando e - de vez em quando - vozes.
Tomei banho algumas vezes no mar, mas nunca na companhia de alguém. A água é gelada e aflita. Como se o mar quisesse - precisasse - desabafar. Aliás, sonhar nessa praia sempre é um solitário e pensativo. Por vezes agradável, por vezes inquietante. Já cheguei lá de barco. Já tive oportunidade de entrar mais para o interior da caverna, mas tive medo... Não sei se quero entrar lá. Na casa, porém, adoraria entrar. Tenho certeza de que é aconchegante, que tem alguém dormindo no andar de cima e que essa pessoa anseia que eu a acorde. Mas a casa sempre está trancada. Não sei onde está a chave, pois ela desapareceu.
"Está dentro da caverna!" - falou uma voz atrás de mim, na última vez que tentei abrir aquela porta. Olhei para trás. Somente o mar. Eu sabia.
Eis o primeiro deles:
A Praia em forma de Lua.
Nos meus sonhos é uma praia em forma de lua, cercada por rochas. É quase como Canoa Quebrada, só que de encostas mais altas e pedregosas, impossíveis de escalar. A faixa de areia é estreita, mas se prolonga por toda parte interna da "lua". Lá sempre está entardecendo.
Em uma das pontas, existe uma casa branca, de dois andares, que possui um deque na sua frente com algumas cadeiras e mesas de pedra. Por vezes, o deque está lotado de pessoas barulhentas, que não são donas da casa e as quais não conheço. Por vezes, está totalmente vazio.
Nunca consegui entrar na casa e, nas poucas vezes que tentei, ela sempre está trancada. Pelas vidraças das portas, consigo ver uma bela sala com sofás marfim, um tapete felpudo e quadros que já vi em algum lugar. Está sempre à meia-luz de dois abajours. Possui uma lareira - que vi acesa somente uma vez - e um corredor no seu lado esquedo que não sei para onde vai. Nunca vi ninguém lá dentro, mas sei que tem uma pessoa morando lá.
Ao lado dessa casa, um píer de madeira, que adentra solitário no mar.
Na outra ponta da praia, existe uma caverna. Entrei lá apenas duas vezes... Não foram sonhos muito bons. Dá para chegar nela apenas com a maré baixa. Quando ela enche, o único lugar seguro é a casa. Se a maré encher enquanto se está na caverna, não tem jeito, tem que passar a noite inteira dentro da lá dentro. Aconteceu uma vez. Para que as ondas não me pegassem, tive de ficar em cima de uma enorme pedra circular, que fica metade dentro da caverna, metade fora.
Passar a noite lá nunca é bom... O interior dela é de uma escuridão arrepiante, de onde se pode ouvir apenas os sons das ondas quebrando e - de vez em quando - vozes.
Tomei banho algumas vezes no mar, mas nunca na companhia de alguém. A água é gelada e aflita. Como se o mar quisesse - precisasse - desabafar. Aliás, sonhar nessa praia sempre é um solitário e pensativo. Por vezes agradável, por vezes inquietante. Já cheguei lá de barco. Já tive oportunidade de entrar mais para o interior da caverna, mas tive medo... Não sei se quero entrar lá. Na casa, porém, adoraria entrar. Tenho certeza de que é aconchegante, que tem alguém dormindo no andar de cima e que essa pessoa anseia que eu a acorde. Mas a casa sempre está trancada. Não sei onde está a chave, pois ela desapareceu.
"Está dentro da caverna!" - falou uma voz atrás de mim, na última vez que tentei abrir aquela porta. Olhei para trás. Somente o mar. Eu sabia.
